quinta-feira, maio 09, 2024
As Leis da Vida - 6
Fonte: Luiz Gasparetto e Lúcio Morigi, Calunga revela As Leis da Vida, Gráfica Vida e Consciência, 2015. ISBN: 978-85-7722-443-2
6. Lei da conexão: TUDO ESTÁ LIGADO
Tudo está ligado a tudo. Tudo é energia em vários níveis. Tudo é energia que se liga com os átomos do ar, os átomos do ar se misturam e se ligam aos átomos de todos.
Do ponto de vista físico, todos estamos ligados através do ar, da terra, da atmosfera. Psicologicamente também é a mesma coisa. Você pode estar aqui e estar ligado à outra pessoa lá na Europa através do pensamento, e pensamento é energia. Quando alguém faz uma ligação telefônica, está literalmente ligado ao outro.
Não existe o vazio, o nada absoluto. Nem o vácuo é vazio, porque passa energia através dele (é a energia do vácuo, ZPE). A Terra está ligada a todo o universo, assim como todos os corpos celestes estão. Hoje os cientistas sabem que o escuro do universo não é um nada, mas matéria, e o chamam de matéria escura.
Esse conceito se choca com a ideia que temos de individualidade. Individual não quer dizer separado, mas agindo individualmente e ao mesmo tempo interagindo com todos. Somos todos Um, porém individuais. Somos todos Deus Se expressando individualmente.
Temos o consciente e o inconsciente. O que é consciente está mais próximo, mais acessível e a gente pode perceber. O que está no inconsciente está mais distante e menos acessível, mas não deixa de influenciar nossa vida, pelo fato de tudo estar ligado.
É no inconsciente que escondemos as mágoas, as culpas, os ódios, os remorsos. De vez em quando, aquilo sobe para o consciente, então percebemos que lá embaixo tem coisa escondida, porém ainda estamos circunscritos na faixa da consciência.
A consciência depende de quanto estamos na ilusão, na fantasia, na bobeira. Agora, se estivermos na lucidez, no real, mais temos consciência das ilusões e fantasias. Assim, vivemos nesse estado oscilante entre o ilusório e o real.
Estamos inseridos num ambiente mental, universal, em que nosso corpo mental funciona como o pulmão para a atmosfera. O pulmão é a gente, mas a atmosfera é de todos. O corpo mental é meu, seu, mas o material mental é coletivo.
Está tudo ligado e você não vai conseguir se desligar, mas é possível colocar ordem e disciplina e se destacar da mente coletiva. Destacar, neste contexto, não é se desligar.
Assim, você está ligado ao amigo, à famíllia, ao inimigo, àquele que você odeia, àquele que foi embora. Não há intenção, não há contato, não há consciência, mas está ligado. Por ódio ou por amor, por simpatia ou antipatia, o intercâmbio psicoenergético se verifica, seja com encarnado ou desencarnado.
Porém, depende de você para haver o contato. É como uma linha telefônica. Ela está ali disponível, mas o contato depende de você. Encerra-se a ligação cessando o contato, mas a linha continua ali.
O problema é com a individualidade. Você olha ao seu redor, percebe as coisas, verifica como tudo é diferente de tudo, embora esteja tudo ligado. Essas diferenças percebidas é que caracterizam a individualidade. O fato de você estar conectado como todo o universo não tem nada a ver com ser individual.
A individualidade não é separação, mas diferença. Todos estão ligados a todos, mas cada um é único. Cada um tem seu jeito de ver as coisas, de sentir, de se expressar. Veja na área sexual. Todos os homens são do sexo masculino e todas as mulheres são do sexo feminino, mas cada um tem a sua própria sexualidade.
O negócio é disciplinar a mente individual que, quando ligada ao espírito, é dotada de um poder infinito, para que não seja levada pela mente coletiva, ou seja, você detém o controle, você está no domínio.
Como tudo está ligado a tudo, esse controle é fundamental. Só assim você vai conseguir se destacar e construir uma realidade próspera, independentemente da realidade coletiva que está aí, que não deixa de ser dura e difícil, pois é alimentada pelas crenças individuais que, cá entre nós, não primam pela qualidade.
A mente éum aparelho maravilhoso que não precisa de espaço nem de tempo. Então,vem a angústia ao conectarmos com o passado e a ansiedade ao conectarmos com o futuro; e controlar a ansiedade é uma tarefa nada fácil. Daí a necessidade de disciplinarmos a mente, para fazê-la trabalhar a nosso favor. Se a mente não tiver disciplina, ela vai trabalhar contra nós.
Veja como é lindo nosso corpo, nosso ser cheio de dons. Podemos entrar em contato com tudo, passar por tudo, e ainda assim sermos nós, não nos dissolvemos na coletividade. Transformamo-nos, mas nunca deixamos de existir.
Essa é a lei da conexão. Tudo é função. Quanto mais você liga para alguma coisa, mais ela se repete na sua realidade. Quanto mais você despreza, quanto mais você não liga, quanto mais você solta, mais ela deixa de existir.
Podemos inferir disso que, quanto mais você perder o contato com o coletivo, embora continue ligado a ele, mais você vai adiante, mais se destaca e mais prospera, pois está valorizando sua individualidade,e não há nada que mais agrade o espírito que investir na individualidade. Ele entende isso e faz sua vida prosperar.
Por isso só tem sucesso quem é diferente. É devido a esse fato que quem está no coletivo, no senso comum o tempo todo, é mais um deles, isto é, mais um comum. O espírito não gosta do comum, já que ele tem todas as possibilidades, já que ele é o divino em cada um e pode fazer sempre o diferente. Pode fazer semelhante, mas igaula, nunca.
A individualidade é uma característica, uma qualidade, mas não ha limites, não há separação.
Há certos conceitos espirituais concernentes ao divino, e um deles é a presença. Nosso espírito é a ligação com o divino. A qualidade da presença é divina. Então, você está aqui e em toda parte, já que você é presença divina e Deus está em tudo.
Você tem que compreender que tudo que é visto pelo ângulo da matéria densa é uma coisa, pelo ângulo da energia é outra, pelo mental é outra, e pelo espiritual é outra, mas tudo vibrando junto. Se num momento algo está separado de algo, por outro ângulo estão superunidos. Haja quantos níveis houver, o espiritual conecta todos, uma vez que o espírito é Deus e, obviamente, Ele está ligado a tudo.
Esse modo, se estamos unidos pelo espírito, por que o seu é o seu e o meu é o meu? Individualidade não é um espaço com uma cerquinha em volta. Não é um ovo com casca. É qualidade, atributo, princípio. Então, não existe verdadeira separação de nada. Individualidade, além de conceito, é qualidade. Ela não é física.
A individualidade existe, se expressa fisicamente com pontos de delimitação, mas é uma forma de expressão e não a natureza íntima da individualidade. Num nível mais amplo da mente, eu sou você e você sou eu. Se eu estiver do seu lado e eu mudar, você vai ter que mudar também.. Se você mudar, eu vou ter que mudar, principalmente porque nós estamos próximos.
Nessa linha de raciocínio, quando você melhora, você melhora o mundo inteiro, e quando você piora, também piora a humanidade toda.
Não tem jeito. Não há isolamento. É apenas uma experiência de uma ilusão voltada ao limite da percepção. Você não vê ninguém próximo e diz: "eu estou só". É que você apenas não está enxergando, porque os espíritos estão lá, alguém está olhando você por trás daquela janela e você não está vendo.
As pessoas acreditam que individualidade é cerca, separação. Mas se você não pensar assim vai entender o que é a indiviidualidade. Ela não pode ser separada, porque nada está separado de nada. O Brasil está separado da África pelo oceano. Lá é uma coisa e aqui é outra, mas... estão ligados pelo solo do fundo do mar, pela atmosfera, pelo ar.
A individualidade é um atributo da diferença. A individualidade é diferença, que é um fenômeno da percepção. Não é física, mas espiritual.
Na verdade, nada é o que existe. Não é bem um nada, mas um fluido cósmico, o fluido da vida. O universo é feito desse fluido chamado fluido vital, porque dele se faz a vida, a matéria. Esse fluido de vida é estranho, pois a natureza dele pode ser qualquer coisa sem ser nada, e só aquilo que for nada poderá ser tudo.
Há o princípio vital e o princípio espiritual, e um na presença do outro faz o real. Um sem o outro não é nada. Um é luz, o outro é sombra.
Ora, se mundos existem independentemente da sua possibilidade de mudá-los, se eles parecem estar lá fora, é porque outras consciências os estão fazendo. "Ah, mas por que eu vejo também?" É porque as consciências estão todas conectadas. Se eu crio pegando um lápis e fazendo um desenho, você vai ver porque nós estamos na mesma consciência coletiva.
As consciências sempre trabalham em contextos consensuais. Numa sala tem mesa, tem cadeira, tem computador, eu os percebo e você também os percebe. A mesa é branca, a cadeira é vermelha. Eu sou um, você é outro na qualidade individual, porém nós estamos num mesmo consenso.
Nossa consciência está na mesma frequência, porque ela está unida. Ela sempre está conectada com aquilo que está próximo, daí nós dois vemos as mesmas coisas. Se eu vejo um detalhe num quadro e pergundo se você tinha visto, você diz que não, mas agora você passa a vê-lo porque eu lhe trouxe para o meu nível de consciência e fizemos um consenso.
As consciências se ajudam e se interdependem. Então, na consciência nós estamos todos ligados, senão não perceberíamos o mesmo mundo. O fato de você ter a sensação de ser um é uma qualidade do espírito.
Tudo é único e ao mesmo tempo tudo está ligado. Se não houvesse essa ligação constante de toda a consciência, não teríamos a noção de individualidade, porque eu só posso ser eu se você estiver aqui.
[continua]
Marcadores: conexão, conexão cósmica, energia, energia do vácuo, individualidade, leis, matéria escura, vida, ZPE
segunda-feira, setembro 18, 2023
Os Ditadores
Todos os ditadores do mundo são criados por nós, porque queremos alguém para nos dizer o que fazer. Há um motivo muito sutil para isso: quando alguém diz ao outro o que fazer, ele não tem nenhuma responsabilidade sobre se isso está certo ou errado. Essa pessoa é isenta de responsabilidade, não tem que pensar a respeito, não tem que se preocupar com isso. Toda a responsabilidade vai para aquele que ordena ao outro o que fazer.
Indivíduos como Adolf Hitler, Joseph Stalin ou Ronald Reagan não estão em suas posições de poder devido às suas qualidades. Estão porque milhões de pessoas querem que lhes digam o que fazer, pois, sem ninguém que lhes ordene o que fazer, elas ficam perdidas.
É o povo que cria os ditadores.
A razão é que ninguém quer ter nenhuma responsabilidade. Porém, no momento em que a pessoa perde sua responsabilidade, por achar que é um fardo e que alguém deve assumi-la, ela perde também sua individualidade, perde também sua liberdade.
A responsabilidade do homem não está separada da sua liberdade, de sua individualidade. Depois de abandonar sua responsabilidade nos ombros de outra pessoa, o homem se reduz à insignificância. Claro, agora ninguém vai culpá-lo se algo der errado, mas ele perdeu sua alma.
As pessoas condenam os ditadores, mas ninguém pensa em termos psicológicos, em como os ditadores são criados, em quem os cria. Todos os povos os criam, e os criam na esperança de que eles assumam a responsabilidade. No entanto, não estão ciente de que, com a responsabilidade, também vai a liberdade, a individualidade, a democracia, a liberdade de pensamento ou de expressão, tudo.
O homem perde sua alma no momento em que coloca sua responsabilidade nas mãos de outra pessoa. E há pessoas que gostam de dominar, de dar ordens, e estas são pessoas insanas.
Portanto, é uma situação estranha. O homem quer ser desobrigado de responsabilidade e, é claro, há algumas pessoas que estão preparadas para assumir todas as responsabilidades, porque estão assumindo toda a liberdade do homem. Estão assumindo todos os direitos dele e sua própria individualidade, e são pessoas cujo único desejo é o poder. Elas têm um tipo diferente de insanidade, mas parece ser muito fácil de ajustar. Parece haver um determinado sincronismo entre as pessoas que querem se ver livres da responsabilidade, sem saber que estão se livrando de sua própria alma, e as outras pessoas insanas, que amam somente uma coisa: o poder.
Não eleja um "bode expiatório" como responsável pelos seus problemas...
Fonte: Osho, O livro do ego: Liberte-s da ilusão, Editora BestSeller, Rio de Janeiro, 2022. ISBN: 978-85-7684-710-6.
Marcadores: Alma, ditador, Hitler, individualidade, liberdade, poder, responsabilidade
sábado, agosto 19, 2023
A palavra Ideal
A palavra ideal é uma palavra suja para mim. Eu não tenho ideais. Os ideais deixam as pessoas loucas. Foram ideais que transformaram o mundo inteiro em um grande hospício.
O ideal quer dizer que o homem não é aquilo que deveria ser.
O ideal cria tensão, ansiedade, angústia, divide o homem e torna-o esquizofrênico. Além disso, o ideal está no futuro, enquanto o homem está aqui no presente. E como o homem pode viver se ele não for o ideal? Primeiro ser o ideal, e, depois, começar a viver; mas isso nunca acontece. Isso não pode acontecer, pela própria natureza das coisas.
Os ideais são impossíveis, e é por isso que são ideais. Eles levam o homem à loucura e o deixam insano. Depois vem a condenação, pois ele nunca alcança o ideal. Cria-se a culpa. Na verdade, isso é o que os padres e os políticos fazem: eles querem criar a culpa nas pessoas. Para criar a culpa eles usam ideais, esse é o mecanismo.
Digamos que eu afrime que ter dois olhos não é suficiente, é preciso ter três olhos. É preciso abrir o terceiro olho! Leia Lobsang Rampa: abra seu terceiro olho! E agora faça um esforço, dessa e daquela forma, fique de cabeça para baixo e repita um mantra. Mas o terceiro olho não abre, e, agora, a pessoa começa a se sentir culpada, está faltando alguma coisa... ela não é a pessoa certa. Torna-se depressiva. Esfrega com força o terceiro olho, e ele não abre.
Cuidado com todo esse absurdo. Os dois olhos que cada indivíduo tem são lindos. E se algumas pessoas têm apenas um único olho, perfeito. Basta qeu elas se aceitem como são. Deus as fez perfeitas, ele não deixou nada incompleto em ninguém. E se sentem que algo está incompleto, então é porque faz parte da perfeição. Elas são perfeitamente imperfeitas. Deus sabe melhor do que ninguém: somente na imperfeição existe crescimento, somente na imperfeição existe fluxo, somente na imperfeição algo é possível. Se as pessoas fossem simplesmente perfeitas, estariam mortas como uma rocha. Daí não haveria nada acontecendo, daí nada poderia acontecer. Se é que vocês me entendem, eu gostaria de lhes dizer: Deus também é perfeitamente imperfeito, pois, do contrário, já estaria morto há muito tempo. Não teria esperado Friedrich Nietzsche declarar que "Deus está morto".
O que esse Deus estaria fazendo se ele fosse perfeito? Não poderia fazer nada, não poderia ter nenhuma liberdade para fazer algo. Não poderia crescer, não haveria nenhum lugar para onde ir. Ele ficaria simplesmente preso lá. Não poderia nem mesmo cometer suicídio, pois, quando se é perfeito, não se faz coisas como essa.
É preciso que cada um se aceite como é.
E não estou interessado em nenhuma sociedade ideal, de jeito nenhum. Não estou interessado em indivíduos ideais.
Não tenho interesse em qualquer forma de idealismo.
E, para mim, a sociedade não existe, existem apenas indivíduos. A sociedade é só uma estrutura funcional, utilitária. Não se tem domínio sobre a sociedade. Alguém já conseguiu ter domínio sobre a sociedade? Alguém já conseguiu ter domínio sobre a humanidade? Alguém já conseguiu ter domínio sobre o cristianismo, o hinduísmo, o islamismo? Não, é sempre possível dominar o indivíduo, o indivíduo sólido, concreto.
Mas as pessoas pensaram em como melhorar a sociedade, em como fazer uma sociedade ideal. No entanto, essas pessoas provaram ser um desastre. Elas provocaram um grande prejuízo, uma vez que, em função de sua sociedade ideal, destruíram o autorrespeito e criaram a culpa em todo mundo.
Todo mundo é culpado, ninguém parece ser feliz da meneira que é. É possível criar culpa por qualquer coisa e, uma vez criada a culpa, a pessoa se torna poderosa. Aquele que cria a culpa no outro torna-se poderoso em relação a ele, portanto, é bom lembrar dessa estratégia, porque, depois, apenas o primeiro poderá redimir o segundo da culpa. Depois, o segundo terá que ir até o primeiro. O padre antes cria a culpa para que depois os fiéis tenham que ir à igreja. Daí, então, os fiéis têm de ir e confessar "Eu cometi esse pecado", e o padre os perdoa em nome de Deus. Primeiro o padre cria a culpa em nome de Deus e, depois, ele perdoa as pessoas em nome de Deus!
Os padres criam a culpa, e, depois, perdoam as pessoas em nome de Deus. Transformam as pessoas em pecadoras, e depois dizem: "Agora venham para Cristo, ele é o salvador".
Não há ninguém lá para salvar as pessoas, porque, em primeiro lugar, elas não cometeram nenhum pecado. Elas não precisam ser salvas.
Não tenho interesse por nenhuma sociedade ideal. Por favor, abandonem esse sonho, pois isso tem criado grandes pesadelos no mundo. Lembrem-se: nada pode acontecer agora em termos políticos. A política está morta. Não importa em quem votem, se de direita ou de esquerda, façam isso sem ilusões. É necessário renunciar à ideia de que algum sistema pode ser o salvador, seja o comunismo, o fascismo ou o gandhismo. Nenhuma sociedade pode salvar as pessoas, e nenhuma socieade pode ser uma sociedade ideal. E não há nenhum salvador, seja Cristo, Krishna ou Rama. É preciso simplesmente abandonar esse absurdo que as pessoas carregam sobre a culpa e o fato de serem pecadoras.
Coloque toda a sua energia na dança para celebrar a vida. E daí, então, o homem é ideal, aqui e agora, mas não que seja necessário tornar-se ideal.
Estamos vivendo na era da liberdade total. Atingimos a maioridade.
A humanidade não é mais infantil, está mais madura. Estamos vivendo em um período muito socrático, porque as pessoas estão fazendo todas as perguntas importantes sobre a vida. Não comecem a desejar e ansiar por algum futuro ideal, ideia, perfeição.
Abandone todos os ideais e viva o aqui e agora.
Fonte: Osho, O livro do ego: Liberte-se da ilusão, Editora BestSeller, Rio de Janeiro, 2022. ISBN: 978-85-7684-710-6.
Marcadores: ego, ideal, individualidade, Osho, pecados, sociedade
sexta-feira, janeiro 27, 2023
A Liberdade
Fonte: Osho, Liberdade, A Coragem de Ser Você Mesmo, Editora Pensamento-Cultrix.
O coletivo, a sociedade - tudo isso não passa de palavras. O que realmente existe é o indivíduo.
O coletivo é uma idéia muito perigosa. Em nome do coletivo, o indivíduo, o real, sempre tem de ser sacrificado (exemplo: a pandemia de Covid). Eu sou absolutamente contra isso.
As nações têm sacrificado os indivíduos em nome da nação - e "nação" é só uma palavra. As linhas que desenhamos nos mapas (identificando as nações) não existem em lugar nenhum sobre a terra. Não passam de um jogo. Mas para defender essas linhas desenhadas no mapa, milhões de pessoas morrem - pessoas de verdade morrem por causa de linhas imaginárias.
Essa idéia de coletivo tem de ser exterminada; do contrário, de um jeito ou de outro continuaremos a sacrificar o indivíduo. Pegue qualquer palavra que represente uma coletividade (Cristianismo, Budismo, comunismo, fascismo, etc) e o indivíduo pode ser sacrificado.
O coletivo é composto de indivíduos, não o contrário. Dizem que o indivíduo é só uma parte do coletivo; isso não é verdade. O indivíduo não é só uma parte do coletivo; o coletivo é só uma palavra simbólica para uma reunião de indivíduos. Eles não são parte de nada; continuam indivíduos independentes. Continuam organicamente independentes, não se tornam parte de um coletivo.
Se quisermos realmente um mundo de liberdade, então temos de entender que ocorreram tantos massacres, em nome da coletividade, que agora é hora de parar. Todos os nomes coletivos têm de perder a grandeza que tinham no passado. Os indivíduos têm de ser o valor mais elevado.
A liberdade com relação às coisas depende do exterior. A liberdade para se fazer algo também depende do exterior. A liberdade para ser absolutamente puro não tem de depender de nada exterior a você.
Você nasceu livre. Só que você foi condicionado para esquecer isso. Camadas e mais camadas de condicionamentos fizeram de você um fantoche. Os fios estão nas mãos de alguém. Se você é cristão, você é um fantoche. Os seus fios estão nas mãos de um Deus que não existe, então, só para dar a você a sensação de que Deus existe, há profetas, messias, que representam Deus.
Você não nasceu cristão nem muçulmano; você nasceu apenas como uma consciência pura e inocente. Ficar novamente nessa pureza, nessa inocência, nessa consciência é o que eu chamo de liberdade.
Não associe liberdade a independência. A independência vem naturalmente de alguma coisa, de alguém. Não associe liberdade a fazer coisas que você quer fazer, pois essa é a sua mente agindo, não você. Quando você quer fazer algo, deseja fazer algo, você está no cativeiro do querer e do desejar. Com a liberdade a qual estou me referindo, você simplesmente é - em silêncio absoluto, serenidade, beleza, bem-aventurança.
Marcadores: coletivo, guerra, independência, individualidade, liberdade, nações, Osho
sexta-feira, julho 27, 2018
A Patologia da Ambição
Todo mundo está sofrendo e se sentindo inferior. É uma situação realmente estranha. Ninguém é inferior e ninguém é superior, porque cada indivíduo é único; nenhuma comparação é possível. Você é você, e você é simplesmente você, não pode ser outro. Nem há necessidade disso. Você não precisa ser famoso, não precisa ser um sucesso aos olhos do mundo. Essas são ideias tolas. Você só precisa ser criativo, amável, consciente, meditativo. A pessoa ambiciosa é uma pessoa patológica.
Apenas ser é intrinsecamente valioso. O fato de você ser já é uma dádiva da existência, que mais se pode querer? Simplesmente respirar nesta linda existência é prova suficiente de que a existência o ama, de que precisa de você; do contrário, você não estaria aqui. Você é! A existência lhe deu a luz. Devia haver uma falta enorme, e você a supriu. Sem você, a existência seria menor. E quando digo isso, não me refiro só a você, eu me refiro às árvores, aos pássaros, aos animais, aos pedregulhos na costa. Um único pedregulho a menos na imensa orla marítima e ela não seria a mesma. Uma única flor a menos e o universo sentiria falta dela.
Você precisa aprender que é valioso como você é. E não estou lhe ensinando a ser egoísta, pelo contrário. Se você se sentir valioso como é, sentirá que os outros também o são.
Aceite as pessoas como elas são; abandone os "deveria ser" - eles são inimigos. As pessoas carregam muitos "deveria ser": "Faça isso e não aquilo!" Você carrega consigo tantos "faça isso" e "não aquilo" que não consegue dançar; o fardo é pesado demais. Deram-lhe tantos ideais e metas, ideais de perfeição, que você sente que está deixando a desejar. E os ideais são totalmente impossíveis de atingir. Você não consegue realizá-los; não há a menor possibilidade. Por isso, sente-se sempre inadequado.
Ser perfeccionista é preparar-se para o divã do psiquiatra; ser perfeccionista é ser um neurótico. E sempre nos disseram que devemos ser perfeitos.
A vida é bela em todas as suas imperfeições. Nada é perfeito: nem Deus é perfeito - porque, se Deus é perfeito, então Friedrich Nietzsche está certo ao afirmar que Deus está morto. Perfeição é morte! Perfeição é a não possibilidade de crescimento. Perfeição é o fim de tudo. Imperfeição é a possibilidade de crescer. Imperfeição é a excitação de novos campos, o êxtase, a aventura. Imperfeição é estar vivo, é a continuidade da vida.
A vida é eterna, por isso, afirmo que ela é eternamente imperfeita. Não há nada de errado em ser imperfeito. Aceite sua imperfeição e o sentimento negativo acerca de si próprio desaparecerá. Aceite seu estado atual e não o compare com alguma perfeição futura, um futuro ideal. Não pense em termos de como você deveria ser. Essa é a raiz de toda a patologia, fuja disso. Você é como é hoje; e amanhã pode ser diferente. Mas não pode prever isso hoje; e também não há necessidade de planejar isso.
Viva este dia em toda a sua beleza, em toda a sua alegria, e toda a sua dor, agonia, êxtase. Viva o dia em sua totalidade, em sua escuridão, em sua luz. Viva o ódio e viva o amor. Viva a raiva e viva a compaixão. Viva tudo o que existir neste momento.
Minha abordagem não é a de perfeição, mas da totalidade. Viva totalmente o momento que lhe está disponível; e o momento seguinte nascerá dele. Esqueça tudo sobre o futuro, o presente basta.
Jesus diz: "Não pense no amanhã e observe os lírios do campo! Como são belos. Nem Salomão, com todo o seu esplendor, se comparava em beleza." E qual é o segredo dos lindos lírios? O segredo é simples: eles não pensam no amanhã, nada sabem do futuro. O amanhã não existe. Este dia é suficiente para eles; este momento basta, em si. E o seu sentimento de negatividade quanto a si próprio desaparecerá.
Lembre-se: sentir-se negativo em relação a si próprio fará com que você sinta o mesmo a respeito das outras pessoas. Esse é um corolário necessário, que deve ser compreendido. A pessoa negativa a respeito de si mesma não pode ser positiva com mais ninguém, porque os defeitos que vê em si própria também serão vistos nos outros, aliás, parecerão defeitos ainda maiores nos outros. É uma vingança. Seus pais o fizeram se sentir negativo e agora você se vinga em seus filhos; fará com que se sintam ainda mais negativos.
Assim, a negatividade cresce a cada geração. Cada geração se torna cada vez mais patológica. Se as pessoas modernas sofrem tanto, psicologicamente falando, isso nada tem a ver com elas próprias; simplesmente mostra que todo o passado delas foi errado. É o acúmulo de todo o passado. Se não conseguirmos abandonar esse passado patológico e recomeçar do zero, vivendo no presente, sem ideia de perfeição, sem ideais, sem "deveria ser", sem mandamentos, a humanidade estará condenada.
Todo mundo se sente negativo. Alguns reconhecem isso, outros, não. E quando uma pessoa se sente negativa a respeito de si própria, também se sente assim a respeito de tudo mais. Sua atitude se torna negativa, a atitude do "não". E se uma pessoa negativa é levada até uma roseira, ela contará os espinhos, em vez de olhar as rosas.
Se você se sente negativo, tudo na vida se torna uma noite escura. Não existem mais madrugadas, as manhãs nunca chegam. O sol apenas se põe, e nunca nasce. Suas noites escuras nem ao menos têm estrelas.
A pessoa negativa vive nas trevas, vive uma espécie de morte. Morre lentamente. Autoboicota-se de várias maneiras; é autodestrutiva. E, claro, quem entrar em contato com essa pessoa é, também, destruído por ela. Uma mãe negativa destruirá seu filho. O marido negativo destruirá sua mulher; a mulher negativa destruirá o marido. Pais negativos destroem os filhos; o professor negativo destrói seus alunos.
É preciso uma nova humanidade que afirme a vida, que ame a vida, que ame o amor, que ame esta existência como ela é, que não exija perfeição, que celebre a vida com todas as suas limitações. Se amar sua vida, a vida começará a lhe abrir as portas. Se você amar, os mistérios serão revelados, os segredos serão expostos. Se você amar seu corpo, mais cedo ou mais tarde se tornará consciente da alma que nele vive. Se amar as árvores, as montanhas e os rios, cedo ou tarde verá as mãos invisíveis da existência por trás de tudo. Você só precisa de olhos para ver, e só os olhos positivos conseguem ver; olhos negativos nada veem.
Aceite-se; caso contrário, vai se tornar um hipócrita. E o que é um hipócrita? Um indivíduo que afirma crer em determinada coisa e vive o contrário. Não reprima nada, nada é negativo em você. A existência é inteiramente positiva. Expresse sua essência mais oculta. Cante sua música e não se preocupe com qual música é. Não espere aplausos, não há necessidade. O cantar, em si, deve ser a própria recompensa.
Se você quiser realmente viver, precisará de um profundo sim no coração. Só o sim lhe permite viver. Ele o alimenta, lhe dá espaço para se mexer. Observe. Ao simplesmente repetir a palavra sim, algo começa a se abrir em você. Diga não, repita não, e começará a se matar. Diga sim e estará pronto para amar, viver e ser.
Para mim, cada indivíduo é incrível, único. Não comparo as pessoas; a comparação não é o meu caminho, porque ela é sempre feia e violenta. Não direi que você é superior aos outros, nem que é inferior a este ou aquele. É apenas você mesmo; e é necessário, do jeito que você é. E você é incomparável, como todas as pessoas.
Referência:
Marcadores: aceitação, ambição, comparação, competição, existência, imperfeição, individualidade, negatividade, Osho, perfeição, sucesso, valores, vida
