Monday, June 25, 2018

 

A Ciência da Expressão do Rosto


Este é o título de um livro de Louis Kuhne. Há muitos anos, eu li uma antiga edição em português deste livro (algo muito raro), que já não possuo mais. Recentemente, comprei e li uma edição atual  em espanhol desse livro [1], de onde transcrevo alguns trechos abaixo.

Quando a forma do corpo, ou sua cor, não são normais, ou o movimento dele é irregular, isso indica que ele está sobrecarregado de  matérias estranhas. Pergunta relevante: Como chegam estas matérias, que não pertencem ao corpo - e por isso as chamamos de estranhas - ao interior do corpo? Estas substâncias somente podem ser introduzidas por onde o corpo recebe seus alimentos, a saber: pelo estômago, pelos pulmões e pela pele. Pela boca introduzimos matérias líquidas e sólidas no estômago, pelos pulmões e pela pele aspiramos o ar.

O leite materno é o único alimento natural para o recém-nascido, mas infelizmente não se pode dar a muitas dessas criaturas porque o corpo sobrecarregado da mãe não está em condições de o produzir. Uma substituição possível, não ideal, é o leite cru de vaca ou de cabras sãs. Há resultados muito negativos devido à ingestão de leite cozido.

Uma vez que o estômago e os intestinos estejam débeis e sobrecarregados, os alimentos naturais não podem ser bem processados e o que não se digere se converte em substâncias estranhas.  Assim se explicam as contínuas enfermidades das crianças, que não tem outro objetivo do que desalojar do novo corpo uma grande quantidade de matérias estranhas.

Pelos pulmões e pela pele penetram também muitas vezes matérias estranhas no corpo, mas estas são, em sua quase totalidade, expelidas novamente, se a digestão é boa, devido à força vital que possua o corpo. Às vezes o corpo forma canais artificiais para expulsar todo o mal que contém em seu interior, manifestando-se, então, as feridas abertas, hemorroidas, fístulas, suor nos pés, etc. Estes canais se manifestam quando a pessoa está bastante sobrecarregada de substâncias estranhas. Quando estes canais são tampados repentinamente, as matérias estranhas que por eles corriam se assentam em alguma outra parte do corpo (podendo por em perigo o corpo).

Considero um atentado à saúde pública quando se ordena a introdução de matérias estranhas diretamente no sangue de uma pessoa (via injeções). A vacinação moderna é um erro tão grande como poucos que pode se encontrar na história. Se a humanidade quer evitar ela ser cada vez mais débil e enferma, é necessário que as vacinações acabem (o autismo se tornou uma epidemia infantil apenas depois que as vacinas em crianças se vulgarizaram!).

Existe uma substância que o corpo humano necessita e que parece totalmente sem utilidade, mas não há dúvida que ela ajuda a regular a digestão. Esta matéria é a areia. Todo alimento, em seu estado natural, contém sempre um pouco de areia, que nós eliminamos por meio de uma limpeza escrupulosa. É verdade que a higiene, até certo ponto, é muito boa, mas neste caso particular nos rouba uma matéria importante para o corpo. Os animais, sem distinção, comem areia, e quando esta falta, ocorre consequências bem marcantes. Veja, por exemplo, as galinhas, os canários e outras aves e pássaros, que por faltar-lhes a areia têm sua plumagem bem prejudicada. Nas minhas práticas, eu passei a usar a areia do mar, por ser mais fina e ser engolida com maior facilidade. Ela serve como um meio de desinfecção. Se ela for misturada com barro, os efeitos terapêuticos não aparecem com tanta clareza. A areia tem uma grande virtude e seguramente é um meio natural para conservar em boa ordem a digestão [se você não está digerindo os alimentos ingeridos, tome uma colherinha de chá de areia do mar ao final de cada refeição. Sua digestão normalizará em poucos dias, como aconteceu comigo].

A ciência médica, por meio da indústria, prepara alimentos simples na forma de extratos para oferecê-los ao corpo como algo moderno, a fim de evitar o trabalho de digestão aos que são débeis de estômago. Este é um grande erro. O corpo quer fabricar por si mesmo os elementos de que necessita para nutrir-se, pois é a única maneira que os assimila. Também o corpo deve gerar gases intestinais para regular o contínuo movimento das matérias alimentícias, dirigindo-as para baixo. 

O ar puro e bom é para a vida e para a força vital tão necessário como o bom alimento. Durante a refeição aspiramos mais forte e, devido a isso, tomamos mais ar nos pulmões; portanto, o melhor seria comer ao ar livre, sempre que o tempo o permita, ou em locais claros, bem ventilados e onde penetre bem o sol. 

Tem virado uma tradição se fazer as comidas cada vez mais tarde e, em muitos círculos sociais, jantam a uma hora em que já deviam estar há bastante tempo na cama. Esses alimentos, ingeridos tão tarde, não têm proveito algum e debilitam tanto o aparato digestivo que, pela manhã, falta a vontade de comer, por carecer da força necessária para a boa digestão. Nesta situação, o corpo não teve descanso suficiente durante a noite, pois os alimentos, ainda sem digerir, não dão descanso para ele. Deve-se começar a ir para a cama sem jantar, ou comendo muito pouco, e se verá que, no dia seguinte, se terá fome já pela manhã. Para a maioria dos trabalhos deve-se usar o período da manhã, ou seja, a parte ativa do dia, por ser ele mais adequado para isso do que a outra parte, ou seja, a parte da tarde, que corresponde ao período para o início do descanso. Um dos atos mais importantes da vida é o coito, o qual deveria executar-se sempre pela manhã, ou seja, na parte ativa do dia. A fecundação seria muito melhor e o fruto mais aprimorado.

Portanto, deve-se tentar adaptar-se o modo de viver, de maneira que os atos mais importantes e de maior esforço ocorram na parte da manhã, comendo a maior quantidade de alimentos mais cedo e, durante a tarde, trate-se de descansar e à noite, à primeira hora, se busque o leito. As enfermidades agudas se desenvolvem com mais ímpeto durante a parte passiva do tempo (do dia), pois o corpo, por estar mais cansado, opõe menos resistência a elas. Quem ainda não percebeu que a febre geralmente é muito mais intensa ao anoitecer? Isso acontece por encontrar-se então mais débeis as funções do corpo.

O ano também se divide em parte ativa (primavera e verão) e parte passiva (outono e inverno).  Na parte passiva do ano é quando aparecem com mais força as enfermidades chamadas epidêmicas, pois a febre encontra então menos resistência no corpo, algo semelhante ao que sucede na parte passiva do dia. Assim como os animais, a humanidade deveria tomar menor quantidade de alimentos durante o inverno, o tempo tradicional da abstinência. A medicina escolástica, no entanto, nos ensina sempre que os frios fortes pedem mais alimentos, um erro que pode trazer consequências fatais. Nas regiões tropicais, onde o sol muda pouco durante o ano, parece que é a Lua que impõe sua influência, sendo a parte ativa durante o crescimento dela e a passiva durante a fase minguante. Pelo exposto, nos trópicos, a influência da lua é igual a que exerce o sol nas zonas temperadas.

Em seguida, o livro [1] apresenta algumas passagens do outro livro [2] do Kuhne.

As regras normais das mulheres duram dois ou três dias, quatro no máximo; o que passar disso é anormal. Quanto mais fria é a água dos banhos de assento com fricção, mais eficientes eles são. O refrigério impede ou faz retroceder toda fermentação do organismo. Só pelas partes genitais do ser humano se pode influir em todo o sistema nervoso do organismo. Para desenvolver-se uma enfermidade no corpo se requer a introdução ou a produção de substâncias estranhas. Estas só penetram no corpo por causa de uma digestão insuficiente, ajudada por uma atividade defeituosa dos pulmões; e também por uma nutrição irracional ou absurda, ajudada por um ar corrompido. 

Enquanto a pele funcionar de maneira normal, as substâncias estranhas se eliminam pelos poros na forma de suor; não há sobrecarga de substâncias estranhas no corpo e não existe enfermidade crônica. Daqui provém o calor e a umidade da pele nas pessoas saudáveis. Assim que não se pode eliminar as substâncias estranhas por meio do suor, começa naturalmente a sobrecarga do corpo, primeiro abaixo da pele e logo nas extremidades: daí surge o frio nas mãos e pés. Em seguida, se condensam as substâncias estranhas gasosas e, então, observamos as alterações nas formas do corpo.

As enfermidades são causadas por um aumento da temperatura interna (inflamação) e não pode desaparecer senão quando se produzem condições opostas, isto é, uma frescura contínua e uma diminuição da temperatura interior do corpo. Por nenhum meio se obtém isso melhor do que pelo banho de assento com fricção (semicúpio). Todo corpo vivente tem a tendência de expulsar as substâncias estranhas por meio de seus órgãos excretores naturais. A força vital é idêntica ao que se chama poder digestivo, do qual extrae o corpo sua força.  Nosso corpo necessita de uma força que o alimente continuamente. De onde o corpo toma esta força? Em que consiste esta força que chamamos vital? O corpo a toma do alimento. Mas o alimento não se compõe unicamente de comida e bebida, como se crê, mas também do ar que respiramos.

O ar aspirado pelo corpo se divide imediatamente nos pulmões, separando-se em suas partes componentes, oxigênio e nitrogênio. Toma o oxigênio como alimento e expele o nitrogênio. Quanto mais puro e natural for o ar, mais força vital extrai dele o corpo. Com isso realiza o corpo um ato parecido ao comer e beber. Por meio da digestão o corpo transforma completamente as substâncias que se lhe dão como alimento, retirando delas as partes que pode utilizar. Tomemos, como exemplo, uma maçã, que tem uma determinada forma. Se cozinharmos a maçã, sua forma e sua natureza interna se transformam em outra substância, mudando sua força primitiva. A compota obtida de tal modo produz também certa força nutritiva, mas menor que a força da maçã crua. O mesmo acontece os outros alimentos do homem. Em sua forma mais natural eles dão ao homem maior força vital, e quanto mais se transformam os produtos pelo cozimento, menor é a força vital que deles pode obter o corpo.

O banho de assento com fricção melhora a digestão mais debilitada, sempre que seja susceptível de melhoria, no mais curto prazo e do modo mais natural. Toda a vida depende da ação respectiva do sol, do ar e da água. Nos trópicos, a ação do sol é mais intensa, e maior e mais variado é o desenvolvimento da vida; a vegetação e o mundo dos animais diminuem à medida que se afasta do equador (O homem é um animal feito para morar na região tropical deste planeta).

Referências:
[1] Louis Kuhne, Diagnóstico por la Ciencia de la Expresión del Rostro, Editorial ELA, Madrid - Espanha, 2018. ISBN: 978-84-9950-157-4.
[2] Louis Kuhne, Cura pela Água: A Nova Ciência de Curar, Hemus Editora, 7ª Edição, 1996.

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Friday, February 23, 2018

 

A Cura pela Água - 4


Trechos deste livro [1] de Louis Kuhne (1835-1901)

A doença outra coisa não é senão a presença de substâncias estranhas que se depositam no corpo em consequência de uma digestão incompleta. Estas substâncias se depositam, primeiro, no baixo-ventre; mas a fermentação as distribui, em seguida, pelo corpo inteiro. Toda mudança de temperatura ambiente, toda excitação, qualquer desgosto, qualquer choque é capaz de desalojar e pôr em fermentação as substâncias estranhas do corpo. Toda a nossa vida não é outra coisa senão um movimento contínuo de todas as substâncias. A força vital é mais enérgica nos jovens do que nas pessoas de mais idade. A mesma mudança de temperatura, suficiente para produzir nos jovens uma febre aguda, não é o bastante para excitar a força vital dos mais idosos, de modo que traga consigo uma intenção curativa do corpo (via febre aguda).

Sabemos que o calor dilata todos os corpos e que o frio os contrai. Esta invariável lei da natureza se acha plenamente comprovada no corpo humano. Nele observamos com muita clareza uma dilatação, no calor da febre, e, vice-versa, uma contração dos membros durante o frio, observado sobretudo pelo calçado e pelas luvas. A contração dos membros exerce pressão sobre as substâncias estranhas neles depositadas. Esta pressão os põe em movimento e faz com que retrocedam em direção ao seu ponto de partida, ou seja, para o baixo-ventre. Produz-se, então, uma acumulação de substâncias estranhas nas articulações, porque o caminho não está livre e as articulações se opõem à circulação das substâncias. Ao pressionarem este obstáculo, as substâncias produzem inflamação e fortes dores.

A mudança da temperatura ambiente pode acionar as intenções curativas do corpo, mudando o estado mórbido e latente em um estado agudo. Logo, os fenômenos mórbidos só se apresentam no corpo, nas partes que possuem quantidade suficiente de substâncias estranhas. No início, a causa do depósito de substâncias estranhas é puramente mecânica, simplesmente porque essas substâncias obedecem à lei da gravidade. No corpo as substâncias se depositam nas paredes inferiores e dirigem-se exatamente em direção ao lado sobre o qual nos deitamos durante a noite. Tive um paciente que só tinha reumatismo na perna esquerda: isso porque durante anos dormira sobre o lado esquerdo.

A ciática não é nada mais do que uma inflamação das articulações dos quadris; é gerada da mesma maneira que os reumatismos e, portanto, desaparece de igual modo. Não existe doenças sem febre nem febre sem doença. Toda doença tem como condição indispensável a presença de substâncias estranhas no corpo. Por meio da febre e da fermentação, estas substâncias se distribuem pelos lugares mais afastados do baixo-ventre, seu ponto de partida. Lembre-se que não são as roupas (ou luvas) que aquecem o corpo e, sim, o corpo que esquenta as roupas. Rico que é em sangue, o cérebro se acha em melhores condições do que os pés e as mãos para resistir às substâncias estranhas que sobem à cabeça. Esta resistência produz esfregadura e calor. Temos, pois, a solução do enigma: as substâncias estranhas esfriam as mãos e os pés e aquecem a cabeça [o ideal é barriga quente e cabeça fria, mas a maioria das pessoas têm a barriga fria e a cabeça quente]. No entanto, se as substâncias estranhas penetram em muita grande quantidade na cabeça, acaba cessando também nela a resistência e ela torna-se fria. Todos os que têm as extremidades frias estão sempre sujeitos a padecer de reumatismo.

[continua]

Referência:
[1] Louis Kuhne, Cura pela Água: A Nova Ciência de Curar, Hemus Editora, 7ª Edição, 1996.

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Saturday, February 03, 2018

 

A Cura pela Água - 3

 Trechos deste livro [1] de Louis Kuhne (1835-1901)

A doença é a presença de substâncias estranhas no corpo. As substâncias estranhas se apresentam nele desde o nascimento ou nele se introduzem pela admissão de substâncias prejudiciais ao corpo. O corpo procura expulsá-las pelo intestino, pelos pulmões, pelos rins e pela pele; e, se não logra seu intento, deposita-as por toda parte. É assim que se alteram as formas do corpo, coisa que se nota melhor no lugar mais estreito: no pescoço e no rosto. O foco da fermentação das substâncias estranhas se acha no nosso baixo-ventre.

Febre é uma fermentação produzida em nosso corpo. A fermentação é oriunda de substâncias estranhas que se depositaram no corpo. A causa disso é uma digestão insuficiente, ou melhor, a introdução excessiva de alimento insuficiente. Chamo também de alimentação insuficiente o ar insalubre, misturando-se com gases deletérios. As substâncias em fermentação ocupam muito maior espaço do que antes de fermentarem. Esta fermentação não é outra coisa senão uma esfregadura (atrito) que produz necessariamente o calor. O estado produzido pela fermentação chamamos de febre. A febre pode ser cortada pelo seguinte processo: deve-se fazer tudo por abrir os poros da pele; é preciso fazer com que o corpo transpire: assim cessará imediatamente a febre. Mas, ao mesmo tempo, é preciso libertar o calor por um processo refrescantes (banhos frios). As substâncias estranhas são eliminadas pelos órgãos excretórios naturais, via urina e suor (e expiração), pelos intestinos e pela transpiração. Depois dos banhos frios, deve-se fazer com que a pessoa sue. Deve-se abrir as janelas de dia e de noite para que na casa haja sempre ar fresco. Durante o tratamento há necessidade de se guardar uma dieta adequada, pois os alimentos excitantes e muito temperados com sal e pimenta, de carne, etc. favorecem a quentura e impedem o seu desaparecimento.

A pele é um órgão de excreção importante; tem ela principalmente a missão de expulsar as substâncias mórbidas que se acumulam na superfície do corpo. O suor outra coisa não é senão a substância estranha que foi expulsa do interior pela fermentação. A pele deve funcionar constantemente para que o corpo não adoeça. Toda a pessoa com saúde tem a pele quente e úmida. A pele seca e fria denota um sintoma de doença. Durante todo o tempo em que não há defecações suficientes  (condição de prisão de ventre), a natureza emprega a pele como principal órgão de excreção. Somente quando se torna impossível efetuar a transpiração de outra maneira é que se torna necessário recorrer aos processos artificiais, dando às crianças até banhos de vapor no corpo inteiro. Durante o tempo em que a criança estiver acamada a janela deve permanecer um pouco aberta tanto de dia como de noite a fim de manter constantemente um ar fresco. Por assim dizer, a cabeça é o ponto final do corpo. Postas em movimento, as massas em fermentação sempre encontram na cabeça um limite insuperável. As substâncias em fermentação tendem constantemente a subir e, se a cabeça opõe óbice a seu livre desenvolvimento, elas atuam especialmente sobre estes últimos obstáculos. Quando se trata de cerveja ou do vinho, todos sabem que a fermentação se desenvolve com maior dificuldade e com maior lentidão na temperatura baixa da adega. As substâncias estranhas que se encontram no corpo obedecem também a esta lei da natureza. Um aumento de calor favorece toda fermentação, ao passo que o frio a impede, detém e destrói por completo. 

Aplicamos  com êxito contra a varíola tão temida igual método curativo que o aplicado contra as demais doenças. Isto só é possível quando a doença tem causa igual às anteriores, isto é, a acumulação de substâncias estranhas no corpo, o que é o que realmente acontece. A vacina poucas garantias oferece contra a varíola. A vacinação introduz artificialmente e de modo direto substâncias estranhas no sangue. Quando carece o saber, facilmente se crê nos prodígios...

A tosse, seja ela como for, deve ser encarada como sinal de doença grave, porque o homem sadio não deve tossir nem cuspir. A tosse só se produz quando a pressão das substâncias estranhas se dirige para cima, por estar bloqueada a saída natural por baixo. Ou a pele funciona mal ou os rins e os intestinos não desempenham perfeitamente suas tarefas.

As crianças atacadas de coqueluche apresentam os sintomas tão conhecidos da fermentação; isto é, têm também febre. As massas querem sair pelo pescoço e cabeça, embora nestas partes o corpo não tenha órgãos excretórios. A primeira coisa que se deve fazer é deixar que o doente sue logo. Logo que o suor se manifesta, a tosse se acalma consideravelmente; e se a digestão melhora, a tosse desaparece por completo num espaço de tempo indeterminado. Todas as febres agudas não são mais do que um esforço curativo do corpo, que trata de expulsar as substâncias estranhas. Por conseguinte, deveríamos saudar com regozijo cada uma dessas febres agudas (crises curativas).

Banhos de sol diários realizam verdadeiros prodígios em combinação com os banhos de assento com fricção. O calor do corpo humano é o melhor suporífero e o melhor calmante.  A frialdade nas extremidades e uma sensação de frio em todo o corpo torna a doença perigosa; com efeito, isso é prova de que as partes externas do corpo perderam grande parte de sua força vital e ativa pela enorme sobrecarga de substâncias estranhas e de que no interior predomina uma febre devoradora. Neste caso as partes externas do corpo e sobretudo os extremos mais finos dos vasos sanguíneos estão obstruídos pelas substâncias estranhas, de modo que o sangue não pode circular até as partes extremas da pele, o que produz uma sensação de frio. 

Em todos os sintomas mórbidos ocorre uma das duas coisas: sobrecarga de calor ou aumento de frio. Ambos os sintomas são da febre e por isso devem ser combatidos de maneira idêntica. Todas estas diferentes formas de sintomas mórbidos são tendências curativas do corpo. As doenças sufocadas ou reduzidas a estado latente acarretam doenças sempre mais graves e difíceis de curar, porque a substância mórbida nunca permanece inativa no corpo; pelo contrário, é submetida a contínuas alterações e transformações engendrando assim, sem cessar, novas doenças.

Dado que o corpo trabalha muito interiormente (quando doente), é preciso cansá-lo o mínimo possível com a digestão. Portanto, o princípio fundamental consiste em dar ao doente pouco alimento, sem jamais obrigá-lo a comer e beber senão quando ele próprio pede. Uma doença aguda (como varíola, escarlatina, difteria, cólera, sarampo, sífilis, etc) não é mais do que um estado de fermentação no corpo, o qual se esforça por expulsar as substâncias estranhas. Essas substâncias estranhas mudam de forma, segundo a fermentação, apresentando-se como bacilos, bactérias, micróbios e demais micro-organismos tão temidos, que são todos produto da fermentação.

O ato de infecção não é mais do que uma vacina da substância mórbida em fermentação sobre outro corpo pelas vias naturais e numa diluição natural. A substância mórbida específica não pode produzir a fermentação se não encontra no outro corpo uma quantidade suficiente de substâncias estranhas em estado latente. Consequentemente, o perigo de infecção por uma doença aguda só ameaça quem já está suficientemente sobrecarregado de substâncias estranhas, ou seja, aqueles que têm em si próprios predisposição à doença.

Como todos os remédios alopáticos, o veneno inoculado em doses alopáticas atua de maneira paralisadora da força vital do corpo; isto é, tira deste a força de que precisa para expulsar as substâncias estranhas numa doença aguda (crise curativa, febre) e até aumenta a quantidade de substâncias, produzindo um estado morboso crônico ainda mais perigoso. Verifica-se um aumento cada vez maior de todas as enfermidades crônicas (câncer, etc) desde que se passou a aplicar as vacinas. Todos os remédios alopáticos paralisam todos os esforços curativos do corpo e logram unicamente a paralisação do fermento, mas não a expulsão das substâncias estranhas. Daqui é que se originam estas doenças, em outros tempos tão raras, como o câncer, a neurose em alto grau, a loucura, a sífilis, etc. No começo, todo novo medicamento paralisa a força vital, mas o corpo se debilita de tal modo a ponto de só raciocinar com o remédio, até que por fim não pode ser impedida a fermentação das substâncias estranhas e destrói-se a vida.

Se a temperatura (externa, por exemplo) excita igualmente a força vital do corpo, o corpo se esforçará também com intenção curativa do mesmo gênero (febre) para desfazer-se das substâncias estranhas. Quando existe sobrecarga bastante uniforme em certo número de indivíduos, a mesma causa produzirá o mesmo efeito simultaneamente em muitos (já) doentes; e é assim que se geram as epidemias.

O ar puro deve constituir a primeira condição da moradia de um doente. Todos os perfumes ("bom ar") e desinfetantes aplicados no interior da moradia não expulsam as substâncias estranhas presentes; pelo contrário: simplesmente contribuem para que o ar seja ainda pior e mais impuro. Além disso, estes desinfetantes exercem simultaneamente uma ação paralisadora sobre o guardião de nossa saúde, o "nariz", tornando-o insensível às mais  nauseabundas emanações dos doentes: agem, pois, exatamente como os medicamentos supracitados, não para fazerem bem, mas para provocar uma piora.

O corpo recebe, do meus banhos frios, um aumento da força vital que o torna capaz de expulsar, em seguida, o veneno das doenças. Sem substâncias estranhas, nada de doenças, nada de infecção! Quem sabe manter seu corpo limpo interiormente e não somente no exterior, está a salvo de toda infecção. Portanto, a limpeza é a mãe da saúde. Com isso se vê claramente que não há nada de mais insensato do que as medidas de segurança que a medicina escolástica toma contra as doenças contagiosas.

Referência:
[1] Louis Kuhne, Cura pela Água: A Nova Ciência de Curar, Hemus Editora, 7ª Edição, 1996.

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Monday, April 30, 2007

 

Eliminação de Toxinas pela Pele


Durante todas as 24 horas do dia, nosso corpo está permanentemente eliminando toxinas através de nossa pele. Nosso corpo tem dois tipos de pele: a pele externa, normalmente chamada simplesmente de pele (cútis), e a pele interna, normalmente chamada de mucosa. Ambas essas peles são permeáveis, permitindo o trânsito de substâncias para dentro e para fora do nosso corpo.

A nossa pele externa funciona como um pulmão secundário, permitindo a saída de toxinas do corpo e a entrada de oxigênio do ar ambiente. Há muitos anos atrás, uma pessoa aqui no Brasil morreu durante um baile de carnaval. Feita a autópsia, verificou-se que ela havia morrido intoxicada devido à falta de oxigênio no sangue. Esta falta de oxigênio ocorreu, neste caso, porque o folião tinha todo o seu corpo coberto por uma tinta impermeável, que impedia a entrada de oxigênio para o interior do corpo através de sua pele. Os pulmões, com suas trocas gasosas em suas mucosas, não foram suficientes para fazer a oxigenação sangüínea adequada neste caso. A cobertura de nosso corpo com muita roupa também atrapalha as trocas de substâncias entre o nosso corpo e o ambiente.

Toxinas são o que o pesquisador alemão Louis Kuhne [1] chama de "substâncias estranhas". Estas são substâncias que não deveriam estar presentes em nosso corpo, mas que adentram nosso corpo por duas vias principais: o nariz e a boca. Estes dois órgãos do corpo possuem sentinelas para evitar a entrada de substâncias estranhas: o olfato, no nariz, e o paladar na língua dentro da boca. Mas esses dois sentinelas acabam, com o tempo, sendo subornados e passam a permitir a entrada das substâncias tóxicas para o interior do corpo [um fumante acostuma-se com a fumaça do cigarro e a quase totalidade da população se acostuma a comer comida morta, isto é, comida cozida]. O acúmulo das substâncias estranhas que não conseguem ser eliminadas, acaba por deformar a forma ideal do corpo humano [origem da feiura].

Quando aquecemos suficientemente o nosso corpo, através de exercícios, forte agasalhamento (com o uso de cobertores, por exemplo), banhos de vapor (sauna) e banhos de sol, ele transpira suor por toda a pele (órgão mais extenso do nosso corpo). Junto com esse suor são eliminadas toxinas/substâncias estranhas presentes no nosso corpo. No entanto, uma certa quantidade de substâncias estranhas fica sedimentada próxima à parte externa da pele, congestionando/bloqueando nossos poros. Esta parte das toxinas pode ser eliminada pelo uso de longos banhos mornos. Se este banho morno for feito em uma banheira, podemos observar estas toxinas expulsas na linha da banheira que separa a água do ar ambiente: uma mancha escura (de toxinas) irá se formar neste local da banheira. Uma outra forma de eliminar essas toxinas armazenadas na superfície da pele, é usando as unhas durante banhos de vapor: se coçarmos a pele com as unhas, elas ficarão cheias de uma seborréia, presente desde o topo da cabeça até os dedos dos pés. A caspa, por exemplo, é a eliminação dessa seborréia através do couro cabeludo. Nunca me esqueço da informação dada por Leonard Orr [2] sobre o poder curativo do contato íntimo com a água: seu amigo Igor Tscharkovsky curou-se de todas suas doenças e tornou-se um gênio ficando de molho numa piscina 24 horas por dia durante 30 dias.

As substâncias estranhas expulsas pelas mucosas de nosso corpo costumam receber o nome de muco. Na mucosa em contato com o globo ocular, o corpo costuma expelir um muco chamado remela. Na mucosa do nariz é expelido um catarro, normalmente conhecido como ranho. Na mucosa bucal, a excreção de substâncias estranhas costuma se concentrar na separação entre a mucosa gengival e os dentes; se não eliminada, via escovação, estas substâncias se compactam formando o que é conhecido como tártaro. Na mucosa da uretra, durante crises agudas de doenças sexuais (como a gonorréia), é comum a expulsão de um muco tipo pus.

Em uma postagem anterior neste blog, vimos que as mulheres vivem, em média, sempre mais que os homens em todos os países deste planeta. Uma das razões para isso é que as mulheres expulsam mensalmente substâncias estranhas através da mucosa uterina (junto com o seu fluxo menstrual) durante todo o seu período fértil. O homem não dispõe deste canal de expulsão de toxinas.

Aparentemente, uma série de substâncias vegetais e minerais são particularmente úteis para atrair as toxinas para fora do nosso corpo, quando são colocadas em contato íntimo com nossa pele e nossas mucosas. O contato direto da sola de nossos pés com o solo parece favorecer esta limpeza orgânica, já que a campeã de longevidade no Brasil (Maria do Carmo Jerônimo, 129 anos) sempre andou com os pés descalços. Muitos casos de curas milagrosas são atribuídas, também, aos banhos de lama especial (como os de Araxá - MG). Nesta mesma linha de raciocínio, você pode encontrar à venda, na internet, umas almofadinhas para os pés ("foot pads"), recheadas com determinadas substâncias vegetais e minerais, projetadas para você dormir com elas grudadas às solas de seus pés. Ao acordar, pela manhã, essas almofadinhas, que eram brancas na noite anterior, amanhecem pretas com as toxinas expulsas pelo corpo através das solas dos pés (algo semelhante ao que ocorre durante o banho de banheira, citado acima). Antigamente, existia aqui no Brasil uns emplastos (uma marca, que me lembro, era o Emplasto Sabiá) para serem colados à pele, visando eliminar a dor dos lugares emplastados, devido a extração local das toxinas ali acumuladas, causadoras da dor.

Outro exemplo de extração de toxinas corporais, através da mucosa bucal, é o caso do bochecho com óleo de gergelim (ou de girassol) na boca, conforme minha postagem anterior mostrada abaixo ["Terapia pela Técnica de Extração com Óleo - "Oil Pulling"]. As mucosas são geralmente mais permeáveis do que a pele e, portanto, são os locais mais apropriadas para se conseguir a extração das toxinas presentes no interior do corpo.

Um grande abraço, Rui.


Referências:
[1] Louis Kuhne, Cura pela Água: A Nova Ciência de Curar, Sétima Edição, Hemus, 1996.
[2] Leonard Orr, Manual de Sanación, Editorial Las Acácias, Argentina, 2005.

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