terça-feira, setembro 04, 2018

 

As Águas Invisíveis

 

Legislação sobre águas invisíveis

Marcos de Oliveira  |  Agência FAPESP – A Coletânea de Legislação das Águas Subterrâneas do Brasil está disponível para download gratuito. São cinco volumes que tratam das leis estaduais regulatórias do uso e dos cuidados necessários para gestão das águas subterrâneas com o objetivo de evitar a contaminação desses mananciais. 

As águas subterrâneas ou águas invisíveis são reservas estocadas pela natureza a muitos metros ou até quilômetros abaixo da superfície. São volumes imensos de água, importantes para o abastecimento das cidades e da agricultura, principalmente no futuro, em momentos de escassez desse recurso. Das águas do mundo, apenas 2,7% são doces e desse percentual, 22,4% estão no subsolo. 

Mesmo protegidos, esses mananciais sofrem os impactos do que se faz na superfície. As águas poluídas e contaminadas que permeiam o solo podem alcançar os aquíferos e comprometer essas reservas. “A chave para proteção das águas subterrâneas é a correta gestão do uso e ordenação do solo a partir de um olhar para seu potencial hidrogeológico”, disse Luciana Cordeiro de Souza Fernandes, professora da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas (FCA-Unicamp). 

Ela organizou a coletânea em parceria com o geólogo Everton de Oliveira, professor colaborador de pós-graduação do Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Rio Claro (SP), e sócio da empresa Hidroplan-Hidrogeologia e Planejamento Ambiental, em Cotia (SP).  Oliveira é também diretor do Instituto Água Sustentável, organização não governamental que editou a obra digital e a disponibilizou na internet. 

“Essa coletânea que abrange a legislação de todos os estados brasileiros é destinada principalmente aos gestores públicos e órgãos ambientais para direcionar as ações de planejamento de uso do solo com o objetivo de proteger as águas subterrâneas”, disse Fernandes à Agência FAPESP

A motivação para fazer a coletânea veio da própria Constituição Federal de 1988, que trata de regras gerais sobre águas e delegou aos estados a função de legislar sobre águas subterrâneas. 

“Mas até agora apenas o Distrito Federal e 11 estados [São Paulo – que foi pioneiro em 1988, tendo sua lei como referência para os demais estados –, Minas Gerais, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Alagoas, Pernambuco, Maranhão e Pará] promulgaram legislação sobre o assunto. Os demais ainda não elaboraram leis específicas, mas apenas decretos, portarias ou mesmo leis voltadas para as águas superficiais que incluem as subterrâneas”, disse. 

O manancial do subsolo mais famoso e importante é o Aquífero Guarani, que abrange oito estados brasileiros, além de áreas na Argentina, Paraguai e Uruguai. Ele é alvo de preocupações de cientistas e ambientalistas em relação a sua contaminação. 

“Mas devemos chamar a atenção também para o Aquífero Alter do Chão, sob o solo dos estados do Amazonas, Amapá e Pará. Ele é considerado atualmente o maior aquífero do planeta em volume de água, mas ainda é pouco conhecido da ciência e carente de proteção legal”, disse Fernandes. 

A coletânea da Legislação das Águas Subterrâneas é resultado também da colaboração de um projeto de Auxílio Pesquisa – Regular que Fernandes coordenou de 2013 a 2016. “Percebi que precisava compartilhar esse conhecimento que comecei a levantar no projeto”, disse. 

Agora, na segunda fase de sua pesquisa, ela está levantando os municípios que têm leis específicas sobre águas subterrâneas. “Por enquanto, são apenas: Araraquara, em São Paulo, Santa Rosa, no Paraná, e Caxias do Sul e Santa Maria, no Rio Grande do Sul”, disse. 

Fernandes também é autora do livro Águas Subterrâneas e a Legislação Brasileira, pela Editora Juruá, que trata do zoneamento especial ambiental (ZEA) do Aquífero Guarani, além de uma coleção de livros infantis de educação ambiental sobre o tema água, com destaque para Clara e as águas invisíveis, com apoio da empresa Jundsondas. 

A Coletânea de Legislação das Águas Subterrâneas do Brasil pode ser baixada em: http://download.aguasustentavel.org.br/coletanea.

Fonte:  http://agencia.fapesp.br/legislacao-sobre-aguas-invisiveis/28619/

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quinta-feira, outubro 07, 2010

 

Carro Movido a Ar


Existem várias tecnologias já desenvolvidas para movimentar veículos que emitem poluição zero, conforme já mencionamos anteriormente neste blog. Esses veículos não estão com produção em massa devido à pressão exercida pela indústria petrolífera. Abaixo, apresentamos um artigo [1] sobre veículos que se movem usando ar comprimido.

Os passageiros que desembarcam nos aeroportos Charles de Gaulle, em Paris, e Schiphol, em Amsterdã, desde o mês passado (maio de 2009) se deparam com mais uma novidade desenvolvida para melhorar o ar do planeta: os carros compactos AirPod. Movidos a ar comprimido, esses veículos estão a serviço das companhias aéreas Air France e KLM, fazendo o transporte de passageiros e cargas em dois dos mais movimentados aeroportos europeus. Com design fururista, emissão zero de poluentes e controlável por um joystick, o AirPod gasta apenas um euro (cerca de R$ 2,80, na ocasião) para rodar 100 quilômetros. Essa versão acomoda três adultos e uma criança, além de bagagem, enquanto o modelo para transporte de cargas em rotas urbanas tem capacidade para mais de um metro cúbico ou 1 mil litros. A velocidade máxima do carro, que tem 2,07 metros de comprimento por 1,60 m de largura, é de 70 km/h e sua autonomia e de 220 quilômetros. O AirPod foi desenvolvido pela Motor Development International (MDI), uma empresa de Luxemburgo, criada em 1991 e que apresentou os primeiros protótipos em 1998. O carro usa eletricidade para fazer o motor mover os pistões do motor. O reabastecimento da eletricidade pode ser feito em tomadas elétricas caseiras entre uma hora e meia e quatro horas e meia, e os tanques de ar comprimido podem levar apenas 90 segundos para serem completados. Isso pode ser feito em postos com bombas específicas de ar comprimido ou com um compressor de ar caseiro.

Referência:
[1] Revista Pesquisa FAPESP, pg. 63, número 160, junho de 2009.

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segunda-feira, junho 15, 2009

 

Ônibus movido a Hidrogênio

Tecnologia
| Energia
Coletivo a hidrogênio
Ônibus montado no Brasil faz parte de experimentos mundiais para redução da poluição do ar
Pesquisa FAPESP -
© Eduardo Cesar
Ônibus vai trafegar 250 km por dia e emitir apenas água em forma de vapor

Um ônibus movido a hidrogênio passará a rodar provavelmente ainda neste mês de junho numa linha convencional urbana entre os bairros do Jabaquara, na zona Sul de São Paulo, e São Mateus, na zona Leste, passando pelos municípios de São Bernardo do Campo, Diadema, Santo André e Mauá, dentro da Região Metropolitana de São Paulo. O feito é inédito no Brasil e traz muitas novidades. Veículos movidos por essa tecnologia são silenciosos e não emitem poluentes. Eles lançam no ambiente apenas vapor-d’água e trazem benefícios à saúde porque não contribuem para o surgimento de doenças respiratórias, além de umidificar o ar das grandes cidades.

Ao lado dos biocombustíveis e dos veículos elétricos, o hidrogênio é visto por especialistas como uma real alternativa para os derivados de petróleo que emitem poluentes e tendem a escassear no futuro porque as reservas de óleo e gás natural são finitas, tanto pelo esgotamento de anos de exploração como pelo aumento do consumo mundial. Assim, a experiência brasileira se enquadra dentro de uma série de experimentos que são realizados pelo mundo com carros e ônibus a hidrogênio no lugar da gasolina e do diesel com o objetivo de diminuir os gases nocivos às pessoas e ao planeta.

O ônibus foi montado no Brasil com financiamento do Global Environment Facility (GEF), ou Fundo Global para o Meio Ambiente, uma agência ligada ao Banco Mundial, que financia iniciativas de desenvolvimento sustentável em vários países. “Fizemos parcerias no Brasil e no exterior para montar o ônibus e transferir tecnologia para o país porque no início o projeto era para comprar os ônibus prontos na Europa. O argumento foi que o Brasil é o maior produtor de ônibus do mundo [em 2008 foram produzidos 44.111, sendo 27.948 exportados, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea)] e temos uma longa tradição na indústria de carrocerias de ônibus”, diz Carlos Zündt, gerente de planejamento da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), ligada à Secretaria dos Transportes Urbanos do Estado de São Paulo, instituição que ficou responsável pelo desenvolvimento e gerenciamento do projeto e vai colocar o ônibus a hidrogênio no corredor metropolitano exclusivo de 33 quilômetros (km). O objetivo aqui é incorporar, integrar e desenvolver tecnologia de uso do hidrogênio como combustível e preparar as empresas para esse futuro mercado.

Em outros projetos semelhantes realizados no mundo prevaleceu a compra de ônibus prontos,

© Daimler
Novo modelo do Citaro é híbrido porque aproveita a energia do hidrogênio para recarregar baterias

Citaro é híbrido porqueoveita a energia do hidrogênio para recarregar principalmente da Mercedes-Benz, que possui um modelo da série Citaro que funciona a hidrogênio e já roda em várias cidades europeias, principalmente em Berlim, na Alemanha, que possui 18 veículos. Na Europa, desde 2004, o projeto Clean Urban Transport for Europe (Cute), ou Transporte Urbano Limpo para a Europa, financiado pela União Europeia, permitiu que 38 ônibus Citaro movidos a hidrogênio circulassem por nove cidades como Londres, Madri, Barcelona, Amsterdã, Hamburgo, Stuttgart, Luxemburgo, Porto e Estocolmo. Eles já rodaram 135 mil horas e a experiência se mostrou ambientalmente sustentável. Outros três projetos foram realizados em Reykjavik, na Islândia, Pequim, na China, e em Perth, na Austrália. Ao todo foram utilizados 47 ônibus. O projeto tem 31 parceiros entre órgãos dos governos, indústrias e universidades. Todos, inclusive o brasileiro, são projetos de demonstração e teste da tecnologia em condições reais e nenhum deles teve objetivos comerciais simplesmente. No caso brasileiro, a EMTU terá, como compromisso previsto no investimento, que testar o ônibus e apresentar os resultados e a experiência ao GEF, que poderá distribuir relatórios com a experiência para outros países.

No Brasil, o projeto foi iniciado em 2004 e reuniu um consórcio internacional de empresas construtoras e fornecedoras. O ônibus possui nove cilindros de hidrogênio e aparelho de ar-condicionado no teto e todos os outros equipamentos ficam na parte de trás do veículo. No Citaro o design é diferente. Todos os equipamentos estão instalados no teto, o que o faz necessitar de uma suspensão eletrônica especial e muito cara. Mas ele é igualmente dependente da célula a combustível. É ela que transforma o hidrogênio em eletricidade e faz mover o ônibus por meio de dois motores elétricos. A célula é formada por um conjunto de placas de eletrodos, normalmente de grafite, que, em forma de sanduíche, agrupa também, entre as placas, uma membrana polimérica chamada de Membrana de Troca de Prótons (PEM, na sigla em inglês). Ao passar por ela, as moléculas de hidrogênio (H2) são quebradas e os elétrons são liberados, gerando eletricidade. Para realizar esse processo eletroquímico, o hidrogênio também se une ao oxigênio captado do ar formando vapor-d’ água no final. Essa tecnologia – componente-chave de todo o sistema – foi adquirida da Ballard, uma empresa canadense que começou a desenvolver células a combustível em 1983 e entre 1992 e 1994 apresentou os primeiros protótipos.

Em 2007 a Daimler – holding que possui a Mercedes-Benz – e a Ford se tornaram sócias majoritárias em uma subsidiária da Ballard, a Automotive Fuel Cell Cooperation (AFCC) ou Coo peração para Célula a Combustível Automotiva. Fora os sistemas de transporte de hidrogênio e controle eletrônico, as duas células visualmente são duas caixas metálicas com 81centímetros (cm) de comprimento, por 25 cm de profundidade e 30 cm de largura cada uma. “São duas células independentes que trabalham interligadas entre si, iguais à que equipa o carro Classe A a hidrogênio da Mercedes-Benz, que também está em demonstração na Europa desde 2003, e o Ford Focus apresentado em 2006 nos Estados Unidos, Canadá e Europa. Cada célula da Ballard gera 68 quilowatts (kW) de potência máxima, ou 91 horses power (hp). Para efeito de comparação, uma casa com dois quartos e um casal de classe média com dois filhos precisa de uma potência de 5 kW.

O Brasil já possui, pelo menos,

© Eduardo Cesar
Monitor no painel do ônibus informa quilowatts e quantidade de hidrogênio


três empresas, Electrocell, Unitech, (ver Pesquisa FAPESP edições 93 e 103) e NovoCell – todas paulistas e com financiamento do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe) da FAPESP –, que estão desenvolvendo células a combustível e peças para esse equipamento em projetos pontuais para geradores de energia elétrica estacionários, principalmente para empresas, e não automotivos.

Os sistemas auxiliares da célula do ônibus, como a injeção e a circulação do hidrogênio e do ar atmosférico, na pressão e umidade requeridas pelo equipamento principal e parte da eletrônica de controle, foram desenvolvidos pela empresa alemã Nucellsys, que também possui a Ford e a Daimler como sócias. O gerenciamento de todos os sistemas, inclusive os testes de durabilidade são feitos pela Instituto de Pesquisa Força Elétrica Internacional (EPRI, na sigla em inglês), com sede na Califórnia, nos Estados Unidos, que traz a experiência em gerenciar projetos desse tipo.

Cooperação nacional - No lado bra sileiro do consórcio, a carroceria é da Marcopolo, um dos maiores fabricantes de carrocerias do mundo com três fábricas no Brasil e 11 no exterior, em países como China, Índia, Rússia, Portugal, Argentina, México e Egito. O modelo a hidrogênio é da série Gran Viale, usada em ônibus urbanos, com 12,5 metros de comprimento, e pode acomodar 63 passageiros sentados e 20 em pé. A adaptação do ônibus ao sistema de célula a combustível e demais equipamentos do sistema a hidrogênio foi realizada por outra empresa brasileira, a Tuttotrasporti, uma empresa de brasileiros de origem italiana sediada em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Ela é especializada na produção e modificação de chassis (estrutura metálica que suporta o veículo com os eixos das rodas inclusos) para veí culos especiais, como ônibus a gás ou híbridos, com baterias e a diesel, com segundo piso, ou dois eixos na frente, ou ainda veículos com direção invertida próprios para exportação pa ra países como Inglaterra ou Japão. “A Tuttotrasporti foi a maior beneficiada brasileira porque foram seus engenheiros e técnicos que adquiriram conhecimento na adaptação, montagem e integração dos sistemas, inclusive a CPU [unidade central de processamento], que compreende processadores que gerenciam a energia elétrica do ônibus assim como a pressão do hidrogênio e outros sistemas ”, diz Zündt. “O software foi moldado por nós para controlar todos os pontos. Cada subsistema, como as células, tem o seu processador que indica, por exemplo, a sua temperatura [ela funciona entre 60 e 80°C], e eles estão conectados a um computador maior que tem acesso a todos os protocolos de funcionamento e permite gerenciar todo o ônibus”, diz o engenheiro Sidney de Oliveira Sobrinho, da Tuttotrasporti.

Energia constante - O ônibus a hidrogênio brasileiro também


© Mercedes-Benz
Células a combustível do Classe A, em testes na Europa, são usadas no ônibus brasileiro

é um veí culo híbrido porque pode acumular energia em baterias especiais. São três baterias de níquel-sódio, de alto desempenho, fornecidas pela empresa suíça, MSDea, que são capazes de guardar grande quantidade de energia. Tanto elas como as células repassam energia elétrica para os dois motores elétricos refrigerados a água da marca Siemens fabricados na Alemanha. “A célula envia energia de forma constante. Quando o ônibus está parado, a energia não utilizada no momento vai para as baterias. O acionamento dos freios também gera energia armazenável. Com elas é possível rodar mais 50 km, além dos 300 km com hidrogênio. No corredor onde ele vai operar, os ônibus a diesel rodam 250 km por dia”, diz Zündt. Até a Mercedes-benz apresentar neste ano um modelo híbrido do Citaro Fuel Cell (célula a combustível), o brasileiro era o único a possuir o diferencial de ser um ônibus híbrido. Ele ficou pronto em julho de 2008 em Caxias do Sul e a partir daí começou uma série de testes depois de quase três anos de projeto e construção. Até o mês de maio, quando chegou a São Paulo, ele já havia rodado 2.200 km. Um percurso que não incluiu a viagem de Caxias do Sul à capital paulista porque no caminho não havia como reabastecê-lo com hidrogênio.

O conhecimento adquirido pelas empresas brasileiras será útil para os três novos veículos de série previstos que deverão ser construídos no Brasil, além do primeiro considerado um protótipo. Eles deverão rodar no mesmo corredor de ônibus, mas já devem apresentar modificações por conta da experiência adquirida. “As lições desse primeiro protótipo serão adotadas nos próximos ônibus e aí eles poderão ser produzidos em série pela Tuttotrasporti”, diz Zündt.

“O compartimento de motorização onde estão instalados os equipamentos como a célula, os motores elétricos, radiadores e outros aparelhos deverá ter uma redução de 50% no tamanho.” Os próximos, ainda sem data para serem entregues, terão 15 metros de comprimento e três eixos e alguns outros componentes e equipamentos nacionalizados. “O eixo, que é húngaro, poderá ser feito aqui, assim como há possibilidade de os motores elétricos e outros dispositivos como radiadores e conversores de tensão serem fabricados no Brasil”, diz Sobrinho. “Serão realizados estudos para reduzir custos, nacionalizando o que for possível, e utilizar o conhecimento para outros projetos.”

O preço total do ônibus não é revelado pelas partes. Sabe-se apenas que é mais caro que aqueles a diesel. O que é divulgado é o investimento total do Projeto Ônibus Brasileiro a Hidrogênio no valor de R$ 38,5 milhões, contando com os outros possíveis três veículos, bem como a unidade de produção e abastecimento de hidrogênio que está em construção na sede da EMTU. O GEF, por meio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que presta apoio técnico e administrativo ao projeto, financiou R$ 22,3 milhões. O Ministério de Minas e Energia, com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), custeou mais R$ 8,3 milhões, enquanto a EMTU investiu R$ 3,09 milhões e as empresas mais R$ 4,75 milhões.


Posto na garagem - Entre as empresas nacionais investidoras no projeto estão a Petrobras e a Eletropaulo. As duas estão envolvidas na unidade de produção do hidrogênio. Esse gás não existe de forma isolada na natureza, embora esteja presente na água, no etanol, no gás natural e na gasolina, podendo daí ser extraído por meio da quebra das moléculas dessas substâncias que assim o liberam. O abastecimento do ônibus será feito na garagem da EMTU em São Bernardo do Campo, onde ficam os ônibus que operam no corredor. Uma estação de produção vai ser construída na garagem e será operada pela BR distribuidora da Petrobras. O sistema utilizado será a eletrólise da água, em que uma corrente elétrica separa as moléculas de hidrogênio e oxigênio. Essa unidade de produção e abastecimento é oriunda da empresa canadense Hydrogenics, especializada na produção de hidrogênio por eletrólise. A Eletropaulo vai construir uma rede especial para o funcionamento da estação de forma menos custosa possível, com o fornecimento preferencial de energia para fabricação de hidrogênio feito fora dos horários de pico. Como a estação está sendo construída, nos primeiros meses de testes do veículo o hidrogênio virá por caminhão de uma refinaria da Petrobras no município de Cubatão.

Um fator preocupante quando se fala em hidrogênio ou de qualquer gás é a segurança. “As paredes do cilindro são de aço inox e muito espessas, o hidrogênio é uma molécula muito pequena que pode vazar em escala molecular se não for bem vedado com material e técnica adequados”, diz Zündt. Além disso, existem sistemas de sensores e válvulas que rapidamente fecham os nove cilindros em caso de impacto do ônibus. Os tanques de hidrogênio, que são de origem norte-americana, carregam cada um 5 quilos (kg) desse gás. No total são 45 kg submetidos a uma pressão de 300 bar, a mesma de um mergulho a 300 metros de profundidade no fundo do mar. Na célula a pressão é reduzido para 2 bar por um sistema de válvulas. Mas no início do processo da produção na estação ele é estocado a 700 bar. Na estação também é possível estocar o oxigênio liberado da reação. Ele é bem puro e pode ser usado para fins medicinais, se os custos forem favoráveis. Em relação ao preço do quilo do hidrogênio, ele é mais caro que o diesel. O quilo no mercado (que usa o produto para fins industriais e alimentícios nas gorduras hidrogenadas e o extrai do gás natural por meio de equipamentos chamados de reformadores) não é competitivo em relação ao diesel, mesmo na produção própria via eletrólise porque o gasto de energia e seus custos são grandes.

Para Zündt, a tecnologia para uso no transporte ainda é cara em relação às tradicionais se não for considerado o custo ambiental e de saúde. O sistema utilizado no projeto brasileiro é um ciclo fechado onde se inicia e termina com água, que sai em forma de vapor para a atmosfera. Outro aspecto a considerar é que os sistemas de célula a combustível possuem um nível de eficiência energética muito melhor que os demais. “Em cada quilo se aproveita até 90% do potencial de energia, enquanto um litro de diesel rende em média 25% de eficiência energética”, diz Zündt. Os gastos do ônibus certamente serão mais bem percebidos ao longo de alguns meses de funcionamento no corredor metropolitano onde o veículo vai trafegar. Mas, mesmo antes de entrar em operação, o ônibus brasileiro a hidrogênio já desperta a atenção de futuros compradores. “Um grupo europeu da área de transportes nos fez uma consulta sobre a tecnologia e o custo do ônibus com o intuito de vender para países asiáticos”, disse Zündt sem revelar maiores dados porque são confidenciais.

“O ônibus a hidrogênio no Brasil é parte de um programa mundial que tem o objetivo de não emitir carbono (CO2) com os veículos e o mérito de ser um projeto de demonstração”, diz o professor Ennio Peres, coordenador do Centro Nacional de Referência em Energia do Hidrogênio (Ceneh), instalado no Laboratório de Hidrogênio (LH2) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “É muito importante tornar a tecnologia do hidrogênio conhecida mostrando suas vantagens e que seu uso não é perigoso.”

Substituição total

Hidrelétricas podem ser produtoras de hidrogênio

O abastecimento é considerado um obstáculo para o mercado automotivo de hidrogênio. Postos para reabastecimento em maior quantidade só existem no estado da California, nos Estados Unidos, no Japão e na Islândia, com o hidrogênio obtido da água, por eletrólise, ou gás natural. No Brasil, uma boa oportunidade está nas usinas hidrelétricas. Além da energia barata produzida durante a madrugada, quando cai o consumo, é possível utilizar a chamada energia vertida turbinável, que é a eletricidade a ser aproveitada pela água vazada no vertedouro em situações de enchimento excessivo dos reservatórios ou em horários quando não há demanda. A água é desperdiçada porque a energia elétrica não pode ser estocada. O jeito é transformá-la em hidrogênio.

Os professores Ennio Peres, do Laboratório de Hidrogênio, e Carla Cavaliero, da Faculdade de Engenharia Mecânica, ambos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), junto com o pesquisador paraguaio Gustavo Riveros-Godoy, da Universidade Nacional de Assunção, fizeram um estudo de produção e distribuição de hidrogênio para ônibus urbanos na cidade de Foz de Iguaçu, no Paraná, onde fica a sede brasileira da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Eles apresentaram um trabalho no 4° Workshop Internacional sobre Hidrogênio e Células a Combustível realizado em outubro em 2008 na Unicamp, que demonstra a viabilidade operacional de trocar os ônibus a diesel por veículos a hidrogênio nas quatro empresas de Foz, uma cidade com 309 mil habitantes.

Sem considerar o custo dos ônibus, eles utilizaram dados do modelo a hidrogênio da Mercedes-Benz, o Citaro Fuel Cell. O melhor modelo de produção do gás seria a forma centralizada na própria Itaipu, onde os ônibus iriam abastecer uma vez por dia. O custo do hidrogênio por quilo (kg) seria de US$ 2,86 e a média de consumo de 0,205 kg por quilômetro rodado. Em termos financeiros, o diesel ainda ganha, mas o hidrogênio tem vantagens ambientais cada vez mais levadas em conta.

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sábado, fevereiro 21, 2009

 
Gordura atrai gordura
Ácido graxo encontrado em carnes vermelhas causa a morte de neurônios que controlam o apetite
Pesquisa FAPESP -
© Hélio de Almeida

Quem aprecia uma picanha malpassada e principalmente a camada branca de gordura que a envolve talvez se inquiete. Um tipo de gordura – os ácidos graxos saturados de cadeia longa, encontrados principalmente em carnes vermelhas – pode ser uma das causas da obesidade. De acordo com experimentos realizados em camundongos, essas moléculas acionam uma inflamação no hipotálamo, na base do cérebro, que leva à destruição dos neurônios que controlam o apetite e a queima de calorias. “Talvez tenhamos encontrado uma explicação para a dificuldade de as pessoas obesas controlarem a fome e perderem peso, mesmo que adotem dietas severas para emagrecer”, diz Lício Velloso, pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que coordenou esse estudo, publicado em janeiro na revista científica Journal of Neuroscience.

Os estudos anteriores da equipe de Velloso e de outros grupos já haviam mostrado que a obesidade era uma doença que começava no cérebro ou nos músculos, induzida por dietas com excesso de açúcares ou de gorduras. Esse excesso gerava resistência ao hormônio insulina, que carrega a glicose para as células, onde é transformada em energia, e induz ao consumo contínuo de alimentos (Pesquisa FAPESP nº 140). Testes com animais já haviam mostrado que dietas ricas em gordura em geral danificavam o hipotálamo mais intensamente que as ricas em açúcares. Para ver qual tipo de gordura era mais danoso, os pesquisadores da Unicamp injetaram diferentes tipos de ácidos graxos de origem animal ou vegetal no hipotálamo de camundongos. Os encontrados no óleo de soja mostraram um efeito tênue sobre o cérebro, enquanto os encontrados em gorduras animais e em proporção menor no óleo de amendoim apresentaram ação mais danosa.

Fonte: Para ler o artigo completo consulte a Revista Pesquisa FAPESP, Edição 156, fevereiro 2009.

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quarta-feira, setembro 12, 2007

 

Curando com Luz

Fonte: Revista Pesquisa FAPESP, setembro 2007.

Luz contra os agressores
Terapia fotodinâmica pode ser uma alternativa no tratamento de infecções produzidas por fungos, parasitas e bactérias

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© Eduardo Cesar
Terapia fotodinâmica: alternativa para tratamentos locais

Por Vanderlei Salvador Bagnato

O controle de microorganismos é um dos campos mais ativos da atual pesquisa na área farmacológica. Essa é uma fronteira que demanda extremo cuidado. Ao longo de nossa história, parte significante de nossa moderna civilização foi destruída pelo ataque descontrolado de microorganismos. Novas ameaças estão surgindo dia a dia. A indústria de quimioterapia antimicrobiana está em constante alerta, principalmente devido à rápida capacidade de evolução e diversidade de patógenos encontrados. O aparecimento de uma grande variedade de patógenos resistentes aos agentes químicos faz com que haja um grande aumento da morbidade de infecções que eram facilmente tratadas no passado. Apesar de nossa grande capacidade tecnológica, certos microorganismos parecem ser mais capazes e parece claro que as possibilidades farmacêuticas para combater certos microorganismos estão atingindo um limite. Certos tipos de pneumonias adquiridas em hospitais já não podem mais ser controladas com os tradicionais antibióticos e, em muitos casos, pacientes estão indo a óbito. Todos sabem que precisamos de urgentes alternativas para controle microbiológico. É nesse âmbito que modernas técnicas desenvolvidas em biofotônica (uso da luz e óptica em problemas relacionados com a matéria viva) podem fazer uma grande diferença.

Agentes químicos sistêmicos deveriam ser utilizados apenas nos tratamentos de infecções mais graves, evitando assim o desenvolvimento da resistência bacteriana a esses fármacos, além de minimizar os efeitos adversos associados a esse tipo de terapia. As infecções locais não precisariam ser tratadas com medicação sistêmica se houvesse uma alternativa viável. A boa notícia é que uma alternativa parece surgir no horizonte: a terapia fotodinâmica. Essa técnica, que vem sendo desenvolvida para o tratamento de tumores, tem um princípio capaz de ser utilizado no controle microbiológico. Basicamente, a terapia fotodinâmica envolve o uso de um agente fotossensibilizador com afinidade com células malignas, de uma fonte de luz para excitação e do oxigênio. As moléculas do fotossensibilizador são ativadas pela luz e começa um processo de troca de energia com as moléculas de oxigênio, produzindo uma espécie de oxigênio altamente reativa: o oxigênio singleto. Essa espécie reativa oxida de forma rápida e eficaz quase todos os substratos biológicos em seu caminho. É um processo rápido e seguro para matar células. Esse mesmo princípio vem agora sendo utilizado para matar microorganismos. Na presença do oxigênio singleto, ou mesmo de outros radicais livres produzidos pela excitação do fotossensibilizador, há um eficiente ataque aos microorganismos.

Inúmeros estudos vêm sendo desenvolvidos utilizando o princípio da terapia fotodinâmica, aplicada tradicionalmente no combate de células tumorais, para inativar microorganimos. A maioria dos trabalhos in vitro com vírus tem procurado a esterilização do sangue ou de seus produtos. Também há trabalhos utilizando a terapia fotodinâmica para matar fungos, como a Candida albicans, responsável pelas candidoses sistêmicas que ocorrem principalmente em pacientes imunodeprimidos. Ou ainda para combater parasitas humanos, como o Plasmodium falciparum, protozoário causador da malária, e o Trypanosoma cruzi, responsável pela doença de Chagas, e eliminar bactérias, como as presentes na cavidade bucal, responsáveis pela cárie e pela doença periodontal. Embora ainda não exista um consenso na literatura nem mesmo sobre a nomenclatura a ser utilizada para essa terapia, aqui vamos chamá-la de ação fotodinâmica antimicrobiana. Essa técnica vem sendo apontada como uma alternativa de baixo custo no tratamento de infecções locais.

Atualmente, o laser é a fonte de luz mais empregada para ativar os fotossensibilizadores. Porém, com o desenvolvimento dos LEDs começaram a surgir os primeiros estudos utilizando esses diodos emissores de luz na terapia fotodinâmica. Comparando a eficácia do LED com a do laser, constatou-se que os diodos têm um custo muito menor. Espera-se, com isso, que possa haver uma popularização dessa técnica.

Uma das vantagens da utilização da ação fotodinâmica antimicrobiana é que a morte das bactérias pode ser controlada restringindo-se a região irradiada. Assim evita-se a destruição microbiana em outros locais e o desenvolvimento de resistência seria improvável. Outra importante vantagem da técnica é o fato de que ela pode ser aplicada inúmeras vezes, sem qualquer tipo de efeito colateral, e sem causar as famosas reações sistêmicas a certos tipos de drogas. Em muitas situações em que se precisa de uma ação local e rápida para controlar a presença de microorganismos, a ação fotodinâmica me parece bastante adequada. E, finalmente, mas não menos importante, há a questão do custo da terapia. Com fontes de luz e fotossensibilizadores baratos, esse tipo de tratamento passa a ser economicamente muito viável.

Um trabalho piloto, realizado em colaboração com o Hospital Amaral Carvalho, de Jaú, interior paulista, mostrou grande eficiência no uso da técnica para controle do papilomavírus humano (HPV) em mulheres e homens. A abordagem pode representar uma alternativa barata e eficiente para combater o HPV, presente num elevado número de mulheres brasileiras e freqüentemente associado à ocorrência do câncer de colo do útero.

Assim sendo, a ação fotodinâmica antimicrobiana é um campo promissor que, apesar de ainda necessitar de mais estudos, já demonstrou sua viabilidade e está começando a ser empregada clinicamente. Mais uma ação da luz para promover a vida ...

Para saber mais:

1. http://www.inova.unicamp.br/inventabrasil/pdtled.htm

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sexta-feira, agosto 10, 2007

 

Indícios da Terra Oca - 1


Na Revista Pesquisa FAPESP deste mês da agosto de 2007 (número 138), na página 3, saiu a seguinte reportagem na Seção "Imagem do Mês", junto com a foto de um filhote de mamute congelado:

Filhote Congelado

Um bebê mamute congelado há cerca de 10 mil anos foi encontrado na Sibéria. A fêmea, em excelente conservação, morreu por volta dos 6 meses de idade. O tronco e os olhos estão intactos, além de parte de seus pelos. Apenas a cauda desapareceu. "Em termos do seu estado de preservação, é a descoberta mais importante deste gênero", disse Alexei Tikhonov, vice-diretor do Instituto de Zoologia da Academia Russa de Ciências, que participou de uma delegação que foi examinar o animal na Sibéria. O achado reacendeu o debate sobre a possibilidade de trazer de volta espécies extintas como a dos mamutes. Cientistas têm esperança de que células contendo DNA viável possam um dia ser usadas para clonar o animal.

Como a ciência oficial não admite a possibilidade de uma Terra oca, chega-se a paradoxos absurdos como esse: um mamute que morreu há 10.000 anos e que manteve os olhos intactos durante todo esse período de milhares de anos. A explicação deste acontecimento é muito mais simples e lógica. Em 1947, o contra-almirante da marinha norte-americana Richard Evelyn Byrd penetrou - de avião - no interior da Terra oca, através da abertura existente no Polo Norte. Nessa incursão ele avistou (e relatou em seu diário de bordo) um mamute pastando em um campo coberto com muita vegetação. Portanto, este filhote de mamute congelado veio recentemente do interior da Terra, por ter caído na correnteza de algum rio que se desloca em direção ao Polo Norte e ficou congelado durante o trajeto do Polo Norte até a Sibéria (onde já foi encontrado muitos outros animais pré-históricos congelados, provavelmente devido ao mesmo processo que aconteceu agora com o atual mamute). Devido ao pouco tempo entre o acidente no rio e a chegada à Sibéria, os olhos do mamute permaneceram intactos! Uma curiosidade, para quem não sabe: os icebergs, presentes nos oceanos de água salgada, são constituídos de água doce, proveniente desses rios, de água doce, provenientes do interior da Terra oca...

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domingo, junho 24, 2007

 

Aplicações da Nanotecnologia


A nanotecnologia consiste na obtenção de partículas de matéria com dimensões da ordem de um bilionésimo de metro (= 10E-9 metro). Esta é uma tecnologia perigosa para as células do corpo humano, pois as partículas nanométricas têm dimensões menores do que as dimensões das células de nosso corpo. Isso faz com que as nossas células não consigam opor muita resistência à entrada dessa partículas em nosso corpo, algo perigoso (principalmente quando presentes em medicamentos e cosméticos). No entanto, certas aplicações nanométricas parecem estar surgindo na forma não-prejudicial ao nosso corpo, conforme pode ser observado no artigo da Revista Pesquisa Fapesp, de junho 2007, apresentado abaixo.

Convém notar que a prata é um elemento bactericida conhecido desde a remota antiguidade. Daí as baixelas de prata. A prata tem sido muito usada para tratar pessoas atingidas por queimaduras graves (evita a infecção da pele, por seu uso tópico) e para colocar nos olhos de recém-nascidos. É muito usada terapeuticamente a solução de prata coloidal, em medicina alternativa, como antibiótico universal, sem ter qualquer efeito colateral relevante (o que não ocorre com os antibióticos convencionais, vendidos em farmácias alopáticas). É esse efeito bactericida/germicida/fungicida da prata nanométrica que é explorado nas aplicações citadas no artigo abaixo. RFS.

Tecnologia :: Nanotecnologia
Múltiplas utilidades
Resinas nanoestruturadas funcionam como bactericidas e fungicidas em máquinas de lavar roupa e colchões

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© Eduardo Cesar
Cuba de lavadora produzida com polipropileno e prata: efeito bactericida

Investir em nanotecnologia tem sido uma das estratégias da Suzano Petroquímica, nos últimos anos, para se lançar em novos mercados e continuar ampliando seus negócios. A empresa é líder na América Latina na produção de resinas de polipropileno e segunda maior produtora de resinas termoplásticas no Brasil, duas matérias-primas versáteis empregadas na fabricação de embalagens plásticas, frascos para cosméticos e produtos de higiene, utensílios domésticos, peças automotivas e produtos têxteis. Em maio passado, a companhia apresentou, durante a 11ª Feira Internacional da Indústria do Plástico, a Brasilplast 2007, realizada em São Paulo, dois produtos elaborados a partir das pesquisas em nanotecnologia: uma resina especial de polipropileno nanoestruturado com partículas de prata utilizada para fabricação de eletrodomésticos da linha branca, como máquinas de lavar roupa, e uma nova resina com nanopartículas para fabricação de fios e fibras para produção de colchões.

A principal característica das duas inovações, de acordo com o engenheiro de materiais Cláudio Marcondes, gerente de desenvolvimento de novos produtos da companhia, é sua ação bactericida e fungicida. A petroquímica prevê que, dentro de três anos, cerca de 10% de sua receita será fruto das pesquisas em nanotecnologia. “Com o uso desse novo ramo do conhecimento, estamos agregando valor aos nossos produtos”, diz Marcondes.

A nova máquina de lavar está sendo produzida em parceria com a Suggar, fabricante de eletrodomésticos no país, com sede em Belo Horizonte. O aparelho é um dos primeiros produzidos no Brasil com o uso de nanotecnologia na matéria-prima. A nanotecnologia – que é a construção de estruturas e materiais em escala nanométrica, em medidas equivalentes a 1 milímetro dividido por 1 milhão de vezes – permite a fabricação de produtos com características diferenciadas, porque modifica as propriedades dos materiais no nível atômico. A resina nanoestruturada de polipropileno com partículas de prata da Suzano é empregada na fabricação da cuba das lavadoras, recipiente onde é colocada a roupa, conferindo ação antimicrobiana à peça. O efeito desinfetante da resina acontece por meio das cargas positivas (íons) da prata – um material conhecido por sua propriedade bactericida há séculos –, que atraem as cargas negativas das bactérias e causam a ruptura de sua membrana celular em função da diferença de potencial entre a parte interna e externa do microorganismo, provocando sua morte.

A nova tecnologia, segundo o diretor industrial da Suggar, Marcelo Emrich Soares, permitirá a eliminação de 99,9% das bactérias que se desenvolvem na cuba das lavadoras, trazendo mais higiene e qualidade ao processo de lavagem de roupas. “O ambiente dentro da máquina fica livre de contaminação e preparado para novas lavagens. A nova resina também confere mais resistência e durabilidade ao produto”, garante Soares. Por enquanto, o polipropileno aditivado com nanopartículas de prata está sendo aplicado apenas na linha de lavadoras semi-automáticas, segmento no qual a Suggar tem participação expressiva, com cerca de 30% das vendas. Mas já existe um entendimento entre as duas empresas para a aplicação da nanotecnologia em outros tipos de eletrodoméstico. Até o momento, a Suzano forneceu 100 toneladas de polipropileno nanoestruturado para produção das lavadoras. Como cada cuba tem cerca de 6 quilos, a matéria-prima é suficiente para fabricação de quase 17 mil máquinas.

Colchões higiênicos - A resina especial utilizada na fabricação de fios e fibras de colchões é outro desdobramento da pesquisa da petroquímica com novos materiais nanoestruturados com prata. De acordo com a Suzano, o desenvolvimento do produto consumiu um ano de pesquisas e sua aplicação é bastante variada, podendo ser usado em colchões de hospitais, residências e hotéis. Outra vantagem é que a ação bactericida do produto não tem prazo de validade. Como a higienização de colchões não é um processo muito comum, a ação da resina contribui para a manutenção de um ambiente saudável, evitando a disseminação de infecções. A resina é fornecida para a fabricante catarinense de produtos têxteis Döhler, que já está produzindo fios e fibras e fornecendo-os para a empresa Castor, responsável pela confecção dos colchões com estruturas nanoestruturadas. “Acreditamos que o produto deverá chegar ao mercado em dois meses”, diz Cláudio Marcondes, da Suzano.

Os trabalhos em nanotecnologia na Suzano são coordenados pelo químico Adair Rangel, que iniciou o estudo e o desenvolvimento de novos materiais nanoestruturados há apenas três anos, quando fazia o doutorado no Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Nesse período foram investidos R$ 20 milhões em pesquisa nanotecnológica no Centro de Tecnologia da empresa. A unidade abriga cerca de 40 pesquisadores e técnicos. No total, a petroquímica direciona 1,5% de seu faturamento, de cerca de R$ 2,37 bilhões, para a pesquisa e o desenvolvimento de novos produtos. Para viabilizar a fabricação de produtos de alta tecnologia, a companhia já iniciou a construção de uma linha de produção específica, batizada de Unidade Autônoma de Extrusão, localizada na fábrica da Suzano em Mauá, na Grande São Paulo. Ela iniciará sua operação comercial no final do próximo ano e terá capacidade para produzir 24 mil toneladas anuais de resinas especiais. O grande desafio da empresa, segundo Marcondes, é desenvolver não apenas novas resinas de polipropileno com nanopartículas, mas também fazer com que elas possam ser processadas no maquinário já instalado no parque fabril nacional que compra as resinas da Suzano.

No ano passado, a Suzano registrou sua primeira patente em nanotecnologia, voltada para a obtenção de nanocompósitos com polipropileno e argila, empregando uma nova rota para compatibilizar os dois materiais. O novo material apresentou considerável avanço em suas propriedades mecânicas, como rigidez e resistência a impactos, e de barreira, relacionada à permeabilidade. “Ainda não lançamos nenhum produto com ele. Nosso objetivo no momento é apresentar o potencial das resinas de polipropileno nanoestruturadas”, diz Marcondes.

Tábua de carne - Um dos primeiros produtos nanotecnológicos da empresa foi revelado ao público no final de 2006 no II Congresso Internacional de Nanotecnologia (Nanotec), realizado em São Paulo. Foi uma resina de polipropileno com nanopartículas de prata – uma primeira versão do material utilizado na fabricação da máquina de lavar e dos colchões. A principal aplicação dessa resina é o mercado de utensílios domésticos. Com ele, a Suzano desenvolveu protótipos de uma tábua para cortar carne e de um pote plástico para acondicionar alimentos. “O pote aumenta consideravelmente o tempo de conserva de alimentos”, diz Marcondes. Já a tábua de cortar carne está livre da contaminação por bactérias que costumam se alojar nas reentrâncias provocadas pela faca. “Estamos incentivando uma de nossas parceiras, a Reflet, a produzir utensílios domésticos com a resina nanoestruturada, que é cerca de 10% mais cara do que a convencional”, diz o executivo.

A Suzano também trabalha no desenvolvimento de filmes nanoestruturados com íons de prata, que serão empregados na fabricação de embalagens para frutas, gêneros alimentícios e outros produtos. Em breve a companhia espera depositar duas novas patentes relacionadas a outras nanopartículas em áreas de aplicação com polipropileno, que, por enquanto, não podem ser detalhadas. De acordo com Marcondes, o volume de produção das resinas nanoestruturadas ainda é pequeno, mas tende a crescer na medida em que a população perceber o valor agregado dos novos produtos fabricados com elas. “A nanotecnologia nos oferece um potencial ilimitado. Estamos na pontinha do iceberg”, destaca.

Com capacidade para produzir 685 mil toneladas por ano de resinas de polipropileno, a Suzano vende produtos no mercado nacional para mais de 500 clientes e os exporta para cerca de 40 países. A petroquímica conta com três fábricas, localizadas em Mauá, Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e no pólo petroquímico baiano de Camaçari. Juntas, elas fabricam mais de 60 produtos. A companhia, de capital nacional, é controlada pela Suzano Holding, que também é a principal acionista da Suzano Papel e Celulose. Investimentos atualmente realizados nas fábricas de Mauá e Duque de Caxias ampliarão a capacidade de produção da petroquímica em mais 190 mil toneladas por ano até 2008, o que vai garantir a liderança da empresa na América Latina no negócio de polipropileno.



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domingo, janeiro 14, 2007

 

O Magnetismo e a Vida


Pesquisas geológicas têm mostrado que a intensidade do campo magnético terrestre tem diminuído nos últimos milênios. Essa queda magnética tem afetado todos os seres vivos, vegetais e animais. Baseado neste fato, tem surgido muitas técnicas para compensar localmente essa queda, aumentando o campo magnético local. Essa é a justificativa para se beber água magnetizada, dormir em colchão magnético, regar plantas com água magnetizada [artigo abaixo], tratar depressão com aumento de campo magnético na cabeça [artigo abaixo], etc. Abaixo apresento dois artigos tirados da Revista Pesquisa - Fapesp, disponível no endereço: www.revistapesquisa.fapesp.br

Boas leituras, Rui.

Linha de Produção
Magnetismo para o cultivo de rosas
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© Rogério Costa / Instituto Mauá
Botão maior após tratamento com ímã
Rosas e ímãs, uma combinação que deu certo. Um estudo realizado durante dois anos com água tratada magneticamente para irrigar as flores apresentou como resultado melhor qualidade da planta após o corte e aumento de produtividade. “Com a aplicação da técnica, a roseira passou a crescer mais rapidamente, ter hastes mais longas, botões e folhas maiores, qualidades bastante apreciadas no produto”, diz Rogério Costa, que fez a pesquisa como parte de sua dissertação de mestrado orientada pelo professor Luiz Alberto Jermolovicius, do Laboratório de Microondas do Instituto Mauá de Tecnologia, de São Caetano do Sul, no ABC paulista. Ao final de 12 meses, o ciclo completo de floração da rosa, foi registrado aumento de produtividade de 23% na área de cultivo irrigada com a água tratada com um conjunto de ímãs fixos. A variedade de rosa escolhida, uma cultivar do Grupo Flora Reijers, produtor de Andradas, em Minas Gerais, é muito sensível às mudanças climáticas, de qualidade da água e de concentração de nutrientes. Os pesquisadores ainda não têm explicação científica para os resultados obtidos. Costa espera obter essa resposta com a sua tese de doutorado.

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Ciência :: Medicina
Magnetismo contra a depressão
Técnica experimental mostra-se eficiente para tratar distúrbios psiquiátricos severos
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© Miguel Boyayan
Aplicação: bobina dispara corrente elétrica de intensidade alta por milissegundos

Ana Paula custa a se lembrar da última vez em que viu a mãe sorrir. Desde que sofreu sua primeira crise de depressão há quase 20 anos, Maria passa os dias triste, deitada no sofá remoendo pensamentos que brotam de um mundo sempre cinza. Já experimentou todos os tipos de antidepressivos conhecidos, mas nenhum foi capaz de pôr fim à apatia que ainda hoje a acompanha e a fez abandonar o trabalho na empresa da família na Região Metropolitana de São Paulo. Úteis na maioria das vezes, os remédios, no caso de Maria, no máximo adiavam a próxima recaída.

Na última, há seis meses, os médicos tiveram de recorrer à aplicação de descargas elétricas no cérebro do paciente sob anestesia geral, a eletroconvulsoterapia, mais conhecida como eletrochoque – tratamento considerado como um dos mais eficazes para os casos mais graves, ainda que estigmatizado por já ter sido aplicado de modo cruel e usado até mesmo como técnica de tortura contra presos. Esse tratamento pode ajudar a restabelecer o funcionamento normal das células nervosas, ainda que geralmente cause uma perda de memória passageira, que pode durar de alguns dias até meses.

Como nem as descargas elétricas funcionaram, em novembro Maria iniciou no Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (IPq/USP) uma terapia contra a depressão que nos últimos anos vem despertando o interesse de psiquiatras e neurologistas do mundo todo: a estimulação magnética transcraniana repetitiva (EMTr), uma seqüência de pulsos magnéticos intensos capazes de estimular ou inibir a atividade do tecido nervoso. Até bem pouco tempo atrás restrita exclusivamente a experimentos científicos, a EMTr parece produzir os mesmos efeitos que a eletroconvulsoterapia no tratamento da depressão: reajusta o funcionamento de determinadas regiões do sistema nervoso central, mas com menos efeitos indesejados. O Instituto de Psiquiatria da USP liberou o uso da EMTr para o tratamento da depressão em outubro de 2006, após a equipe do psiquiatra Marco Antonio Marcolin testá-la experimentalmente por quase seis anos contra a depressão e também no tratamento de dores crônicas, de algumas formas de alucinação comuns na esquizofrenia e na recuperação do acidente vascular cerebral.

Atualmente o instituto analisa como pedir a inclusão da EMTr na lista de procedimentos pagos pelo Sistema Único de Saúde para tratar a depressão, a fim de oferecê-la gratuitamente a um maior número de pessoas. Aprovada para essa finalidade apenas no Canadá, na Austrália, na Nova Zelândia, em Israel e em alguns países da Europa, essa terapia ainda é cara: custa R$ 300 cada uma das 20 aplicações necessárias para o tratamento agudo da depressão, problema que uma em cada dez pessoas pode apresentar ao longo da vida.

Em geral é feita uma sessão por dia durante um mês. Quinze dias após o início do tratamento, Ana Paula já notava os primeiros sinais de recuperação da mãe. A dose do antidepressivo que Maria ainda toma baixou para um quarto da inicial e a equipe de Marcolin começava a retirar o sedativo que ela usava para dormir. A aplicação é realmente tranqüila. Na manhã de 6 de dezembro, em uma pequena sala no primeiro andar do instituto, a psiquiatra Maria do Carmo Sartorelli aproxima uma bobina em forma de 8, do tamanho de uma mão espalmada, do lado esquerdo da cabeça de Maria, sentada em uma cadeira reclinada. Em seguida ouve-se uma série de estalos rápidos durante dez segundos. Seguem-se 20 segundos de silêncio e dispara-se uma nova seqüência de pulsos, repetida mais 23 vezes. “Minha mãe sai das aplicações conversando, e não calada como antes”, diz Ana Paula. “Fiquei surpresa com a mudança de humor.”

A cada estalo, uma corrente elétrica de alguns milissegundos e intensidade altíssima (até 5 mil amperes) passa pela bobina. A rápida seqüência de liga-desliga produz flutuações em um campo magnético que atravessa o crânio e gera uma corrente elétrica de baixíssima intensidade em uma área específica do córtex, a camada mais externa do cérebro. Apesar de baixa, essa corrente elétrica é suficiente para disparar a transmissão do impulso nervoso de uma célula a outra, explica o físico Oswaldo Baffa Filho, da USP em Ribeirão Preto, que faz pesquisas nessa área.

Reprogramando neurônios - Tanto a EMTr como o eletrochoque funcionam com base no mesmo princípio físico – a passagem de corrente elétrica pelo encéfalo, o conjunto de estruturas do sistema nervoso central que inclui o cérebro. Mas há também diferenças importantes entre esses dois recursos. As principais são a intensidade e a abrangência da corrente elétrica aplicada ao sistema nervoso central. Enquanto a EMTr gera correntes de uns poucos miliamperes em uma área restrita do cérebro, a eletroconvulsoterapia produz correntes cerca de mil vezes mais altas, de até 2 amperes, que atravessam todo o encéfalo e originam convulsões semelhantes às observadas na epilepsia – o paciente não sente as convulsões nem se lembra delas porque passa o tempo todo anestesiado. Independentemente da técnica usada, acredita-se que essa passagem de corrente elétrica reprograme alguns genes das células nervosas, fazendo-as retomar o funcionamento adequado, assim como os medicamentos antidepressivos.

No tratamento da depressão o alvo da EMTr é uma região do cérebro localizada no lado esquerdo da cabeça, ao lado da testa e acima dos olhos. Ali fica o chamado córtex pré-frontal dorso lateral, uma região do tamanho de uma moeda de dez centavos associada à memória de curto prazo, ao raciocínio lógico e à avaliação de metas que se deseja atingir. Em geral, essa região encontra-se menos ativa nos portadores de depressão do que nas demais pessoas, independentemente da origem do problema – seja a depressão decorrente de fatores genéticos, hormonais ou ambientais. [veja continuidade deste artigo no site indicado acima]

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Para saber mais: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDR82515-8055,00.html


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sábado, julho 15, 2006

 

Fonte Ambulante de Alergia


Nos bancos: proteínas de ácaros e de pêlos de animais
Crédito: Miguel Boyayan
Quem tem alergia começa logo a espirrar ou tossir assim que entra em um carro. Parece ter alergia ao próprio carro. Mas não. Quase metade dos automóveis é também depósito ambulante de proteína de ácaros ou de pêlos de cães e gatos que põem em ebulição os mecanismos de defesa do corpo humano. Resultados: espirros, nariz escorrendo, coceira no olho. Em uma palavra, alergia. O acúmulo dessas proteínas, chamadas alérgenos, revela um pouco dos hábitos dos proprietários dos carros, concluiu Ernesto Taketomi com sua equipe da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Minas Gerais. Munidos de um aspirador de pó portátil, os pesquisadores coletaram amostras de poeira do banco do motorista e do passageiro de 60 carros de passeio e de 60 táxis. A poeira dos táxis continha mais alérgenos de ácaros que os automóveis particulares. Em quatro de cada dez táxis havia proteínas de ácaros em concentrações elevadas o suficiente para causar alergia, problema observado em apenas 5% dos carros de passeio, de acordo com o artigo publicado no Journal of Investigational Allergology and Clinical Immunology. A razão dessa diferença é que em Uberlândia, como em muitas cidades do interior, os taxistas estacionam seus carros à sombra com os vidros abertos para manter a temperatura interna amena, criando um ambiente favorável à proliferação dos ácaros. Já os donos dos veículos de passeio não se importam em parar o carro sob sol forte – o calor ajuda a eliminar os ácaros. O problema com os carros de uso privado é outro: em metade deles o nível de uma proteína encontrada no pêlo de cães era elevado a ponto de deixar alerta o sistema de defesa ou mesmo disparar uma crise alérgica. A contaminação do veículo, claro, está associada à presença de um animal de estimação em casa. Mesmo que o dono não o leve para passear de carro, como constatou a equipe de Taketomi em um estudo anterior.

Meu comentário: Observe esta informação "o calor ajuda a eliminar os ácaros", mais um motivo para tomarmos banhos de sol diários...

Fonte: Revista Pesquisa FAPESP, Edição 125 - Julho 2006, pg. 34.

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O Hormônio da Uva


O hormônio do vinho


Crédito: Miguel Boyayan
As uvas usadas para fazer os tipos de vinho tinto de amplo consumo podem conter altos níveis de melatonina, um hormônio que induz ao sono, de acordo com o trabalho de uma equipe da Universidade de Milão, Itália. A descoberta da melatonina na casca da uva explica por que tantos de nós relaxamos gradativamente depois de um gole, seguido por outro, por outro e por outro. Poderia também ajudar a regular o ritmo circadiano, que determina os padrões de sono e vigília, do mesmo modo que a melatonina produzida pela glândula pineal, segundo Iriti Marcello, coordenador desse estudo, publicado na Chemistry & Industry. Pensava-se até recentemente que a melatonina era produzida somente pelos animais – até ser descoberta em plantas, possivelmente com propriedades antioxidantes. Marcello disse ter encontrado melatonina na casca das uvas das variedades Nebbolo, Merlot, Cabernet Sauvignon, Sangiovesse e Croatina. Richard Wurtman, neurologista do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, Estados Unidos, não está convencido. Para ele ainda é preciso saber se os compostos descobertos são mesmo melatonina – ou algo muito parecido.

Meu comentário: Observe que o hormônio está presente na uva crua e pode, talvez, estar presente em produtos derivados dela, como vinhos e sucos de uva, se o processamento industrial não se incumbir de eliminá-lo!

Fonte: Revista Pesquisa FAPESP, Edição 125 - Julho 2006, pg. 32.

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terça-feira, abril 11, 2006

 

Lama e Saúde

A cidade de Araxá-MG é bem conhecida como local de uso medicinal de sua lama. Peruíbe-SP também possui uma lama medicinal, conforme mostra o artigo abaixo. Será que a lama da sua casa também não é medicinal?

Abraço, Rui.


Lama negra de Peruíbe, mostra pesquisa da USP, poderá ser usada, no futuro, contra a artrite reumatóide
Notícias

Dor na lama
11/04/2006

Por Thiago Romero

Agência FAPESP - Os resultados de um experimento científico desenvolvido na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) poderá ajudar a embasar uma antiga tradição, realizada há muitos anos na cidade de Peruíbe, litoral sul de São Paulo. A lama negra, encontrada em mangues da região, e usada pelos moradores com freqüência para fins teraupêticos, mostrou ter um efeito positivo no controle da artrite reumatóide, doença que afeta as articulações do organismo humano.

Ao ser utilizada em ratos com artrite induzida, a lama negra permitiu a diminuição dos quadros inflamatórios nos animais, além de uma melhora na destruição de tecidos da articulação. “Esse tipo de lama possui alta concentração de elementos traços, ou seja, minerais que o organismo humano necessita em pequenas quantidades. E podem ser eles os responsáveis pelo efeito antiinflamatório da lama negra”, disse a biomédica Zélia Maria Nogueira Britschka, autora da pesquisa, à Agência FAPESP.

Durante os experimentos no Laboratório de Inflamação da Reumatologia da FM, os ratos foram submetidos à um quadro de artrite crônica para, em seguida, serem expostos ao tratamento com a lama, usada a uma temperatura de 40ºC. Os testes se repetiram diariamente por 15 dias.

Para efeito de comparação, foi utilizado um grupo de ratos controle tratado nas mesmas condições, mas com água quente ao invés da lama. Esses animais tiveram uma diminuição menos significativa da resposta inflamatória.

Segundo a pesquisadora, o alumínio, o silício, o cálcio e o enxofre foram os principais elementos identificados na lama de Peruíbe. “Ainda não sabemos se todos ou apenas um desses minerais agem contra a dor. Os próximos estudos vão se concentrar em identificar quais desses elementos é realmente absorvido pela pele”, afirma.

Além de verificar seu possível efeito terapêutico em humanos, o grande desafio agora é promover o uso racional da lama negra de Peruíbe. “Esse é um material retirado da natureza que não consegue se repor. O solo que substitui o local é a areia e não mais a argila”, conta Zélia. Além disso, os próprios manguezais do Sul de São Paulo, fora das áreas protegidas, estão sob constante ameaça.

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terça-feira, abril 19, 2005

 

Felicidade Biológica

Agência de Notícias da Fundação de
Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo
19/04/2005

Pessoas mais felizes podem, por exemplo, ter menos problemas de coração

Felicidade biológica

19/04/2005

Agência FAPESP - Que a felicidade é um bom remédio, todos sabem, inclusive os cientistas. Várias pesquisas mostraram que pessoas deprimidas desenvolvem mais problemas de saúde, em comparação com pessoas alegres.

Um novo estudo, feito na Inglaterra com 116 homens e 100 mulheres entre 35 e 55 anos de idade, conseguiu identificar importantes conexões psicobiológicas entre alegria e saúde. Em linhas gerais, as pessoas mais alegres tiveram um desempenho muito melhor das funções biológicas mais importantes para o bem-estar do que as mais tristes. A pesquisa acompanhou o grupo tanto do aspecto emocional como do ponto de vista biológico.

O nível de cortisol registrado nos que dão mais risadas ao longo do dia, por exemplo, foi menor. Esse hormônio, ligado ao estresse orgânico agudo, também já foi relacionado com o aparecimento de quadros de diabetes tipo II e hipertensão.

Um segundo indicador positivo também surgiu no sangue dos indivíduos mais alegres. Foram registradas baixas quantidades de proteínas ligadas a problemas cardiovasculares. O estudo será publicado esta semana no site da Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

De acordo com a pesquisa assinada por Andrew Steptoe, do London College, os resultados obtidos são independentes do estresse psicológico. Isso realça, para o pesquisador e seus colaboradores, que o bem-estar está relacionado com processos biológicos relevantes para a saúde.

O artigo Positive affect and health-related neuroendocrine, cardiovascular, and inflammatory processes, de Andrew Steptoe, Jane Wardle e Michael Marmot, pode ser lido no site da PNAS, em www.pnas.org



AGÊNCIA FAPESP - R. Pio XI, 1500 - Alto da Lapa - CEP 05468-901 - São Paulo/SP - Brasil
Tel: (+55) 11 3838 4178 Fax. (+55) 11 3838 4117 - E-mail: agencia@fapesp.br


Já lembrou de dar seu sorriso hoje?..... :))))
Rui.

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