quarta-feira, agosto 29, 2018

 

Doença Celíaca - 3


A doença celíaca é uma intolerância permanente ao glúten, uma proteína que está contida nos seguintes tipos de cereais: trigo, centeio, cevada, malte (subproduto da cevada), aveia e espelta, também conhecida como trigo ancestral ou trigo rústico.

Se forem ingeridos cereais ou alimentos que contenham glúten, ocorre uma inflamação do intestino, as vilosidades intestinais atrofiam e a mucosa do intestino delgado é danificada. Por isso, os nutrientes como proteínas, carboidratos, vitaminas, minerais e gordura não podem ser absorvidos adequadamente pelo organismo ou são apenas absorvidos parcialmente.

SINTOMAS

Diferentes sintomas podem sinalizar a doença celíaca. Os sintomas típicos (clássicos) são: diarreia, perda de peso e de força, abdômen inchado, dor abdominal, náuseas e distúrbios em nível de crescimento, especialmente em crianças. 

Em adultos, os sintomas são agravados fora da área intestinal: debilidade, fadiga, anemia, osteoporose, deficiências vitamínicas e minerais e intolerância à lactose. 

Existem ainda outros sintomas - chamados de atípicos - que podem indicar para a doença celíaca, tais quais osteoporose, dor nas juntas ou inflamação nas juntas (artrite), intestino preso, dentre outros. Porém, somente um especialista pode confirmar a existência da doença.

INCIDÊNCIA

A doença celíaca é mais comum do que se suspeita, atingindo até 1% da população. Para cada doente celíaco diagnosticado na Europa, existem entre 7 e 10 pessoas não diagnosticadas. A doença celíaca ocorre em qualquer idade! 

DIAGNÓSTICO

A doença celíaca pode ser detectada por determinação de anticorpos específicos no sangue. Para obter a confirmação do diagnóstico, é necessário realizar uma biópsia do intestino delgado. 

TERAPIA - ALIMENTAÇÃO SEM GLÚTEN

A única terapia atualmente possível é uma alimentação rigorosa isenta de glúten para toda a vida. Os doentes ficam rapidamente assintomáticos se a alimentação sem glúten for cumprida de modo persistente.

Por natureza, muitos alimentos não contém glúten, como carne, peixe, ovos, frutas, verduras e legumes, leite e muitos outros produtos lácteos, arroz, milho e batata.

Há também comercialmente uma vasta seleção de produtos preparados sem glúten, tais como farinhas, pães, massas e biscoitos.

5 DICAS PARA VIVER BEM COM A DOENÇA CELÍACA

1. A alimentação rigorosa isenta de glúten para toda a vida é a única terapia possível para tratamento da doença celíaca.

2. Ingerir apenas alimentos que sejam seguramente isentos de glúten: o símbolo de uma espiga cruzada nos produtos garante a isenção de glúten. No Brasil, de acordo com a legislação, todos os alimentos comercializados devem apresentar a informação "contém glúten" ou "não contém glúten" nas embalagens. Passe a consultar os rótulos de todos os produtos que for consumir. 

3. Por natureza, muitos alimentos são isentos de glúten: batata, milho, arroz, ovos, carne, peixe, frutas, verduras, legumes, leite e muitos produtos lácteos. No entanto, preste atenção ao risco de contaminação durante a preparação dos produtos isentos de glúten. 

4. Regra geral, leia sempre a embalagem e a lista de ingredientes: por vezes, o glúten está escondido em muitos alimentos como caldos para cozinhar, sopas e até chocolates. É fundamental a leitura dos ingredientes e atenção ao rótulo com a informação "contém glúten" ou "não contém glúten". 

5. A empresa Schär oferece, também no Brasil, um completo catálogo de produtos seguramente sem glúten. Escreva para info@mentorfoods.com.br para receber mais informações. A empresa Mentor é representante exclusivo Schär no Brasil.

ALIMENTOS ISENTOS DE GLÚTEN E ALIMENTOS COM GLÚTEN

1. Cereais
1.1 - Inofensivo - sem glúten: batatas, milho, arroz (também arroz selvagem), painço, trigo sarraceno, quinoa, amaranto, farinha de alfarroba, tapioca, mandioca, castanhas. Farinhas e féculas de arroz, amido de milho (tipo "Maizena"), fubá, farinha de mandioca, fécula de batata, farinha de soja, polvilho, araruta, flocos de arroz e milho são permitidos. Porém, preste atenção à contaminação das farinhas.
1.2 - Arriscado (ler cuidadosamente a lista de ingredientes): Produtos prontos para consumir (ex: purê de batata), batata chips.
1.3 - Proibido - contém glúten: trigo, aveia, cevada e malte, centeio, espelta, triticale, emmer, kamut, espelta seca, einkorn (triticum manococcum - trigo de uma semente), triguilho, cuscuz. Todas as massas, produtos de panificação, flocos, muesli, dentre outros, que são produzidos a partir desses tipos de cereais. 

2. Frutas
2.1 - Inofensivo - sem glúten: todas as frutas e nozes.
2.2 - Arriscado (ler cuidadosamente a lista de ingredientes): frutas secas.
2.3 - Proibido - contém glúten: nenhuma. 

3. Verduras e legumes
3.1- Inofensivo - sem glúten: todos os tipos de verduras e legumes, mesmo com casca.
3.2 - Arriscado (ler cuidadosamente a lista de ingredientes): refeições à base de verduras e legumes prontas para consumir.
3.3 - Proibido - contém glúten: refeições com verduras, legumes e cereais, legumes empanados ou enfarinhados.

4. Produtos lácteos
4.1 - Inofensivo - sem glúten: leite, manteiga, iogurte natural, natas e cremes de leite, queijos frescos como queijo de minas, requeijão,mascarpone, ricota e muçarela, queijo natural como queijo prato, edam, gouda, emmental, queijo parmesão.
4.2 - Arriscado (ler cuidadosamente a lista de ingredientes: cremes e pudins batidos à base de leite prontos para consumir. Queijo fundido, queijo roquefort. Preparados à base de queijo.
4.3 - Proibido - contém glúten: produtos lácteos com cereais (ex: iogurte com muesli). 

5. Carne, peixe e ovos
5.1 - Inofensivo - sem glúten: todos os tipos de carne, de peixe, frutos do mar e ovos.
5.2 - Arriscado (ler cuidadosamente a lista de ingredientes): refeições prontas e molhos prontos para consumir à base de carne ou peixe. Produtos de salsicharia.
5.3 - Proibido - contém glúten: peixe ou carne empanada, enfarinhada ou com molhos com glúten. 

6. Gorduras, especiarias, molhos e ingredientes de padaria
6.1 - Inofensivo - sem glúten: todos os óleos, azeites, manteiga, margarina, banha, vinagre, especiarias puras, sal e pimenta.
6.2 - Arriscado (ler cuidadosamente a lista de ingredientes): molhos prontos para consumir, molhos à base de soja, preparados à base de especiarias, cubos de caldo para cozinhar (caldo de carne, legumes, galinha, etc), ingredientes de padaria (ex: fermento em pó).
6.3 - Proibido - contém glúten: todos os molhos com ingredientes à base de glúten. 

7. Doces e adoçantes
7.1 - Inofensivo - sem glúten: todos os tipos de açúcares, mel, doces de fruta e marmelada. Todos os tipos de adoçantes.
7.2 - Arriscado (ler cuidadosamente a lista de ingredientes): chocolates, bombons, cacau, sorvetes e chicletes.
7.3 - Proibido - contém glúten: chocolate com cereais. 

8. Bebidas
8.1 - Inofensivo - sem glúten: refrigerantes tais como: cola, guaraná, limonadas, café, chá, sucos e néctares, todas as bebidas alcoólicas, exceto cerveja e uísque de malte.
8.2 - Arriscado (ler cuidadosamente a lista de ingredientes): bebidas e preparados prontos para consumir.
8.3 - Proibido - contém glúten: cerveja, substitutos de café à base de cevada ou malte, bebidas com fibras à base de glúten, bebidas à base de aveia.

No Brasil, a pessoa celíaca conta com a FENACELBRA - Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil - com sede em São Paulo e com representação em vários estados, nas cinco regiões do país. Saiba mais em www.doencaceliaca.com.br. A empresa Mentor, com sede em Curritiba, pode ser contatada via www.mentorfoods.com.br ou pelo e-mail info@mentorfoods.com.br. Já a empresa Schär pode ser contatada via www.schar.com/brasil.

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sábado, junho 08, 2013

 

A Doença Celíaca - 2


A doença celíaca é uma intolerância permanente ao glúten, uma proteína que está contida nos seguintes tipos de cereais: trigo, centeio, cevada, malte (subproduto da cevada), aveia e espelta, também conhecida como trigo ancestral ou trigo rústico.

Se forem ingeridos cereais ou alimentos que contenham glúten, ocorre uma inflamação do intestino, as vilosidades intestinais atrofiam e a mucosa do intestino delgado é danificada. Por isso, os nutrientes dos alimentos como proteínas, carboidratos, vitaminas, minerais e gordura não podem ser absorvidos adequadamente pelo organismo ou são apenas absorvidos parcialmente.

Diferentes sintomas podem sinalizar a doença celíaca. Os sintomas típicos (clássicos) são: diarreia, perda de peso e de força, abdômen inchado, dor abdominal, náuseas e distúrbios em nível de crescimento, especialmente em crianças.

Em adultos, os sintomas são agravados fora da área intestinal: debilidade, fadiga, anemia, osteoporose, deficiências vitamínicas e minerais e intolerância à lactose.

Existem ainda outros sintomas - chamados de atípicos - que podem indicar para a doença celíaca, tais quais osteoporose, dor nas juntas ou inflamação das juntas (artrite), intestino preso, dentre outros. Porém, somente um especialista pode confirmar a existência da doença.

A doença celíaca é mais comum do que se suspeita, atingindo até 1% da população. Para cada doente celíaco diagnosticado na Europa, existem entre 7 e 10 pessoas não diagnosticadas. A doença celíaca ocorre em qualquer idade.

A doença celíaca pode se detectada por determinação de anticorpos específicos no sangue. Para obter a confirmação do diagnóstico, é necessário realizar uma biópsia do intestino delgado.

Importante: não se deve iniciar a dieta sem glúten antes da confirmação do diagnóstico de doença celíaca, pois isso afeta o resultado dos exames.

A única terapia atualmente possível é uma alimentação rigorosa isenta de glúten para toda a vida. Os doentes ficam rapidamente assintomáticos se a alimentação sem glúten for cumprida de modo persistente.

Na natureza, muitos alimentos não contêm glúten, como carne, peixe, ovos, frutas, verduras e legumes, arroz, milho e batata.

Há também comercialmente uma vasta seleção de produtos preparados sem glúten, tais como farinhas, pães, massas e biscoitos.

No Brasil, de acordo com a legislação atual, todos os alimentos comercializados devem apresentar a informação "contém glútem" ou "não contém glúten" nas embalagens. Consulte os rótulos de todos os produtos que for consumir.

Como regra geral, leia sempre a embalagem e a lista de ingredientes: por vezes, o glúten está escondido em muitos alimentos como caldos para cozinhar, sopas e até chocolates (que às vezes contém cereais). A cerveja, obviamente, contém glúten e, portanto, deve ser evitada...

No Brasil, o celíaco conta com a FENACELBRA - Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil - com sede em São Paulo e representação em vários estados, nas cinco regiões do país. Saiba mais em www.doencaceliaca.com.br

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sábado, março 19, 2011

 

Glúten e Enxaqueca


Vimos anteriormente [postagem "A Doença Celíaca", de 19 de setembro de 2009] que as sementes, em geral, constitui o que na Bíblia é chamado de "fruto proibido". Os frutos proibidos são danosos ao nosso organismo, se consumidos rotineiramente, podendo até nos matar (garantia de Deus, na Bíblia). Abaixo vai um artigo [1] que exemplifica isso.

Eu tenho enxaqueca. Ou melhor, tinha. Há nove lindos meses eu não sei o que é a dor de uma crise nem o desconforto da aura cintilante que a prenuncia. E há nove meses eu resolvi cortar radicalmente o glúten da minha dieta. Coincidência?

A razão inicial para eliminar o glúten foi digestiva: sinto-me muito melhor e mais leve, e nunca mais tive a sensação de ficar empanzinada ou inchada após as refeições.

Essa parte é fácil de explicar. O glúten é uma proteína presente no trigo, na cevada e no centeio que, quando misturada com água (por exemplo, a da sua saliva), forma uma verdadeira cola que adere às paredes do estômago e do intestino e atrapalha a digestão e a absorção de alimentos. Lembra da cola que sua avó fazia com farinha de trigo e água (e que você usava para fazer pipas, pandorgas e papagaios)? É essa mesma cola, só que agora dentro de você.

Após alguns meses da nova dieta, eu, que costumava ter duas ou três enxaquecas por mês, notei que ainda não havia tido nenhuma. Com mais seis meses de experimento, resolvi comunicar o meu achado ao neurologista - que se mostrou cético, como eu esperava. Mas disse que muitas pessoas que sofrem de doença celíaca, com intolerância absoluta ao glúten, costumam ter uma dor "semelhante à enxaqueca" - embora duvidasse que eu tivesse a doença.

Fui consultar meus outros "médicos": o Dr. Google e o Dr. Pubmed, este último com acesso a todas as publicações em biomedicina no mundo, desde 1965.

O primeiro mostrou, para minha surpresa, que inúmeras pessoas mundo afora já conheciam o que eu descobri por acaso: que suas enxaquecas sumiam sem consumo de glúten na dieta. E o segundo me confirmou que existe, sim, uma "síndrome de sensibilidade ao glúten": conjunto de sintomas que incluem a enxaqueca, na ausência da degeneração intestinal que caracteriza a doença celíaca (a diferença talvez seja apenas de grau).

O problema parece estar relacionado a anticorpos que o nosso corpo fabrica contra o glúten, não se sabe ainda se por razão alérgica ou autoimune. Os anticorpos acabam causando inflamação no intestino e, ao que parece, também perturbam o cérebro.

Veja, isso não quer dizer que toda enxaqueca é relacionada ao glúten. Mas talvez algumas sejam, e eliminar o glúten da dieta é fácil o suficiente para valer a pena tentar. A única coisa que eu não estou disposta a fazer é o experimento final: reinserir o glúten novamente na minha dieta e esperar a enxaqueca voltar...

Referência:
[1] Suzana Herculano-Houzel, Jornal Folha de S. Paulo, Caderno Equilíbrio, pg. 5, 15 de março de 2011.

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sábado, setembro 19, 2009

 

A Doença Celíaca


Vamos comentar mais um pouco sobre os "frutos proibidos" da Bíblia, aqueles que, se comidos rotineiramente, certamente leva à morte (garantia de Deus em Gênesis 2:17). Como vimos anteriormente, esses frutos proibidos são os frutos-sementes, aqueles frutos em forma de sementes, que, se plantados na terra, geram uma nova planta. As sementes sempre possuem uma substância venenosa para as proteger dos predadores (entre os quais está o ser humano), para poderem ter tempo para germinar e gerar uma nova planta da sua espécie.

Um sub-grupo dos frutos proibidos são as sementes conhecidas como trigo, aveia, cevada, centeio e malte, que possuem uma proteína venenosa conhecida como glúten. O glúten é prejudicial para todos os seres humanos, mas existe um grupo de pessoas mais sensíveis a este veneno e que apresenta sintomas severos de rejeição ao glúten. Diz-se que essas pessoas possuem a doença celíaca.

A doença celíaca é comumente associada a diarreia crônica, dores abdominais e perda de peso, sintomas estes da forma clássica da doença [1]. No entanto, há outras duas formas de manifestação que também causam problemas sérios de saúde.

Existe uma forma silenciosa da doença. Esses celíacos, normalmente parentes de primeiro grau de doentes celíacos, não têm manifestações clínicas, mas podem desenvolver problemas relacionados a essa doença, como osteoporose e alguns tipos de câncer, como os linfomas.

A outra forma, chamada de atípica, também não causa alterações no sistema digestivo, mas pode levar a baixa estatura (lembra-se que a Bíblia diz que antigamente existiam gigantes - que não comiam frutos proibidos?), anemia, osteoporose e artrite. Muitas vezes, esses sintomas são tratados ao longo de toda a vida sem que o médico desconfie que a causa seja a doença celíaca.


(Dar duplo clique na imagem para ampliá-la)

Referência:
[1] "SUS realizará exame mais preciso para doença celíaca", Jornal Folha de S. Paulo, Seção Saúde, pg. C7, 19 de setembro de 2009.

Para saber mais:
1. http://pt.wikipedia.org/wiki/Doen%C3%A7a_cel%C3%ADaca
2. http://www.semgluten.com.br/html/celiaca.htm
3. http://www.riosemgluten.com/doenca_celiaca.htm

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terça-feira, agosto 18, 2009

 

O Glúten


O glúten é uma substância presente em várias sementes comestíveis, os "frutos proibidos" da Bíblia. Já comentamos sobre o glúten em postagem anterior, de 14 de junho de 2009 ("Glúten e Saúde"; clicar no Label "glúten" desta presente postagem para ir para a postagem anterior). Abaixo reproduzo a história de horror vivida por uma mulher [1] que não sabia que era extremamente sensível (intolerante) a esta substância prejudicial ao nosso organismo. Talvez este relato sirva de alerta para outras pessoas que possuem alta sensibilidade ao glúten, mas não estão cientes disso.

VIDA SEM GLÚTEN
Marilis M. Moraes passou 35 anos com problemas até saber que tem doença celíaca


Foram 35 anos convivendo com os mais diversos sintomas, principalmente gastrointestinais. O que a acompanhou por mais tempo foi a anemia: Marilis Maldonado Morais, 48 anos, teve o problema "a vida inteira". Vivia tomando injeções de ferro e se lembra de ter feito uma transfusão de sangue aos seis anos. Apesar dos tratamentos, a melhora era só temporária.

Aos dez anos, foi diagnosticada com colite crônica. Tomou corticoides, mas os sintomas continuaram. Tinha diarreias repetitivas, falta de apetite e perda de peso. Passou toda a infância e a adolescência assim e também não houve melhora no início da sua vida adulta. "Trabalhava na área de marketing de uma multinacional. Sempre que ficava mais nervosa, ia direto para o banheiro, com diarreia", conta.

Casou-se, tinha empregada, mas ninguém podia fazer comida em casa, pois o cheiro a enjoava. Marilis passou a se alimentar das refeições preparadas pela sua vizinha. "Além de não sentir o cheiro da preparação, era um tempero diferente", lembra.

Foi em 1996, quando ela tinha 35 anos, que a situação saiu do controle. As crises de diarreia ficaram extremamente constantes, ela se debilitou muito e passou a ser internada com frequência. Mas seu problema continuava uma incógnita. "Os médicos me revistaram, pediram um monte de exames e nada. Acharam que era um problema de fundo emocional", conta.

Nesta época, Marilis emagreceu tanto que chegou a pesar 32 quilos - e mede 1,61 m. A barriga, no entanto, ficava estufada. No fim do ano, teve que andar, por cerca de um mês, com uma sonda permanentemente acoplada ao seu pescoço para repor os nutrientes que perdia. Uma enfermeira foi contratada por sua empresa para ajudá-la com o procedimento. Também fazia tratamento psiquiátrico contra depressão profunda.

Como Marilis não se alimentava direito, os médicos que a acompanhavam passaram a suspeitar de anorexia nervosa. "Mas eu tinha vontade de comer, só não conseguia fazer isso", lembra ela.

Quando se internou para substituir a sonda, trocou de equipe médica. Foi quando uma gastroenterologista imaginou, pelos sintomas, que ela tivesse a doença celíaca. Pediu uma biópsia do intestino delgado, que confirmou a suspeita: seu organismo era intolerante ao glúten, uma proteína encontrada no trigo, na aveia, na cevada, no centeio e no malte.

A solução parecia radical: cortar qualquer resquício de glúten da dieta. Mas a nova alimentação começou já no hospital - e, com um mês, ela já tinha ganhado dois quilos de peso. Em seis meses, estava totalmente recuperada.

Não foi fácil se adaptar à nova dieta. Afinal, Marilis teria que dar adeus, para sempre, a pães, bolos, biscoitos, salgadinhos e cerveja, entre outros alimentos. "Nunca tinha ouvido falar dessa doença. Parece que o mundo acaba, que você não tem opção de nada. Fiquei deprimida, pensei que não poderia mais sair de casa", conta.

As opções de substituição quase não existiam. "Não tinha nada no mercado: só biscoito de polvilho e pão de queijo", diz. Marilis encontrou receitas estrangeiras de pão sem glúten, mas conta que era "um zero à esquerda na cozinha".

Procurou, então, um curso de panificação. "Era tudo com farinha de trigo. Saíam fornadas com aquele cheiro delicioso, os alunos provavam, e eu ficava só olhando". No fim das aulas, ela desenvolveu, com a professora, uma nova receita de pão sem glúten - parecido com o tradicional, mas menor e mais seco.

Marilis começou a vender o pão informalmente até que, após ser despedida da empresa em que trabalhava, montou um negócio próprio. Hoje, tem dez funcionários e vende diversos produtos: bolos, biscoitos, massa de pizza, salgadinhos, macarrão, alfajor. Para substituir o glúten, usa creme de arroz, fécula de batata e fécula de mandioca.

Quando vai a uma festa, janta antes. Se vai a um coquetel, leva seus salgadinhos e pede para o "maître" esquentá-los. Ruim mesmo é comer lanches na rua. "Aí só tem pão de queijo", diz.

Mesmo não contendo glúten, o alimento, se for feito perto de outros produtos com farinha de trigo, pode se contaminar. E qualquer quantidade de glúten é prejudicial. Marilis já passou mal após comer pão de queijo de padaria e até ao tomar um comprimido de antigripal.

"Mas já me adaptei, e não é tão ruim... As pessoas acham que eu não posso comer nada, mas há opções".

A DOENÇA CELÍACA

É uma intolerância permanente ao glúten, uma proteína. Geralmente se manifesta entre o primeiro e o terceiro ano de vida, mas pode surgir em qualquer idade.

O glúten agride e danifica as vilosidades do intestino delgado de quem tem a doença celíaca e prejudica a absorção dos alimentos ingeridos.

Quais os alimentos que contêm glúten? Todos os alimentos à base de trigo, aveia, centeio, cevada e malte, como empanados, bolos, bolachas, pães e cerveja.

Como tratamento, a única medida efetiva é retirar o glúten da dieta.

O diagnóstico é feito com exames sorológicos e biópsia do intestino delgado. A biópsia sempre deve ser feita antes de haver a restrição ao glúten.

Os sintomas podem ser gastrointestinais ou não. Diarreia crônica, barriga inchada, perda de peso, vômitos, anemia, atraso no crescimento (lembra-se da extinção dos gigantes da Bíblia?), irritabilidade e apatia são alguns deles.

Observação: Estima-se que uma em cada 214 pessoas tem doença celíaca na cidade de São Paulo, de acordo com um levantamento feito com 3.000 doadores de sangue; o índice é considerado elevado e é semelhante ao encontrado na Europa, diz a especialista em gastroenterologia pediátrica Vera Lúcia Sdepanian, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Fonte: Flávia Mantovani, Jornal Folha de S. Paulo, Seção Saúde, pg. C9, 16 de agosto de 2009.

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