sexta-feira, outubro 27, 2017

 

Revelações de um membro no topo da Elite - 2


Trechos extraídos da Referência [1]

HH: A terceira densidade é a menor densidade em que uma "alma humana" pode encarnar. Os seres humanos (ou melhor, as almas encarnadas dentro deles, que é o ser real em cada humano encarnado, oriundo da fonte primordial), por sua vez, buscam "voltar para a Luz" e para o Amor, de onde todos (e tudo) vieram, e assim eles começam a jornada de progressão, desde a terceira densidade até a oitava densidade, e o retorno para o infinito, a Unicidade, o Absoluto.

HH: O Seu Criador, o que você tem chamado de "Senhor", não é "Deus" na medida como os textos da sua Bíblia se refere a ele como sendo "o único Deus verdadeiro". Ele é "um" Criador (ou sub-Logos) em vez do Criador Infinito ( O Criador dos criadores). Ele não é nem mesmo um Logos de nível galático ou solar local, mas sim, é o Logos planetário para este planeta. O Nosso Criador é aquele a quem vocês se referem como "Lúcifer", "O Portador da Luz" e "A Brilhante Estrela da Manhã" (Também é um Logos planetário, neste caso do planeta Maldek). O Nosso Criador não é "O Diabo", como ele foi falsamente retratado em seus textos da Bíblia. Lúcifer é o que você chamaria de um "Grupo de Almas" ou "complexo de memória social", que evoluiu para o nível da sexta densidade, o que, na prática, significa que ele (ou, mais precisamente, nós) evoluímos para um nível suficiente tal que ele (nós) atingiu um estatuto igual ou possivelmente maior do que o deus Yahweh (evoluímos mais do que ele).

HH: O Senhor Yahweh, devido ao fato de que  ele não tinha (como era seu direito, como Logos Planetário) proferido a sua própria vontade, para "conhecer a si mesmo" para aqueles que encarnam sobre o "seu" planeta (Terra), estava tendo muito pouco progresso evolutivo nele. Então, nós (Lúcifer) fomos enviados para ajudar. Uma vez que a ordem foi dada pelo Conselho dos Anciãos, nós "caímos" e descemos de volta a um lugar onde se pode, com trabalho duro e foco, mais uma vez, materializar uma manifestação de terceira densidade de nós mesmos.

HH: Yahweh teve que concordar com a nossa chegada; em verdade, foi ele que inicialmente pediu ao Conselho de Anciãos um "catalisador" de mudança para entrar em sua criação para compartilhar o conhecimento e a sabedoria que tinha alcançado através das nossas ascensões. Na ausência do livre arbítrio sobre o planeta, não poderia haver polaridade e, portanto, nada de "escolha" entre os dois extremos. Assim como é retratado no livro do Gênesis, o planeta Terra era muito "Éden" na sua natureza inicial. Claro, era um "paraíso" adorável, mas os seres então encarnados não tinham agitadores para evoluir para além da terceira dimensão e, portanto, pouca esperança de fazer a viagem de volta para o UM. Yahweh estava feliz ao manter seu próprio zoológico e pequenos animais de estimação no Projeto Éden. Porém, com pouca chance das almas daqui retornarem para "casa", o planeta tornou-se, de fato, uma "Prisão", ainda que muito bonita. Yahweh estava, usando uma linguagem moderna, executando um governo de ditadura benigna. Sem Polaridade (derivada do Livre Arbitrio), há apenas a Unidade do Amor e da Luz, e não há opção de experimentar "diferenças" além desse estado. Então, nós fomos o catalisador para a mudança evolutiva, a fim de poder fornecer direito à escolha, trazendo assim a Polaridade. Yahweh concordou que iria introduzir o conceito de livre arbítrio para os humanos da Terra, oferecendo-lhes uma escolha inicial, para saber se eles "queriam" ou não exercê-la. Assim, foi introduzida "A Árvore do Conhecimento do 'Bem e do Mal'" (ou, mais precisamente, do Conhecimento da Polaridade, de positivo ou negativo) que proporciona possibilidade de Evolução. Yahweh, então, leva seus habitantes a um novo jardim e diz que eles (vocês) podem fazer o que quiserem, exceto uma coisa (a parábola de Eva e a Maçã), criando assim o desejo de fazer a única coisa que dizem que eles não poderiam fazer (despertando a curiosidade inerente no ser humano). Assim, passou a existir a possibilidade da "escolha". Nós somos aqueles que fornecem o Catalisador, dizendo-lhes (como a serpente da parábola de Eva e a Maçã) sobre os benefícios de se obter conhecimento, para que eles comessem do fruto da árvore do conhecimento do Bem e do Mal (para desenvolver a consciência através da experimentação da escolha, do uso do livre arbítrio), e o resto é história. Yahweh, o seu Senhor local, pensou que suas "crianças" ainda escolheriam continuar a obedecê-lo e, quando ele descobriu que assim não foi, ele ficou com raiva. Como ele mesmo se descreve nas suas escrituras, ele é um "deus ciumento" e ele não gostou que seus "filhos" tivessem escolhido desobedecer a ele, por seguirem o nosso conselho.

HH: Nós estamos empenhados em estar por aqui por um conjunto pré-definido de "ciclos de tempo" para ajudar a fornecer o catalisador para a evolução humana, ou seja, oferecendo-lhe a opção negativa, ou aquilo que você escolher para chamar de "mal". Agora que o livre arbítrio já havia sido concedido, Yahweh não poderia recolhê-lo (é a LEI), e nós temos que ficar aqui como contratados para continuar a fornecer ao planeta Terra a possibilidade da escolha da polaridade. Desde então, Yahweh nos confinou (a nós como Alma Grupo) aqui dentro dos planos astrais da Terra (o que é muito restritivo e desconfortável para um Ser de nossa sabedoria e experiência). O Conselho de Anciãos nos deu a escolha para sairmos de nosso confinamento (contra a vontade de Yahweh), mas com o cancelamento do nosso contrato para servir o planeta Terra, ou permanecer e cumprir com a nossa missão, suportando e enfrentando a autoproclamada Cólera de Yahweh. Nós resolvemos ficar no planeta Terra mas, como resultado cármico do confinamento de nosso grupo de alma por Yahweh, as nossas próprias almas individualizadas receberam o mandato (pelo Conselho de Anciãos) de "governar" (Illuminati) sobre o povo de Yahweh durante as nossas encarnações física aqui em seu planeta. Embora tudo isso (a vida física/encarnação) seja um jogo muito complicado e habilmente projetado, em que Um Criador Infinito joga o jogo de se esquecer de quem é, para que ele possa aprender a se lembrar de si mesmo, e, ao assim fazê-lo, experienciar a vida e conhecer-se como o Criador. Fora do palco da terceira dimensão, e entre as diferentes "vidas" (ponto zero/anti-matéria no Universo) como "serres humanos" encarnados em algum planeta dentro da criação infinita, nós, todos nós e todos vocês (como almas, o ser real experimenando a vida material), somos todos grandes amigos. Somos todos Irmãos e Irmãs derivados do Um Absoluto. Entre as diferentes "vidas encarnadas" dentro da matéria, todos nós damos grandes gargalhadas e rimos muito sobre as nossas "personagens" que realizaram uma "interpretação" dentro do "jogo", e olhamos para a frente e nos divertimos preparando os personagens dos próximos capítulos (vidas encarnadas) em que iremos atuar aqui fora.

Referência:
[1] https://thoth3126.com.br/illuminati-2a-revelacoes-de-um-membro-no-topo-da-elite/

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sexta-feira, maio 20, 2011

 

Conversando com Deus - 3


Deus sabia que para o amor existir - e conhecer-se como amor puro - seu exato oposto também tinha de existir. Por isso, Ele criou voluntariamente a Grande Polaridade - o oposto absoluto do amor - tudo que o amor não é - o que agora é chamado de medo. No momento em que o medo existiu, o amor pôde existir como algo que podia ser experimentado.

É a essa criação da dualidade entre o amor e o seu oposto que os seres humanos se referem em suas várias mitologias como o aparecimento do mal, a desgraça de Adão, a rebelião de Satanás e assim por diante.

Do mesmo modo como vocês (seres humanos) escolheram personificar o amor puro como aquele a quem chamam de Deus, também escolheram personificar o medo abjeto como aquele a quem chamam de demônio.

Algumas pessoas na Terra criaram mitologias bastante elaboradas em torno desse evento, cheia de cenários de lutas e guerras, anjos guerreiros e demônios, as forças do bem e do mal, da luz e das trevas.

Essa mitologia foi a primeira tentativa da humanidade de compreender, e contar às outras pessoas de um modo que pudessem compreender, uma ocorrência cósmica da qual a alma humana está muito consciente, mas que a mente mal pode conceber.

Criando o Universo como uma versão dividida de Si Mesmo, Deus produziu, a partir de pura energia, tudo que agora existe - visível e invisível.

Em outras palavras, não foi só o universo físico que foi criado, como também o universo metafísico. E então Eu dei às inúmeras partes de Mim (a todos os meus filhos espirituais) o mesmo poder de criar que Eu tenho como o todo.

Isso é o que as suas religiões querem dizer quando afirmam que vocês foram criados "à imagem e semelhança de Deus". Isso não significa, como alguns sugeriram, que nossos corpos físicos se assemelham (embora Eu possa adotar qualquer forma física que escolher para um objetivo particular). Significa que nossa essência é a mesma. Somos feitos da mesma essência. SOMOS a "mesma essência"!! Com as mesmas propriedades e habilidades - inclusive a habilidade de criar a realidade física a partir do nada.

Meu objetivo ao criá-los, Meus filhos espirituais, foi conhecer a Mim Mesmo como Deus. Só posso fazer isso através de vocês. Portanto, pode-se dizer (como foi dito muitas vezes) que o Meu objetivo é que vocês se conheçam como Eu.

Fonte: Neale Donald Walsch, Conversando com Deus - Livro I, Editora Agir, Rio de Janeiro, 2008. ISBN 978-85-220-0848-3.

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sábado, outubro 16, 2010

 

O Equilíbrio


Perguntaram ao Osho:

É verdade que numa relação muito íntima, quando um "joga" o bom, o compreensivo, o calmo e o relaxado, sobra para o outro ser somente nervoso, tenso e raivoso? Por favor, explique.

Eis a explicação do Osho:

Sim, um certo tipo de equilíbrio sempre acontece num relacionamento. Se um está fazendo o papel do muito calmo, sereno e ponderado, o outro terá de fazer todo o trabalho de ser raivoso, resmungão, miserável e briguento.

Apenas há alguns dias Chaitanya Hari me fez uma pergunta: "Por que Sócrates continuou a viver com sua mulher rabugenta e briguenta, Xantipa?"

Essa pergunta é relevante, pois Chaitanya também está vivendo com uma mulher rabugenta e briguenta, Krishna. Mas lembre-se, Sócrates era responsável por aquela situação. Ele estava fazendo o papel do muito sereno e do muito filosófico. Xantipa não era tão má como parece. Se você entrar na psicologia disso, ela era a vítima de um filósofo. A pobre mulher tinha de fazer todo o trabalho.

E assim é o caso de Krishna! Krishna estava me dizendo "Osho, você acha que esse Chaitanya Hari é um santo?" Ele não é! Ele apenas finge ser! Ora, Chaitanya Hari também é responsável se Krishna se tornar uma Xantipa. Ela sozinha não será responsável.

Existe uma espécie de equilíbrio. Sempre que duas pessoas estão juntas acontece um equilíbrio. Não tente fazer o papel de sereno, do contrário o outro terá de se tornar mais quente do que o necessário. Não tente "jogar" o paraíso, do contrário o outro se tornará o inferno. Seja natural, seja normal. Algumas vezes é bom ficar com raiva, estar triste, ser infernal ou celestial.

Dessa forma ambos permanecem naturais e normais. Um relacionamento normal é um relacionamento céu-inferno. Quando um é, ou finge ser, celestial ou infernal, então não sobra mais nada para o outro. O único papel que sobra é fazer o papel oposto. Isso precisa ser entendido, esse é um dos maiores problemas do mundo.

Certa vez Avicenna, um famoso médico e filósofo árabe, ouvindo sobre a fama espiritual de Abel Hasan Khargani, visitou esse Mestre em Khargani. Quando lá chegou, o Mestre não estava em casa, tendo ido a uma floresta próxima apanhar lenha a pedido de sua esposa.

Quando Avicenna perguntou à esposa onde o Mestre estava, ela respondeu calorosamente: "Por que você quer ver aquele lunático e impostor? Que negócio você tem com ele?" E ela prosseguiu criticando e menosprezando longamente o Mestre e depreciando seu status espiritual.

Avicenna ficou muito perplexo. O que ela dizia contradizia o que ele tinha ouvido previamente, sentindo-se desmotivado a continuar sua busca por ele. Contudo, dando-se conta de ter chegado até ali para ver o Mestre, finalmente decidiu ir até o fim. Ao se dirigir à floresta, ficou pasmo ao ver o Mestre se aproximando dele, retornando da floresta com um grande feixe de lenha em cima das costas de um tigre.

O filósofo, após lhe prestar respeitos, indagou ao Mestre o significado da diferença entre o que lhe foi dito pela sua esposa e o que ele via com seus próprios olhos.

O Mestre respondeu: "Não há nada espantoso nisso. Trata-se de uma mera questão de fadiga. Quando eu aguento e tolero o fardo de sofrer da loba (leia-se 'esposa') em minha casa, então automaticamente esse tigre da floresta carrega meu fardo para mim".

O Mestre Sufi está dizendo: "Há também uma espécie de equilíbrio na existência". Não existe apenas um equilíbrio entre Xantipa e Sócrates, mas também existe um equilíbrio entre esse casal e a existência. Sócrates era imensamente respeitado pelas pessoas; desrespeitado e torturado pela esposa, mas respeitado pelas outras pessoas.

Lembre-se sempre, a vida pode existir somente em equilíbrio; sempre foi assim. Boas mulheres sempre encontram esposos ruins, e bons esposos sempre encontram mulheres ruins, esposas ruins. Isso é tal que não há exceção, não pode haver exceção.

Um homem foi a Sócrates e perguntou: "Sou jovem e gostaria de me casar. Queria a sua sugestão, pois ouvi muitas histórias sobre sua vida de casado. Você é a pessoa mais experiente sobre casamento. Vim para receber seu conselho. O que devo fazer? Está certo casar ou é bom permanecer solteiro? Qual é mais ditoso?".

Sócrates respondeu: "É melhor você se casar".

O jovem disse: "Você me deixa perplexo".

Sócrates replicou: "Não há motivo para ficar perplexo, é simples. Se você arranjar uma mulher como a minha, você se tornará um grande filósofo. Eu tive de me tornar! Isso é pura necessidade! Apenas para sobreviver, tive de me tornar tranquilo, meditativo e silencioso. Isso me ajudou imensamente. E se você tiver uma boa esposa, você será feliz; se tiver uma má esposa, você se tornará filósofo. De ambas as maneiras você será beneficiado. Case-se!".

Portanto, não posso dizer que Sócrates não seja responsável pelo comportamento de Xantipa. Não posso dizer que aquele Mestre Sufi, Abel Hasan Khargani, não seja responsável pelo comportamento de sua esposa.

Por isso, no Oriente, muitos buscadores da verdade permanecem solteiros. Há uma razão para isso. A razão é, a razão fundamental é - não que você não possa atingir a verdade com uma esposa - devido à compaixão, pois se você ficar demasiadamente meditativo vivendo com a esposa, você irá destruir o seu ser. Ela começará a equilibrar essa situação, e então ela se tornará feia e negativa. Se você for todo positividade, ela se tornará negatividade. Então você estará cometendo um crime contra ela, e você será responsável por isso. No Oriente, através dos tempos, buscadores da verdade permaneceram solteiros. É simplesmente devido à compaixão: por que destruir um outro ser humano?

Sócrates era tão silencioso, meditativo e envolvido em sua busca pela verdade que a esposa simplesmente se sentiu negligenciada e ignorada. Ela queria a atenção dele. Posso ver isto acontecendo - ao ela despejar uma chaleira de água quente sobre ele, ela estava simplesmente pedindo por sua atenção. Ele devia ser muito frio, assim dessa forma ela estava tornando-o um pouco mais quente. Ele devia estar numa espécie de desinteresse, e ela estava tentando criar alguma paixão nele. Se ele pudesse ter raiva, então ele poderia amar também.

Mas ele não ficou com raiva. Ele usou isso como uma estratégia: ele ficou ainda mais calmo e sereno e permitiu que aquela água quente queimasse seu corpo, mas ele permaneceu apenas uma testemunha. Ora, isso deve ter deixado a sua esposa ainda mais maluca. Como se pode perdoar tal marido que não pula e revida? Se ele tivesse revidado, ela teria ficado mais calma.

Se você já é casado, é melhor você permanecer normal. Sua busca pela verdade deveria ser interior. Em seu relacionamento com a esposa ou com o esposo, você deveria permanecer um ser humano normal. Do contrário você estará cometendo um crime, um pecado: você destruirá a mulher ou o homem. Então medite enquanto você estiver sozinho. E algumas vezes, se for necessário, fique com raiva! Pode ser apenas de brincadeira, aja assim, mesmo se não for necessário, pois uma vez que você decidiu viver com uma mulher ou com um homem, você tem certas responsabilidades a cumprir. Você algumas vezes precisa também ficar com raiva - essa é sua responsabilidade.

Se Chaitanya Hari não entender isso, então Krishna se tornará uma mulher rabugenta e briguenta, e a metade da responsabilidade desta situação será dele.

Se a pessoa decide estar em um relacionamento, ela dever ter cuidado para não destruir o outro, para não atirá-lo demasiadamente na polaridade. A vida equilibra a si mesma. Se você é todo positivo, o outro se torna todo negativo. Então seja meio a meio, negativo e positivo, ambos. E quando ambos são ambos, há um tipo de relacionamento belo, surge uma beleza; há uma grande música e harmonia. Eles se tornam uma orquestra.

Se isso não estiver acontecendo, é melhor ser solteiro, ficar só. Pelo menos você não perturbará um outro ser humano.

O Oriente está certo: se você é um buscador da verdade, é melhor ficar só. E se você já estiver num relacionamento e a busca pela verdade começou depois, então pelo menos você pode representar. Não há necessidade de ficar realmente com raiva, você pode representar, e isso já servirá. Você pode ser quente algumas vezes, pelo menos você pode mostrar isso - você deve isso ao outro.

Fonte: Osho, A Sabedoria das Areias: Discursos sobre o Sufismo, Editora Gente, 1999. ISBN 85-7312-133-5.

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sábado, junho 02, 2007

 

Osho e Tantra: Saraha, o Fundador do Tantra - 4

[continuação]

O instruído precisa ir ao vital, o falso precisa ir ao real. Saraha perguntou à mulher cheia de vida se ela fazia arcos e flechas profissionalmente, e a mulher deu uma risada, uma risada selvagem, e disse: "Seu brâmane estúpido! Você deixou o Veda, mas agora está adorando os dizeres de Buda. Então, qual é o sentido disso? Você mudou de livros, mudou sua filosofia, mas permanece o mesmo homem estúpido."

Saraha ficou chocado; ninguém jamais falara com ele dessa maneira; apenas uma mulher inculta poderia falar dessa maneira. E o modo como ela riu era muito pouco civilizado, muito primitivo, mas muito vivo. Ele estava se sentindo atraído; ela era um grande ímã e ele era um pedaço de ferro. Então ela disse: "Você acha que é um budista? O significado de Buda pode ser conhecido só através da ação, e não através de palavras e de livros. Você já não está no ponto de dar um basta? Você já não está saturado de tudo isso? Não desperdice mais tempo nessa busca inútil. Venha e me siga!". E ele a seguiu...

Ele a viu no mercado sem olhar para a esquerda nem para a direita (com o arco e a flecha), mas exatamente no meio. Pela primeira vez, ele entendeu o que Buda quis dizer com "estar no meio", evitando os extremos. Primeiro ele tinha sido um filósofo, agora ele se tornara um antifilósofo, indo de um extremo a outro. Primeiro ele estava venerando uma coisa, e agora estava venerando justamente o oposto, mas a veneração continuava.

Você pode se mover da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, mas isso não irá ajudar. Você será como um pêndulo, movendo-se da esquerda para a direita, da direita para a esquerda... Você já observou isso? E dessa forma, o relógio segue em frente e o mundo segue em frente.

Estar no meio significa que o pêndulo vai ficar pendurado bem no meio, sem ir para a direita nem para a esquerda. Então o relógio pára, o mundo pára; não há mais tempo e surge o estado de não-tempo. O meio é o ponto a partir do qual a transcendência acontece. Pense a respeito disso. Uma pessoa correndo atrás de dinheiro é louca, louca por dinheiro; o dinheiro é o seu deus. Um dia ou outro, esse deus fracassa, e isso é inevitável. O dinheiro não pode ser o deus; ele era a sua ilusão. Um dia você chega ao ponto em que percebe que não existe nenhum deus no dinheiro, que não existe nada nele e que você desperdiçou a sua vida. Então você se volta contra ele e toma a atitude oposta, passando a ser contra o dinheiro e nem mesmo tocando em dinheiro. Mas você esta obcecado nas duas atitudes. Agora você é contra o dinheiro, mas a sua obsessão permanece. Você se moveu da esquerda para a direita, mas o dinheiro ainda está no centro da sua consciência.

Você pode mudar de um desejo a outro; era muito mundano e agora se tornou espiritual; mas você continua o mesmo, a doença persiste.

Buda diz que ser mundano é ser mundano, e que ser espiritual é também ser mundano; venerar o dinheiro é ser louco, e ser contra o dinheiro é ser louco; procurar o poder é tolice, e fugir dele também o é.

A mulher disse para Saraha: "Você só pode aprender através da ação." Esta é novamente uma mensagem budista: ser total na ação é estar completamente livre da ação. O carma (karma) é criado porque você não está totalmente envolvido em seus atos; se você estiver totalmente na ação, ela não deixará marcas.

Faça qualquer coisa na sua totalidade, e ela estará terminada, e você não irá carregar a sua memória psicológica. Fazendo qualquer coisa de uma maneira incompleta, ela ficará pendurada em você, seguindo em frente... ela se torna uma ressaca. A mente quer continuar, quer fazê-la e completá-la, tem uma grande tentação de completar coisas. Complete qualquer coisa, e a mente se vai; se você continuar a fazer as coisas com totalidade, um dia subitamente descobrirá que a mente não está presente.

A mente é o passado acumulado de todas as ações incompletas. Você queria amar uma mulher e não amou, e agora essa mulher está morta; você queria ir ao seu pai e pedir perdão por tudo o que você fez, por tudo o que fez que o deixou magoado, mas agora ele está morto. Agora a ressaca ficará com você como um fantasma, agora você é impotente. O que fazer, a quem ir, como pedir perdão? Você queria ser gentil com um amigo mas não pôde porque você se fechou, e agora o amigo deixou de ser amigo e isso o magoa; você começa a se sentir culpado e se arrepende. E dessa maneira as coisas seguem em frente.

Faça qualquer ação com totalidade e você se livra dela e não olha mais para trás, pois não há nada lá para ver. Você não tem ressacas e simplesmente segue em frente. Seus olhos estão limpos do passado, sua visão não está anuviada. Nessa clareza, a pessoa vem a saber o que é a realidade.

Você está tão preocupado... com todas as suas ações incompletas. Você é como um depósito de lixo, uma coisa incompleta aqui, uma outra incompleta ali... nada está completo. Você observou isso? Você já completou alguma coisa, ou tudo está simplesmente incompleto? Nós insistimos em deixar de lado uma coisa e começamos uma outra, e antes que essa seja completada, começamos uma terceira. Ficamos com um fardo cada vez maior, e carma é justamente isso. Carma significa ação incompleta. Seja total e estará livre.

A mulher que fazia arcos e flechas estava totalmente absorta no que fazia, e foi porisso que ela parecia tão luminosa, tão bela. Ela era uma mulher comum, mas sua beleza não era deste mundo. A beleza vinha de sua absorção total na ação; a beleza vinha porque ela não era de extremos; a beleza vinha porque ela estava no meio, equilibrada. A partir do equilíbrio vem a graça. Pela primeira vez Saraha entendeu: a meditação é isso!

Fechar um olho e abrir o outro é também um símbolo budista. Buda diz que metade do cérebro raciocina e que a outra metade intui. O cérebro é dividido em duas partes, em dois hemisférios. O lado esquerdo mantém a faculdade da razão, da lógica, do pensamento discursivo, da análise, da filosofia, da teologia... palavras e mais palavras, argumentos, silogismos e inferências; portanto, o lado esquerdo do cérebro é aristotélico. O lado direito é intuitivo, poético; dele vem a inspiração, a visão, a consciência a priori, o conhecimento a priori. Nesta situação você não argumenta, mas simplesmente você sabe; não que você infira, mas simplesmente se dá conta. Este é o significado do conhecimento a priori, ele simplesmente está ali. A verdade é conhecida pelo lado direito do cérebro; a verdade é inferida pelo lado esquerdo. Inferência é apenas inferência, e não experiência.

[continua]

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