sexta-feira, outubro 01, 2010

 

Meditações do Osho - 29


Prestamos tanta atenção no exterior que não ouvimos a nossa voz interior. Ela fala de nosso centro mais profundo. Vivemos na periferia, vivemos na mente, e a mente é tão barulhenta que não nos deixa escutar aquela pequena e silenciosa voz interior. Um mestre é necessário apenas como instrumento, porque você só ouve o exterior. O mestre diz, do lado de fora, o que a existência vem tentando lhe dizer há séculos do lado de dentro.

Estar com o mestre é simplesmente se preparar para, um dia, se virar para dentro. E então você poderá fechar os olhos e olhar para dentro, poderá começar a ouvir o que sua intuição quer lhe dizer. E a intuição está sempre certa. O intelecto pode estar certo ou pode estar errado - a dúvida sempre persiste -, ele nunca é indubitável. Mas a intuição não tem a menor dúvida, ela simplesmente sabe. A pessoa intuitiva nunca se arrepende, porque nunca faz nada errado, não pode fazer. Ela simplesmente segue a voz da existência em seu interior.

Fonte: Osho, Meditações para a Noite, Verus Editora, Campinas-SP, 2006.

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domingo, dezembro 06, 2009

 

Movimento e Inteligência

"Vida é movimento"

Fomos feitos com braços e pernas, para usá-los rotineiramente, para facilitar a condição de vida dos seres ao nosso redor (nossa missão de vida). Porém, a doença chamada de preguiça (um dos sete pecados capitais) procura minimizar o movimento destes "apêndices" do nosso tronco, levando, desta forma, a uma minimização de nossa vida e de nossa saúde física e mental. Um preguiçoso prefere ver televisão ou ler um livro ao invés de fazer uma caminhada. Um dos aspectos da saúde é a inteligência. No artigo abaixo [1], relata-se que aumentando nossos exercícios físicos aumentamos a nossa inteligência.

Estudo associa exercícios físicos a maior inteligência
Atividades aeróbicas estimulam o desenvolvimento de neurônios no cérebro

Exercícios físicos aeróbicos estão associados a uma melhor cognição (capacidade de o cérebro processar informações e cruzá-las, dando respostas a um estímulo) em jovens. É o que mostrou um estudo realizado pela Universidade de Gotemburgo (Suécia) com mais de 1 milhão de homens de 15 a 18 anos e publicado na última edição da "Proceedings of the National Academy of Sciences".

O condicionamento dos avaliados foi aferido por testes ergométricos. Aqueles que apresentavam melhores condições também se saíram melhor em testes de QI, especialmente nas áreas de compreensão verbal e pensamento lógico.

Para excluírem variáveis que pudessem influenciar os resultados, os pesquisadores consideraram o nível educacional dos pais e avaliaram as relações entre irmãos (gêmeos ou não).

"O mérito desse estudo é a informação de que os exercícios aeróbicos podem colocar a pessoa em um outro patamar. Imagine se a pessoa sai de um nível mais alto de cognição na juventude: essa reserva adicional poderá adiar a manifestação das perdas cognitivas da terceira idade", afirma o neurologista Li Li Min, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Segundo Min, estudos com animais já apontaram que as atividades físicas alteram a estrutura do cérebro e estimulam o desenvolvimento de novos neurônios, favorecendo a plasticidade cerebral (capacidade de o cérebro se adaptar a novas situações).

Pesquisas em andamento do Grupo de Neurofisiologia do Exercício da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) também mostram que exercícios aeróbicos elevam os fatores neurotróficos (de crescimento dos neurônios). Isso provoca um aumento no número de neurônios e o contato entre essas células, facilitando a transmissão de informações.

"Não dá para dizer que o indivíduo fica mais inteligente, mas sim que há uma melhora na cognição. Do contrário, todos os atletas profissionais seriam um Einstein", pondera o neurofisiologista Ricardo Mário Arida, professor da Unifesp.

Para os pesquisadores, somente exercícios aeróbicos tiveram relação com melhores resultados em testes cognitivos porque provocam uma maior oxigenação do cérebro, causada por um melhor condicionamento cardiopulmonar. Atividades de força, como a musculação, não demonstraram o mesmo efeito.

Eles também compararam os resultados dos testes ergométricos com as condições socioeconômicas desses homens na meia-idade. Os mais condicionados tiveram mais chances de ter um nível educacional mais alto e empregos melhores.

"Políticas públicas de atividades que melhorem o condicionamento cardiovascular não promovem só a saúde física mas também a saúde mental, cognitiva. O custo disso é baixíssimo e pode resultar em mais pessoas com melhor nível educacional, buscando profissões melhores", defende Min.

Atividades melhoram o processamento de informações:

MECANISMO PSICOLÓGICO:
1. O exercício provoca a liberação de endorfinas e de outros neurotransmissores
2. Mais tranquila, a pessoa consegue assimilar e memorizar melhor as informações

MECANISMOS FISIOLÓGICOS:
1. Ocorre a liberação de fatores neurotróficos, que estimulam e preservam a função dos neurônios e favorecem o desenvolvimento
2. Exercícios ativam vários circuitos do cérebro e favorecem o crescimento de novos neurônios no hipocampo (região responsável pela memória e aprendizado)

Referência:
[1] Julliane Silveira, Jornal Folha de S. Paulo, Seção Saúde, pg. C7, 5 de dezembro de 2009.

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domingo, outubro 21, 2007

 

Intuição e Intelecto

Fonte: Omraam Mikhaël Aïvanhov, Acerca do Invisível, Edições Prosveta, Lisboa, 1988.

A maioria das pessoas admite a existência de uma faculdade mental que está além da reflexão, do raciocínio, chamada intuição. Mas o que é realmente esta faculdade e como ela funciona, isso não é muito claro para a maioria das pessoas. Para compreender a natureza da intuição é preciso reportarmo-nos ao esquema dos diferentes corpos do homem, que os hindus nos apresentam.

Para os hindus, o nosso corpo físico é habitado e animado por vários corpos sutis, além do corpo físico das ações, que são: o corpo astral, portador das emoções, dos sentimentos; o corpo mental, suporte das idéias concretas, quer dizer, que têm uma relação com a matéria; o corpo causal, ou corpo mental superior, que permite ao homem aceder à compreensão das verdades sublimes, dos mistérios do Universo; o corpo búdico, portador, como o corpo astral, de emoções e de sentimentos, mas emoções e sentimentos divinos: o amor universal, a abnegação, o sacrifício; finalmente, o corpo átmico, portador dessa centelha imortal, que é a omnipotência de Deus.

Os três primeiros corpos, físico, astral e mental, estão mais ou menos igualmente desenvolvidos em todos os humanos atuais. Mas, quanto aos três corpos superiores, já não acontece isso, existindo uma grande diferença entre eles. Só certos filósofos, certos espiritualistas, conseguem elevar-se até ao plano mental superior, onde começam a viver na região sublime da luz. O seu cérebro refina-se a tal ponto que novos centros despertam neles, graças aos quais podem apreender a realidade das coisas. É isso o mundo da intuição. A intuição é uma visão, uma recepção instantânea, uma compreensão imediata e total desse mundo real, verídico, que está situado para além do próprio plano mental, pois no plano mental ocorrem ainda erros e ilusões.

Só se pode chegar até esse mundo da intuição através de práticas da mais alta espiritualidade. É preciso ter um alto ideal e sobretudo um Mestre, a fim de se ser guiado nesse caminho difícil, e, finalmente, uma vontade estável para praticar incansavelmente exercícios até se ser suficientemente desenvolvido para captar e apreender as realidades das regiões sublimes.

A intuição é uma forma de inteligência muito diferente da inteligência comum. Aqueles que trabalham muito com o intelecto chegam, é claro, a uma certa compreensão das coisas, mas mal conseguem aflorar esse mundo da intuição, onde o conhecimento é imediato e total; são-lhes necessários anos e anos de trabalhos, de reflexões, de cálculos, para fazer uma descoberta. Ao passo que aqueles que escolheram o caminho do espírito podem ligar-se diretamente a essas regiões sublimes. Mas para isso devem deixar de viver no tumulto das emoções e das paixões, que os impedem de ver mais claramente, e pôr ordem em todo o seu ser. É nesta paz e nesta harmonia que eles podem atingir a região da intuição, e nessa altura assemelham-se à superfície de um lago calmo e límpido onde todo o Céu vem refletir-se.

Vós direis: "Mas, então, para que serve o intelecto?". O intelecto é extremamente útil, pois permite-vos percorrer uma grande parte do caminho. Sim, mas chegado a um certo limite, ele abandona-vos, não pode levar-vos mais longe; ele diz-vos: "É uma região onde eu não posso guiar-te: é-me impossível ir mais longe. Eu trouxe-te até aqui, mas agora cabe a outras forças, a outras faculdades, a outras entidades, tomarem-te a seu cargo para te mostrarem o caminho". Reparai que é exatamente como em relação a certas viagens: vós começais por usar vosso carro para ir à estação do trem e lá entrais no comboio; chegados a um certo ponto, não podeis ir mais longe e precisais de tomar um barco; após algumas horas ou alguns dias, tendes de deixar também o barco; nesse momento, está um avião à vossa espera, e levantais vôo, voais pelos ares. Então, já compreendestes? O intelecto só vos serve para fazer uma parte do caminho interior que tendes a percorrer.

O intelecto é o instrumento que há de mais útil para preparar as condições, para desimpedir a via, para pôr as coisas no lugar, enquanto se espera que a intuição possa manifestar-se. Ele ajuda-vos a vigiar, a controlar o que se passa na vossa cabeça e no vosso coração, a eliminar os pensamentos e os sentimentos negativos e, pelo contrário, a conservar os pensamentos construtivos, benéficos, e a amplificá-los. Quando tiverdes assim introduzido em vós a paz e a pureza, que são as condições indispensáveis para entrar em contato com o Céu, outras correntes virão buscar-vos para vos levar até à região divina da luz infinita e do saber absoluto e, de súbito, tereis revelações. A intuição é isso: uma centelha, uma luz projetada, um saber que se capta do interior sem se dar conta de onde e de como ele chegou; mas sente-se uma certeza absoluta de que é assim e não de outra forma. As verdades, os conhecimentos, que recebemos através da intuição não falham, não são passíveis de erro.

Assim, a intuição é superior ao intelecto; ela tem, se quiserdes, a mesma precisão rápida e infalível que um computador em relação ao cérebro. Claro que o cérebro é superior: foi ele que construiu o computador, que lhe confiou os dados necessários, é ele que inicia e controla o seu funcionamento, e a resposta da máquina será sempre à medida da inteligência humana que lhe forneceu os dados; e como esta inteligência é limitada, a resposta será também limitada. Mas quando se trata de fazer rapidamente um cálculo ou uma operação muito complexa, o computador dá-vos a resposta certa em alguns segundos, ao passo que o cérebro teria necessitado de várias horas ou vários dias para chegar à solução.

Eu utilizei este exemplo do computador unicamente como uma imagem para vos mostrar que a intuição também vos dá a resposta num segundo, sem que vós saibais sequer porquê, como e por que meio as entidades celestes que vos responderam quiseram fazê-lo. É como se existisse em vós um ser cujo olhar é capaz de penetrar a realidade das coisas e de vos comunicar o que apreende, tomando em consideração não somente os elementos do plano físico, mas todos os elementos invisíveis e sutis que escapam à compreensão humana. Assim, a intuição é uma revelação de uma ordem superior ao intelecto; só podemos elevar-nos até esta região através da meditação, de um trabalho assíduo e da oração. Quando tiverdes conseguido introduzir em vós a ordem e a paz, todo o Céu virá refletir-se na superfície límpida da vossa consciência.

Os humanos recebem nas escolas uma instrução que os leva a contar muito mais com o intelecto que com a intuição. Isto está bem, só que serão necessários ao intelecto milhares de anos para ver, tocar e compreender a realidade do mundo divino ou a existência das entidades invisíveis. Ao passo que os espíritos intuitivos, os seres que trabalham segundo os métodos dos Iniciados, esses não têm necessidade de refletir e de tatear durante séculos para apreender, sentir e tocar a realidade.

É bom ter uma prática quotidiana deste mundo da intuição. Porisso, quando tiverdes um problema importante para resolver, procurai um sítio calmo e concentrai-vos... Tentai elevar-vos muito alto através do pensamento e, quando sentirdes que conseguistes atingir um certo ponto, colocai a questão que vos preocupa e esperai calmamente: haverá sempre uma resposta. Segundo o vosso grau de desenvolvimento, segundo o vosso trabalho, essa resposta chegará até vós de uma forma mais clara ou menos clara; talvez não passe de uma sensação vaga, difícil de interpretar, mas isso já será um indício. Então, não desistais, recomeçai a ligar-vos ao mundo da luz, voltai a colocar a questão: algum tempo depois sentireis em vós algo claro, uma certeza, e nesse momento já não restarão dúvidas, sabereis como devereis agir. Quanto mais desenvolvido o homem é, mais clara e precisa é a resposta que ele recebe.

Certas pessoas têm dons de clarividência, vêem formas, cores, entidades, mas esse ainda não é o grau de investigação mais elevado. O mais alto grau consiste em captar, em compreender as coisas pela intuição, sem ver nenhuma forma, nenhuma luz, nada. Sabe-se com uma certeza imediata e absoluta. Quantas pessoas vêem formas e cores que não conseguem interpretar corretamente! Então, para que lhes serve essa clarividência? A intuição, essa, é a fusão da inteligência com a sensibilidade, ela dá-nos o conhecimento completo, e neste sentido é superior à clarividência, pois a clarividência mais não é que ver o lado objetivo do plano astral ou mental: vós vedes e ficais aterrorizados ou maravilhados, experimentais sentimentos, mas sem ter o conhecimento nem a compreensão.

Um verdadeiro espiritualista nem sequer se ocupa daquilo que ele vê no plano astral, não trabalha para isso, está além disso, quer uma resposta superior. Quando recebe essa resposta da intuição, então sim, pode regressar às regiões da clarividência ou da clariaudiência. Mas primeiro deve visar o objetivo mais elevado, senão, essas visões, essas imagens flutuantes, prender-se-ão a ele, detê-lo-ão e impedi-lo-ão de ir mais longe, pois trata-se de um mundo extremamente confuso e de muitas misturas. Encontram-se nele imagens tão terríveis que já não se consegue atravessá-lo tranqüilamente para ir mais longe, mais alto, é-se obrigado a parar no caminho, fica-se quase bloqueado na sua evolução. Porisso, enquanto não se tem o poder de ficar ao abrigo desses perigos, é preferível atravessar rapidamente essas regiões de olhos fechados e começar a trabalhar para estimular a intuição.

Existem numerosos métodos para se desenvolver a intuição: pode-se praticar exercícios de concentração, de visualização, de contemplação. Podeis também concentrar-vos sobre o vosso Eu superior e imaginar que Ele vos comunica tudo o que vê, tudo o que sabe. Mas, mais uma vez, o meio mais eficaz, o menos perigoso, é trabalhar para obter o desinteresse e a pureza. Tentai nunca querer tirar partido das situações, nunca agir por interesse; só nessa condição é que tudo o que vos impede de ver claro desaparecerá e vós podereis conhecer as coisas e os seres na sua realidade.

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quinta-feira, outubro 18, 2007

 

Visão Limitada do Intelecto e Visão Infinita da Intuição

Fonte: Omraam Mikhaël Aïvanhov, Acerca do Invisível, Edições Prosveta, Lisboa, 1988.

A maior parte dos humanos rejeita todos os estados que os reaproximariam do mundo divino, considerando-os como anormais ou mesmo perigosos; querem confiar somente no intelecto. "Isto, sim, é sensato, tem-se a cabeça sobre os ombros".

Quando um professor vos dá explicações, serve-se de esquemas, de gráficos, graças aos quais o seguis passo-a-passo sem risco de vos perderdes. Contudo, não serão esses gráficos, esses esquemas, esses argumentos tão bem ordenados, tão claros, que impedirão esse mesmo professor de perder a cabeça noutras circunstâncias. Pois, se é um fato que os intelectuais dão provas de prudência, de disciplina, de objetividade, quando se trata dos seus trabalhos, uma vez afastados desses trabalhos, acham normal viverem na subjetividade e até entregarem-se à desordem e à agitação das paixões. Pois bem, nessa altura talvez fosse melhor desconfiarem e fazerem intervir um pouco mais o intelecto. Mas não, eles preferem desconfiar das sensações celestes, divinas, harmoniosas, das sensações que não perturbam, que não introduzem nenhum elemento nocivo no interior do ser. Que mentalidade esquisita!

Se estudarmos as estatísticas, veremos que é entre os intelectuais que se encontra o maior número de desequilibrados e de doentes mentais. O intelecto não protege os seres das perturbações psíquicas, pelo contrário. A vida não consiste exclusivamente em fazer observações, medições e cálculos, os homens não são máquinas e, para enfrentar as dificuldades e os choques da existência, para não se deixar levar e se destruir pelas paixões, para se descobrir a verdadeira realidade das coisas, o intelecto não é suficiente.

Como alguns daqueles que se dizem espiritualistas e místicos são, na realidade, pessoas bizarras, desequilibradas e fanáticas, os intelectuais tiraram conclusões apressadas sobre todos os espiritualistas e místicos. Mas isso não é honesto. Os verdadeiros místicos são seres sensatos: as suas maneiras, os seus gostos, os seus olhares, as suas palavras, os seus pensamentos, tudo está ordenado, tudo é harmonioso. Por que se há-de imaginar que o mundo do espírito, o mundo divino, só leva os seres a perder a cabeça, a imaginar que vêem o Senhor e falam com Ele, ou então que são o Cristo, a Virgem Maria, Joana D'Arc, etc.? Muitos, para escapar a essas elucubrações, preferiram tornar-se intelectuais empedernidos. Evidentemente, quem se lançar na vida espiritual sem guia, sem diretrizes, poderá ficar desequilibrado; foi o que aconteceu com muitos e, porisso, até certo ponto é compreensível que, perante tais exemplos, certas pessoas desconfiem do misticismo. Contudo, dar a preponderância ao intelecto também não é a solução.

O intelecto é uma faculdade que se desenvolveu no homem depois do coração, do sentimento. Permitindo-lhe observar, raciocinar, compreender, ela dá-lhe imensas possibilidades para trabalhar e para se desenvolver. De uma certa forma, pode dizer-se que o intelecto é uma faculdade ligada aos olhos: ver as coisas já é compreendê-las um pouco. Quantas vezes não sucede que, para dizer "Compreendo", se diz "Estou vendo"? A Natureza trabalhou milhões de anos no desenvolvimento do intelecto, mas não é ele que está destinado a ter a última palavra: a Natureza previu desenvolver no homem faculdades ainda muito superiores. O intelecto é limitado; para julgar, para tirar conclusões, ele baseia-se na aparência das coisas e na visão parcial que delas tem.

Falta, pois, ao intelecto o conhecimento sintético, e ele também não pode possuir um conhecimento do que é interior. Porisso ele não permite ao homem pronunciar-se corretamente sobre os seres e as situações, e isso origina inúmeros erros e mal-entendidos. Claro que, acumulando durante muito tempo um grande número de elementos, pode-se vir a ter uma visão razoável da totalidade, mas quanto tempo levará isso? E existirão sempre elementos sutis imponderáveis, que o intelecto não poderá apreender. Quando encontrais alguém, não podeis conhecer de imediato todos os seus defeitos, todas as suas qualidades e virtudes. Para isso é preciso contactardes com essa pessoa durante muito tempo. A única forma de conhecer instantaneamente um ser na sua totalidade é através da intuição, que é uma manifestação do espírito. A intuição não necessita de nenhum elemento para julgar: ela penetra instantaneamente no coração dos seres e das coisas e pronuncia-se de imediato sem nunca se enganar. Para ela nada fica escondido, só ela pode conhecer a realidade na sua totalidade.

Se a Inteligência Cósmica deu o intelecto aos humanos foi, evidentemente, para estes se servirem dele; infelizmente, eles fazem-no privando-se de outras possibilidades de exploração e de conhecimento mais sutis. Como são incapazes de utilizar as suas faculdades psíquicas para penetrar na anatomia e na fisiologia do corpo físico, são obrigados a dissecá-lo. Vós direis: "Como? Poder-se-ia conhecer a anatomia e a fisiologia de um homem ou de um animal sem o dissecar?" Sim. Com efeito, construiu-se toda a espécie de aparelhos aperfeiçoados para se ver o interior do corpo físico... Mas todos os aparelhos que o homem construiu mais não são que a correspondência, no plano físico, de aparelhos psíquicos ou espirituais que já existem nele, e se é obrigado a construí-los no exterior, é porque não sabe descobrir e fazer funcionar os que estão dentro de si. É por não terem desenvolvido a capacidade de conhecer a matéria através das suas faculdades intuitivas, que os "cientistas" são obrigados a dilacerá-la. Exatamente como as crianças que desfazem um brinquedo em pedaços para saber o que está lá dentro. E, assim, a ciência, que tanto se orgulha das suas descobertas, na realidade permanece numa fase de mentalidade infantil.

Só poder utilizar os cinco sentidos, dos quais o intelecto é o representante privilegiado, limita imensamente os humanos. Para conhecer o Universo, o Sol, os planetas ou mesmo o centro da Terra e as profundezas dos oceanos, eles precisam construir toda a espécie de engenhos, e enquanto esses engenhos não estiverem devidamente aperfeiçoados, escapar-lhes-ão inúmeros conhecimentos... E, mesmo que conseguissem aperfeiçoá-los, dado que para atingir certas regiões afastadas do espaço seriam necessários muitos mais anos que aqueles que a vida de um homem normalmente comporta, eis aí uma outra impossibilidade. Ao passo que, com os sentidos do mundo espiritual, pode-se penetrar instantaneamente em qualquer ponto do espaço e conhecer tudo.

O homem deve, pois, tornar-se cada vez mais consciente de que tem à sua disposição instrumentos muito superiores ao intelecto e aprender, no futuro, a pôr este um pouco de lado, e encará-lo somente como um instrumento de trabalho para o estudo e a exploração da matéria. Também na nossa vida quotidiana não é o intelecto que pode melhor guiar-nos: ele induzir-nos-á sempre em erro, não apenas porque tem uma percepção apenas parcial da realidade, mas principalmente porque no fundo de tudo o que ele empreende existe um certo propósito escondido, um interesse, um objetivo egoísta que acabará sempre por produzir aborrecimentos. O intelecto não foi feito para a generosidade, para a abnegação, para a renúncia, não foi criado para isso; ele só sabe dar a volta às situações em seu proveito. Se um dia ele se permite fazer um sacrifício, um gesto generoso, na manhã seguinte lamenta-o, acha que foi uma pena, que foi bastante idiota em escutar os conselhos do coração ou da alma.

Como é que se realizará a fraternidade entre todos os homens, como é que a Terra formará uma só família, como é que o mundo inteiro viverá em felicidade e em paz, se o intelecto não é capaz de conceber e de realizar? Ele não pode ir suficientemente alto para descobrir os verdadeiros meios, os verdadeiros remédios, as verdadeiras soluções. Aquilo que ele imagina, aquilo que ele propõe a partir da sua visão incompleta e egocêntrica das coisas é sempre algo defeituoso e só pode provocar mal-entendidos. É por isso que nunca nada está totalmente regularizado, que surgem sempre novos problemas. O intelecto nunca será um instrumento perfeito porque as regiões onde ele trabalha - as dos pensamentos e dos sentimentos comuns, vulgares - estão envoltas em poeiras e em brumas. Não lhe foi dada a visão clara das coisas, e se se confiar absolutamente nele, sem procurar mais alto outros instrumentos, outras faculdades que Deus nos deu também, nunca se encontrará as melhores soluções.

Está a chegar o momento de não mais vos deixardes fascinar pelas explorações do intelecto e de admitir a existência, em vós, de corpos espirituais, de estudar as suas diferentes possibilidades e de trabalhar finalmente para desenvolver a intuição, quer dizer, a inteligência superior do plano causal, que não tem agora qualquer propósito egocêntrico, mas, sim, sempre um fim heliocêntrico, teocêntrico. Nessa altura, em vez de fazerdes tudo em vosso proveito, começareis a colocar-vos ao serviço de Deus. Não é que Deus necessite do que quer que seja de você: Ele é tão rico e poderoso que não necessita de que se trabalhe para Ele. É por nós mesmos que esse trabalho nos é pedido, porque nos faz mudar de ponto de vista, de orientação, e somos nós mesmos que nos beneficiaremos, é em nós que haverá melhoras. Quando todas as energias convergem em direção a um outro centro, que não nós próprios, todos os processos, todas as funções e todas as vibrações mudam, e, em vez de permanecermos sem brilho, tornamo-nos luminosos, radiosos.

Evidentemente, não há que suprimir a atividade do intelecto. Deus quis que o ser humano desenvolvesse todas as possibilidades do cérebro; foi porisso que Ele o fez descer à matéria para a explorar. E nesta involução, os cinco sentidos ganharam tal importância que os homens perderam a noção do Céu, já não se comunicam com as entidades luminosas, já não pensam nelas, já nem sequer sentem a sua presença. Mas esta descida à matéria constituirá, contudo, uma aquisição extraordinária para a humanidade, pois os projetos do Eterno consistem em aperfeiçoar a criatura humana e, levando-a a passar através da matéria, através dos abismos, através da doença e da morte, fazê-la retornar em direção à vida, à ressureição, à luz, à liberdade absoluta, a fim de que ela conheça o seu Criador. Esta ascenção já começou, as correntes do Céu tornam-se mais poderosas e irá reencarnar um número cada vez maior de almas luminosas - filósofos, artistas, cientistas - que terão uma nova linguagem, que criarão novas obras, que proclamarão novos valores, que trarão uma nova visão do mundo, de forma a que sobre toda a Terra uma nova cultura venha a instalar-se, uma cultura que estabelecerá o Reino de Deus e a sua Justiça. Mas, para que isso aconteça, há que aprender a trabalhar com esses aparelhos muito mais aperfeiçoados, que são os órgãos dos corpos causal, búdico e átmico; numa palavra, trabalhar com o espírito, pois só ele poderá contemplar e apreender as realidades do mundo divino.

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