sexta-feira, setembro 15, 2023
A Força de Vontade
A força de vontade é ensinada a todos como algo de grande valor. A toda criança se diz para ter força de vontade. E a força de vontade é algo contra a espontaneidade, de modo que não se pode ficar à vontade em uma situação repousante. Será que as flores têm que fazer muito esforço para florescer? As árvores têm uma ação vigorosa para crescer? Não há nenhuma ação.
Lao Tsé costumava dizer: "Olhe para as árvores, olhe para os rios, olhe para as estrelas, e você vai entender a 'ação sem ação'".
Com certeza, o rio está fluindo em direção ao oceano, mas não se pode chamar isso de ação, porque não há nenhuma vontade forçando-o para ir em direção ao oceano. Ele é muito tranquilo, não tem pressa, não tem urgência, não tem nem mesmo o anseio de que deva chegar, não disputa com outros rios que possam, talvez, chegar à frente dele. Ele simplesmente segue, cantando e dançando sua dança pelas montanhas, pelos vales, pelas planícies, sem se preocupar se atinge o objetivo ou não. Cada momento é tão belo e precioso! Quem se preocupa com o amanhã?
A força de vontade é usada para criar uma personalidade falsa na pessoa.
A força de vontade é outro belo nome para a entidade feia chamada ego.
Um dos grandes psicólogos do século XX, Alfred Adler, baseou toda a sua análise psicológica no simples fato de que todos os problemas do homem são provenientes da vontade de poder. Ele quer tornar-se alguém, alguém especial, alguém superior aos outros, alguém mais santo que os outros. Não importa se está no mercado ou no mosteiro, a luta é para estar no topo.
Quanto mais o homem luta, mais ele é bem-sucedido e mais distante fica de seu próprio ser, porque se torna cada vez mais tenso, cada vez mais preocupado. A vida torna-se uma agonia constante, em função do medo do fracasso. Mesmo que seja bem-sucedido, existe o medo de que alguém possa afastá-lo para longe de sua posição. Um homem que vive para alcançar algo pode nunca ter paz.
Assim, de um lado, criou-se essa ficção de ação vigorosa. Talvez as pessoas pensem que a meditação exige uma ação vigorosa. No entanto, é preciso apenas relaxamento. É preciso abandonar a própria mente, esquecer que há qualquer futuro, permitir que este momento seja suficiente por si só, e que o próximo momento vai cuidar de si mesmo.
Aquele que puder se alegrar neste momento será capaz de se alegrar mais no momento que está chegando, porque se tornará cada vez mais experiente em ser alegre, em dançar, em cantar. E vai ficar cada vez mais seguro de si, a ponto de não precisar ser outra pessoa. Quem quer que a pessoa seja, ela vai ser capaz de desfrutar do êxtase supremo, sem ser rica, sem estar no poder, sem ser mundialmente famosa, sem ser uma celebridade.
Você pode ser um zé-ninguém e, ainda assim, todos os tesouros da existência podem lhe pertencer, porque eles não estão fora de você. Você desconhece sua própria riqueza interior.
Fonte: Osho, O livro do ego: Liberte-se da ilusão, Editora BestSeller, Rio de Janeiro, 2022. ISBN: 978-85-7684-710-6.
Marcadores: Alfred Adler, ego, esforço, Osho, sucesso, vontade
domingo, outubro 10, 2021
A Magia
Os magos costumam falar sobre as dificuldades dos seres humanos de exercer, por vontade própria, os fenômenos ligados à consciência, isto é, de fazer acontecer os colapsos humanos ligados às equações de probabilidades quânticas e às suas mônadas quânticas. Poucos são capazes de promover curas, por exemplo. Para promover qualquer mudança, que são os chamados colapsos nas leis da natureza, o ser precisa acessar a Grande Lei, onde estão as probabilidades de acontecer ou não uma interferência. A dificuldade prática disso é a questão sobre quais meios ou metodologias o homem conseguiria usar, de forma eficiente, para direcionar sua vontade sobre as equações de probabilidades. Como chegar lá e promover a tal cura? Naturalmente, muitos já perceberam que é através do pensamento, mas são muitas as barreiras, como seus próprios condicionamentos emocionais e sociais. Seria necessário que o ser despertasse e tivesse mais clareza de pensamento para perceber que se aprisiona nos costumes ou desejos do meio onde está inserido. Só assim poderia acessar a consciência de forma mais clara, mais perfeita e, portanto, mais eficiente. Quanto mais a sociedade evolui, mais e mais interesses foram criados, o que introduziu mais condicionamentos externos nas pessoas, fechando cada vez mais a abertura para a consciência, ao contrário do que era nos primórdios da colonização do planeta. Nos dias atuais as pessoas parecem clones umas das outras dentro de suas microssociedades. Usam as mesmas roupas, gostam das mesmas coisas, embora nem sempre se apercebam disso. Não pensam, de fato. Tudo isso restringe, num nível cerebral, o acesso à consciência, dificultando a influência do ser, pois todo condicionamento tem por trás um interesse qualquer. No mundo antigo, os mais evoluídos que sabiam como usar o pensamento, faziam a magia acontecer. Acessavam a consciência e mudavam, simplesmente, a equação de probabilidades. Mas, qual a finalidade disso tudo? Conseguir um colapso diferente daquele que estava previamente programado, como, por exemplo, curar uma pessoa que estava doente, modificando a organização de suas células. Magia é isso. Durante milhões de anos os missionários cósmicos fizeram essas modificações em nível planetário com facilidade. Como se vê, o que impede o ser de ser mais contributivo com o universo são seus próprios defeitos, os quais o impedem de pensar com mais eficiência. Ele vai apenas repetindo seus condicionamentos e, enquanto não aprender a se observar e despertar de sua ilusão, jamais vai colaborar com o universo de forma diferente. Todos os acontecimentos geológicos gigantescos, como a reorganização dos continentes ou os arquitetônicos, como a construção das grandes pirâmides, que aconteceram no planeta, nada mais foram que diferentes técnicas de acesso à consciência. Infelizmente, essas coisas também significam que os homens comuns costumam ser prisioneiros das mentes superiores de homens mais bem informados, que os manipulam. A única maneira de se libertarem desse tipo de manipulação e terem pleno acesso às suas reais possibilidades, é desatar os nós que aprisionam seus pensamentos aos condicionamentos externos, isto é, às vontades alheias. Neste estágio de desenvolvimento a Terra ainda parece uma grande prisão, com homens aprisionando outros homens aos seus desejos, o que dificulta a evolução planetária como um todo.
Fonte:
Maria Teodora Ribeiro Guimarães, 33 Magos: A fonte do equilíbrio cósmico, Conhecimento Editorial Ltda., 1ª Edição, 2021. ISBN: 978-65-5727-104-9.
Marcadores: consciência, magia, magos, manipulação, pensamento, probabilidade, vontade
sábado, dezembro 05, 2009
Seja feita a Sua vontade
Por que sofremos e sentimos dor física e mental? Isso ocorre por causa de nossa resistência (que gera atrito) em fazer a coisa certa; em outras palavras, por causa de nossa persistência em fazer a coisa errada! Todos nós temos um Cristo Interno (um médico interno, que está de plantão 24 horas por dia) que irá resolver nossos problemas, se não colocarmos obstáculos para isso, usando a nossa vontade ("Seja feita a Sua vontade"...)!
Por exemplo, suponha que surja um mal estar em alguma parte de seu corpo (nos dentes, por exemplo). Normalmente, nesta situação, o Cristo Interno faz com que você perca a fome. Portanto, você dereria "escutar este pedido" do seu médico interno e não inserir qualquer substância na boca, até que a sensação de fome volte novamente. Em outras palavras, para colaborar com o médico interno deve-se iniciar um jejum absoluto, não fazendo nada! Nessa situação, deveríamos ir deitar em nossa cama, fechar os olhos, abrir as janelas (para que um ar limpo esteja presente no nosso quarto) e tentar dormir. Este procedimento minimiza o dispêndio de energia feito pela utilização do corpo e maximiza a energia que o Cristo Interno irá mobilizar para sanar o problema que aflige o corpo. Após acordar, você estará se sentindo muito melhor. Por que? Porque a sabedoria do Cristo Interno é muito maior do que a nossa. A nossa sabedoria iria nos sugerir que fizéssemos alguma coisa, o que iria atrapalhar a ação do nosso médico interno.
É bom lembrar que todos os obstáculos que surgem no nosso caminho (gerando dores e sofrimentos) surgem devido à ação de nossa Equipe de Supervisão (espiritual; um dos elementos desta equipe é chamado de Anjo da Guarda) que nos ama, é muito sábia e sempre atua a nosso favor: o incômodo que sentimos é para nos alertar para pensarmos sobre isso e para nos deviar do abismo à nossa frente, no qual cairemos se continuarmos com os nossos hábitos usuais. Sempre que algo desagradável nos acontece, deveríamos fazer a pergunta: "O que a minha Equipe de Supervisão está querendo me alertar com isso?". Em outras palavras, deveríamos fazer uma auto-análise sincera e corrigir algum erro (ou erros) que nos levou àquela situação desconfortável. O caminho errado é tomar algum remédio para anestesiar o desconforto e continuar fazendo as coisas erradas que levou ao surgimento do problema. Quem tem dor de cabeça por tomar cachaça, não deve tomar aspirina para combater a dor de cabeça, deve parar de tomar cachaça! Você já reparou que os cachorros, quando estão com algum problema físico, ficam quietinhos em um canto e fazem jejum absoluto? Podemos aprender com eles...
Marcadores: auto-crítica, Deus, doença, mal, vontade
terça-feira, dezembro 18, 2007
A Terapia da Visualização
Ao criar estas imagens, nós nos engajamos em um importante processo. As imagens são tão reais quanto as nossas emoções e tão significativas quanto os nossos sonhos noturnos. Obviamente, criamos uma realidade subjetiva, mas que não deixa de ser uma realidade, com o poder de afetar nossos corpos e nos contar um pouco mais sobre quem somos. Ao criarmos imagens mentais, levamos nossa realidade interior a influir em nossa saúde. O interessante neste processo é que não usamos drogas químicas externas (farmacêuticas) para efetuar nossa cura, o que evita o surgimento dos efeitos colaterais negativos sempre associados a tais medicamentos.
Preparando a Mente
Existem quatro componentes na preparação da mente para a cura pelas imagens: intenção, tranqüilização, limpeza e transformação.
Intenção
A criação de imagens mentais está direta e dramaticamente ligada à intenção, a ação mental que direciona nossa atenção e nossas ações. Todos sabemos o que são intenções: "Tenho a intenção de tirar minhas férias no mês que vem", dizemos, e planejamos para que isso realmente ocorra. A intenção nos guia nas grandes e pequenas coisas. Quando você liga a televisão, é porque você tenciona vê-la. A intenção é a expressão ativa dos nossos desejos canalizados pelos nossos sistemas fisiológicos. Ela geralmente se manifesta em forma de ação física ou mental. Em resumo, é aquilo que desejamos alcançar.
O que é que isso tem a ver com as imagens mentais e o processo de cura? Quando fazemos um exercício de imagens mentais, sempre começamos definindo e esclarecendo a nossa intenção, o que queremos alcançar com o exercício. Você se dá uma instrução interna. Você pode pensar nisso como se fosse um tipo de programa de computador para a sua mente, de modo que ela se restrinja ao processo visualizado.
A intenção depende da vontade, que é simplesmente o impulso de força vital que nos permite fazer escolhas. Todas nossas ações diárias são atos de vontade. Quando damos uma instrução à nossa vontade, temos então uma intenção. A intenção é uma vontade dirigida e é essencial para todo o trabalho de auto-ajuda gerado através da imaginação.
Na rotina diária costumamos orientar nossa vontade sobre os eventos externos, seja ao nos empenharmos em obter algo do mundo ou ao procurarmos moldar o mundo exterior às nossas próprias necessidades (ou ao que imaginamos serem nossas necessidades). Costumamos nos esquecer que podemos mudar a direção desta mesma vontade e desta mesma força de intenção, redirecionando-as para dentro de nós mesmos, de forma a tomarmos as rédeas de nossas vidas e modificá-las. A vontade alerta e a intenção consciente constituem a parte central da cura pelas imagens mentais. Freqüentemente entregamos a outras pessoas, a autoridades de todos os tipos, a tarefa de nos ajudar, por termos sidos condicionados a não usar nossa vontade em nosso próprio benefício. A cura pelas imagens mentais nos oferece a oportunidade de alcançarmos uma maior independência e liberdade. Algumas pessoas podem hesitar ante esta oportunidade, mas uma vez que experimentem os resultados ficarão maravilhadas ao invés de temerosas. O que estas pessoas precisam ter em mente é que elas não estão fazendo mal a ninguém, nem a elas próprias, quando se outorgam a liberdade (e a autoridade) de usar a sua imaginação de forma a contribuir para a sua própria cura.
Tranqüilização
[continua]
Referência:
[1] Gerald Epstein, Imagens que Curam, Editora Livro Pleno, 1989.
Marcadores: intenção, visualização, vontade
